Neno, o brasileiro de 80 anos que se tornou a pessoa com síndrome de Down mais longeva do país
24/08/2026
(Foto: Reprodução) Aos 80 anos, Neno é o mais longevo brasileiro com síndrome de Down
Aos 80 anos, João César Machiori, conhecido pela família e pelos amigos como Neno, foi identificado como a pessoa com síndrome de Down mais longeva do Brasil.
Morador de São Manuel, no interior de São Paulo, ele é o caçula de três irmãos e vive com uma das irmãs. Ao longo da vida, esteve sempre cercado de cuidado e proteção.
"Ele é o rei da casa, em todos os sentidos. Ele sempre em primeiro lugar. É o bem-estar dele, depois o nosso."
A cuidadora Marilsa resume a relação que construiu com ele: "É como se fosse um filho, eu tenho ele como um filho."
Segundo a família, a realidade das pessoas com síndrome de Down era muito diferente quando Neno nasceu. "Hoje a gente vê pessoas com síndrome de Down fazendo filme, fazendo faculdade, namorando, casando... E na época dele, infelizmente, ele não teve esse estímulo de fazer tudo isso".
Neno nunca frequentou a escola e não aprendeu a ler ou escrever. Ainda assim, mantém um espaço da casa que chama de escritório. Ali, guarda livros, revistas, coleções e objetos antigos. Tudo organizado do seu jeito.
Uma vida cercada de afeto e rotina
Neno, o brasileiro de 80 anos que se tornou a pessoa com síndrome de Down mais longeva do país.
Reprodução/TV Globo
Outra paixão são as festas de aniversário. Segundo os familiares, ele adora cantar parabéns, comer salgadinhos e celebrar. E foi assim, de comemoração em comemoração, que chegou aos 80 anos.
O aniversário trouxe também um reconhecimento especial. Neno foi identificado como a pessoa com síndrome de Down mais longeva do Brasil.
A marca ganha ainda mais relevância quando comparada às estatísticas de outras épocas. Quando ele nasceu, em 1946, a expectativa de vida de uma pessoa com síndrome de Down era de cerca de 12 anos.
Na década de 1980, passou para 25 anos. Na virada do século, ficou em torno de 40 a 45 anos. Hoje, está entre 60 e 65 anos.
O médico Orestes Vicente Forlenza, chefe do Departamento de Psiquiatria da USP, explica que o aumento da longevidade está relacionado ao controle e à correção de doenças congênitas que antes levavam muitas dessas pessoas à morte.
"80 é raro. É um extremo de idade [para alguém com síndrome de Down]. É como chegar aos 100 anos ou mais", diz o especialista.
No caso de Neno, a família acredita que a explicação passa também pelo estilo de vida. Ele gosta de passear, acompanha os parentes em saídas, adora dançar e se mantém ativo.
Existe ainda uma rotina bem definida: o cochilo depois do almoço, a caminhada até a padaria, a visita à igreja e, uma vez por semana, os exercícios na academia.
"Conversa, sempre dá a mão, ele sempre cumprimenta a gente, ele é muito simpático", conta uma frequentadora da cidade. Na academia, o fisioterapeuta destaca o gosto de Neno pelo contato com as pessoas e pela atividade física.
"Ele é muito humano, gosta muito de contato, de abraço."
Depois de sofrer um AVC, a comunicação ficou mais difícil. A fala perdeu força, mas a convivência fez surgir outras formas de entendimento. "Existe outro tipo de comunicação. Às vezes o olhar eu sei como ele tá, o que ele quer."
Quem convive com Neno concorda que a característica mais marcante continua a mesma: a alegria.
E, aos 80 anos, Neno mostra que continua cercado por afeto, cheio de energia e deixando uma marca rara na história da síndrome de Down no Brasil.
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