O chefe do PCC condenado a quase 126 anos que fugiu após deixar presídio e voltou a ser alvo da polícia
16/10/2026
(Foto: Reprodução) Chefe do PCC que foi preso após ser solto por desembargador é alvo de operação
Gerson Palermo, apontado como um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), voltou a ser alvo de uma investigação sobre tráfico internacional de drogas em Mato Grosso do Sul. Preso na Bolívia em maio deste ano, após seis anos foragido, ele teve um novo mandado de prisão cumprido na quinta-feira (15), durante a Operação Capolinea, que investiga um esquema de transporte de entorpecentes escondidos em caminhões carregados com minério de ferro.
A operação é mais um capítulo da trajetória criminal de Palermo, que reúne condenações por tráfico de drogas e pelo sequestro de um avião comercial em 2000. Ao todo, as penas impostas a ele chegam a quase 126 anos de prisão.
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O traficante ficou foragido desde abril de 2020, quando deixou a Penitenciária Federal de Campo Grande após conseguir o benefício da prisão domiciliar por decisão do então desembargador Divoncir Schreiner Maran. Pouco depois de sair da unidade, rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu.
A decisão que permitiu a saída de Palermo foi posteriormente anulada. Em fevereiro de 2026, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou a aposentadoria compulsória do magistrado, após concluir que ele concedeu a prisão domiciliar sem comprovação médica da condição de saúde alegada.
Sequestro de avião terminou com roubo de R$ 5,5 milhões
Um dos episódios mais conhecidos da trajetória de Palermo ocorreu em agosto de 2000, quando ele participou do sequestro de um Boeing 727 da antiga companhia aérea Vasp.
O avião havia decolado do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, no Paraná, com destino a Curitiba. Cerca de 20 minutos depois, foi tomado pelo grupo criminoso e obrigado a pousar em Porecatu, também no Paraná.
No local, os criminosos roubaram nove malotes do Banco do Brasil que transportavam aproximadamente R$ 5,5 milhões.
Pela participação no crime, Palermo foi condenado a 66 anos e nove meses de prisão.
Condenação por tráfico internacional de drogas
Chefe do PCC condenado a 126 anos voltou à mira da polícia em MS
Reprodução/ Itamar Silva, TV Morena
Anos depois, o nome de Palermo apareceu em outra investigação de grande alcance. Em março de 2017, a Polícia Federal deflagrou a Operação All In para desarticular uma organização suspeita de transportar cocaína da Bolívia para o Brasil.
Segundo as investigações, a droga era levada em aviões até Corumbá, na região de fronteira de Mato Grosso do Sul. Depois, seguia em caminhões para outros estados brasileiros.
O grupo utilizava aeronaves, caminhões e veículos registrados em nome de terceiros para movimentar os entorpecentes e dificultar a identificação dos responsáveis.
A operação ocorreu em seis estados e resultou na apreensão de 810 quilos de cocaína. Palermo foi condenado a outros 59 anos de prisão por tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Somadas, as duas condenações chegam a 125 anos e nove meses de prisão.
Como Palermo deixou o presídio federal e fugiu para a Bolívia
Em abril de 2020, mesmo condenado a mais de um século de prisão, Palermo deixou a Penitenciária Federal de Campo Grande após uma decisão do então desembargador Divoncir Schreiner Maran, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.
O magistrado concedeu prisão domiciliar sob a justificativa de que o traficante enfrentava problemas de saúde. Segundo o CNJ, porém, não havia laudo médico que comprovasse a condição alegada.
Após deixar o presídio, Palermo rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu. Ele permaneceu foragido por cerca de seis anos e chegou a integrar a lista dos criminosos mais procurados do Sistema Único de Segurança Pública.
A decisão que autorizou a prisão domiciliar foi questionada e anulada por instâncias superiores. O caso também levou à abertura de um processo administrativo no CNJ, que terminou com a aposentadoria compulsória do desembargador.
Prisão na Bolívia e retorno a Mato Grosso do Sul
Palermo foi localizado e preso na Bolívia em maio de 2026. Após ser expulso do país, foi entregue às autoridades brasileiras e levado para Campo Grande.
Inicialmente, ele ficou na Superintendência da Polícia Federal na capital sul-mato-grossense. Em 28 de maio, após passar por audiência de custódia, foi encaminhado novamente à Penitenciária Federal de Campo Grande.
A transferência para a unidade prisional ocorreu depois de autorização da Justiça Federal.
Novo mandado de prisão na Operação Capolinea
Em 15 de outubro, Palermo voltou a ser alvo de uma investigação sobre tráfico internacional de drogas. Um novo mandado de prisão foi cumprido contra ele durante a Operação Capolinea, coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso do Sul (FICCO/MS).
A investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de trazer drogas da Bolívia para o Brasil e distribuí-las em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais.
Segundo a FICCO/MS, o grupo teria negociado cerca de 24 toneladas de drogas durante o período investigado. Para transportar os entorpecentes, os criminosos escondiam as cargas em caminhões de minério de ferro que circulavam pela região de Corumbá. Também foram identificadas drogas ocultadas em pneus, tanques de combustível e carregamentos de grãos.
A investigação aponta que funcionários de mineradoras eram aliciados para facilitar o transporte sem fiscalização. Eles receberiam pagamentos por Pix para permitir o carregamento dos caminhões.
Ao todo, a operação mobilizou cerca de 100 policiais para cumprir 14 mandados de prisão preventiva, sete de prisão temporária e 20 de busca e apreensão em quatro estados. A Justiça também determinou o bloqueio e o sequestro de R$ 24 milhões em bens dos investigados.
Palermo não é o único nome de destaque entre os alvos. A operação também atingiu Aguinaldo Chaleira, apontado como traficante, e um vigilante que trabalhava na Delegacia da Polícia Federal em Corumbá. Segundo os investigadores, o funcionário repassava informações sobre a rotina policial e apreensões ao grupo criminoso.
O g1 tentou contato com a defesa de Palermo, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. As defesas dos outros investigados também não foram localizadas.
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