Mulher trans que processou UFG após ser chamada pelo nome de registro em formatura voltou à universidade para o mestrado: 'Me formei mestra no mesmo prédio'
11/08/2026
(Foto: Reprodução) UFG é condenada após anunciar mulher trans pelo nome de registro ao invés do nome social
A atriz e professora Mar Dias Rosa, de 27 anos, processou a Universidade Federal de Goiás (UFG) após ser chamada pelo nome de registro em uma cerimônia de formatura. Em entrevista ao g1, Mar, que é uma mulher trans, disse que, embora não tenha se sentido parte da universidade por algum tempo após o episódio, voltou à instituição como a primeira travesti a ingressar no mestrado em Artes da Cena, em 2023.
"Me formei mestra no mesmo prédio, na mesma universidade, porque, apesar dos pesares, essa universidade também é minha e eu posso estar nela", completou.
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O caso aconteceu em 2022, durante uma cerimônia pública de colação de grau, apesar de o nome social estar corretamente registrado nos sistemas acadêmicos da universidade. A UFG foi condenada pela Justiça Federal a pagar R$ 4 mil por danos morais. Ao g1, Mar disse que, durante a rotina do curso, já era identificada pelo nome social e que o episódio "acabou" com um momento que seria especial.
Em nota ao g1, a UFG lamentou o ocorrido e reafirmou como prioridade o respeito a cada pessoa e a todos os seus direitos. A instituição destacou que, na cerimônia de formatura, ao identificar o erro, dois minutos após o chamamento incorreto, a equipe imediatamente pediu desculpas e a aluna foi novamente convidada ao palco com o nome social (leia a nota completa abaixo).
UFG é condenada após anunciar mulher trans pelo nome de registro ao invés do nome social em colação de grau
Arquivo/Ruth Bennett
Justiça reconhece falha da universidade
A sentença saiu em março de 2026, mas o pagamento da indenização foi feito em agosto, de acordo com Mar. No documento da condenação, o Juizado Especial Cível e Criminal Adjunto à 2ª Vara Federal da SSJ de Anápolis reconheceu que foram apresentadas provas suficientes de que o nome social da estudante era usado em registros institucionais desde 2021.
No documento, o Juizado considerou que a conduta da UFG configurou falha administrativa e violação ao direito de reconhecimento da identidade de gênero e à integridade psíquica.
A sentença, porém, reconheceu como atenuantes o fato de a universidade ter corrigido o erro durante a própria cerimônia, chamado novamente Mar pelo nome social e entregue o diploma em igualdade de condições com os demais formandos. Também considerou que a UFG reconheceu a falha e tentou adotar uma postura conciliatória.