MP envia à Justiça Militar informações sobre 3 coronéis da PM de SP citados em ação contra operadores do PCC
15/09/2026
(Foto: Reprodução) Policiais Militares de alta patente de SP são citados em operação contra operadores do PCC
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) enviou à Justiça Militar informações sobre eventuais crimes cometidos por três coronéis da Polícia Militar (PM) para subsidiar uma possível abertura de inquérito contra eles. A informação foi confirmada nesta terça-feira (15) pela TV Globo.
Os nomes dos oficiais José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral da PM de São Paulo, Luiz Carlos Pereira Martins e um terceiro identificado apenas como “Patrício" foram citados em áudios e planilhas financeiras de operadores do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP investigava a atuação de membros da facção criminosa quando descobriu a proximidade dos alvos com coronéis da PM de São Paulo.
A Promotoria ainda não informou quais seriam as infrações que os oficiais teriam cometido, mas compartilhou o que apurou com o Tribunal de Justiça Militar (TJM). Caso haja entendimento de que os militares cometeram alguma irregularidade, eles poderão ser investigados.
Quem são os oficiais
O coronel da PM José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral da Polícia Militar do Estado de SP.
Divulgação/GESP/Secom
Entre os oficiais citados nas gravações e nos documentos anexados à investigação, destacam-se:
o coronel PM José Augusto Coutinho, identificado como o comandante da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e do Comando de Policiamento de Choque (CPChoque) durante o período analisado;
o coronel PM Luiz Carlos Pereira Martins, apontado nos autos como diretor de ensino da corporação, com registros de tratativas diretas e aberturas de canais particulares solicitadas por um investigado em setembro de 2023;
e o coronel "Patrício", nome que figura de forma recorrente em planilhas de controle financeiro do grupo voltadas ao gerenciamento de despesas e vantagens indevidas.
A equipe de reportagem tenta contato com as defesas dos coronéis citados acima.
Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.
Divulgação/MP-SP
José Augusto Coutinho já havia sido citado em outras investigações. Em abril, a equipe de reportagem revelou que o então ex-chefe da PM era mencionado em uma apuração sobre a atuação de policiais na segurança da Transwolff, empresa de ônibus investigada por ligações com o PCC.
Luiz Carlos Pereira Martins mantinha um grupo de WhatsApp, intitulado "Aniversário general", com Cléber Azevedo dos Santos, um dos presos na operação. O MP não conseguiu indentificar quem seria "Patrício".
Os três oficiais não estão entre as 19 pessoas denunciadas nesta semana pelo MP por crimes como organização criminosa e lavagem de dinheiro na investigação.
O documento também cita uma investigação separada sobre corrupção de policiais civis.
Segundo o MP, o denunciado Marlon Antonio Fontana teria intermediado e operacionalizado pagamentos de vantagens indevidas a agentes da Polícia Civil. As circunstâncias são apuradas em outro procedimento, relacionado à Operação Bazaar.