'Ninguém pode ser investigado a vida toda', diz Messias ao ser questionado sobre inquérito das fake news
O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou nesta quarta-feira (29) que "ninguém pode ser investigado a vida toda". Ele deu a declaração após ser questionado, durante sabatina no Senado, sobre o inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF), aberto em 2019, que trata das fake news.
🔎O Inquérito 4.781 é uma investigação conduzida pelo STF focada na disseminação de notícias falsas, ameaças e ofensas contra os ministros da Corte e seus familiares.
"Eu não posso desconhecer o princípio da duração razoável do processo. Ninguém pode ser investigado a vida toda. Não é só no inquérito da fake news, é em qualquer inquérito. Um inquérito penal tem que ter começo, meio e fim e prazo razoável. Ninguém pode ser investigado a vida inteira. O processo penal não é ato de vingança. O processo penal é ato de justiça", afirmou Messias.
O ministro Alexandre de Moraes é o responsável pela condução do caso no Supremo desde o início. O inquérito foi aberto pelo ministro Dias Toffoli com base em um dispositivo do Regimento Interno do STF, que permite à Corte instaurar investigação própria. Em 2020, o plenário do Supremo validou a legalidade da investigação por 10 votos a 1.
Em dezembro de 2024, o ministro Alexandre de Moraes prorrogou a investigação por mais 180 dias para aprofundar as apurações.
Em fevereiro de 2026, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) enviou um ofício ao STF solicitando o encerramento do inquérito. A entidade argumenta que as investigações tramitam há quase sete anos e não podem ter "natureza perpétua" nem expansão indefinida do seu objeto.
O atual Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, manifestou apoio à continuidade das investigações, vendo o inquérito como um instrumento legítimo.
Recentemente, o ministro Gilmar Mendes pediu ao ministro Alexandre de Moraes a inclusão de Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, no inquérito. O pedido foi motivado pela publicação de um vídeo nas redes sociais de Zema no qual ministros do STF, incluindo Gilmar Mendes e Dias Toffoli, são retratados como fantoches.
No vídeo, as representações fictícias fazem diálogos satíricos sobre anulações de decisões judiciais e mencionam o "caso Master" e indícios de lavagem de dinheiro, o que Gilmar Mendes considerou uma ofensa à sua honra e à imagem da Corte.
O ministro ingressou com uma notícia-crime argumentando que o conteúdo "vilipendia" a higidez do Supremo.
O relator do inquérito, Alexandre de Moraes, encaminhou o pedido de Gilmar para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), procedimento padrão antes de decidir pela inclusão ou não do investigado.
O ex-governador Zema afirmou em entrevista que não foi notificado oficialmente e classificou o vídeo como uma sátira e caricatura, criticando o que chamou de tentativa de "calar críticas".
Após o pedido de Gilmar Mendes, Zema voltou a publicar vídeos ironizando a situação, utilizando inteligência artificial para simular os ministros discutindo sua própria inclusão na investigação.FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/29/ninguem-pode-ser-investigado-a-vida-toda-diz-messias-ao-ser-questionado-sobre-inquerito-das-fake-news.ghtml