Motorista que atropelou e matou 3 no AC não foi denunciado à Justiça após um ano: 'Segue a vida normalmente'

  • 17/04/2026
(Foto: Reprodução)
Carpegiane Lopes, Macio da Silva e Fábio Farias foram vítimas de acidente na Via Verde em abril de 2025 Foto cedida Um ano após o acidente que vitimou os trabalhadores Macio Pinheiro da Silva, Carpegiane de Freitas Lopes e Fábio Farias de Lima e deixou Rayane Xavier de Lima ferida na Via Verde, em Rio Branco, o motorista do veículo, Talysson Duarte, não foi denunciado à Justiça pelos crimes. Nesta sexta-feira (17) completa um ano da batida e o g1 conversou com a família de Fábio e com Rayane Xavier, única sobrevivente do acidente. Em setembro de 2025, a Polícia Civil concluiu o inquérito, indiciou Talysson por homicídio culposo e encaminhou o caso para o Ministério Público Estadual (MP-AC) para que o órgão oferecesse denúncia. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Contudo, seis meses após o indiciamento, ainda não foi oferecida denúncia à Justiça contra Talysson. Ao g1, o MP-AC informou que atualmente o processo encontra-se sob análise na Central de Acordos de Não Persecução Penal (CTANPP), unidade que estabelece uma política criminal e busca respostas alternativas e mais céleres para casos penais de baixa e média gravidade. Já a defesa do motorista afirmou, em nota, que 'os fatos relacionados ao caso estão sendo devidamente apurados pelas autoridades competentes, dentro do devido processo legal'. (Leia a nota completa no final da reportagem) Familiares de vítimas de acidente na Via Verde cobram celeridade nas investigações LEIA MAIS: Motorista que atropelou e matou 3 no AC é condenado a indenizar sobrevivente; 'Não paga o que vivi', diz vítima Sobrevivente de acidente que matou dois no AC critica falta de assistência do motorista: 'Quero que arque com as consequências' PRF nega favorecimento a condutor de caminhonete liberado após acidente no AC A falta de resposta e andamento do caso, inclusive, é o que mais incomoda a família das vítimas. A viúva de Fábio, Deisis Furtado, relatou que a falta de informações tem prolongado o sofrimento das famílias que precisam lidar com a situação. “A gente não sabe como está o caso, nem em qual instância está. Parece que tudo parou. O motorista segue a vida dele normalmente depois de tudo'', criticou. Deisis afirmou que o luto segue presente no dia a dia e que datas como esta tornam a ausência do marido ainda mais difícil de lidar. “Tem dias que a saudade bate mais forte. Hoje faz um ano desde o nosso último café da manhã juntos e desde a última vez que ele saiu com a nossa filha. A dor continua todos os dias”, lamentou. Fábio Farias de Lima, que morreu no acidente em Rio Branco, e sua esposa, Deisis Furtado Arquivo pessoal / Cedida A viúva também destaca o esforço diário para manter viva a memória do marido para a filha do casal, de 4 anos. "Falamos dele para ela todos os dias. Ela sente muita falta, mas entende que ele não volta mais. A gente vai levando como dá'', contou. Para ela, o caso ainda depende de uma resposta efetiva das autoridades para ser encerrado. “Falta empatia para julgar e dar um desfecho. Foram três vidas ceifadas”, afirmou. Talysson Duarte atropelou e matou três pessoas e feriu mulher em Rio Branco Reprodução 'Difícil lidar com tudo isso' Rayane Xavier também foi atingida pela caminhonete de Talysson, foi socorrida e sobreviveu. Ela destacou que ainda enfrenta dores físicas e os impactos emocionais deixados pela tragédia. Segundo ela, a rotina da família mudou completamente, principalmente por causa dos filhos, Erick Kauã, de 13 anos, e Maria Luiza, de 9. “Afetou toda a estrutura da minha família. Meus filhos ficaram com muito medo, eu quase não saía de casa porque eles tinham receio de eu não voltar. Minha filha precisou fazer terapia por causa das crises de ansiedade, ela se assustava quando via algum veículo parecido”, conta. A vítima entrou na Justiça e processou o motorista por danos morais e materiais. No âmbito cível, o motorista chegou a ser condenado a indenizar a sobrevivente e o 3º Juizado Especial Cível, foi determinou o pagamento de R$ 5.309,36 por danos materiais e R$ 25 mil por danos morais. Apesar da decisão, Rayane afirma que ainda não recebeu nenhum valor da indenização e aguarda retorno sobre o caso. Para ela, a indenização não representa uma reparação completa diante do que foi vivido. “Até hoje aguardo um retorno sobre essa indenização e sigo sem nada. Eu só consegui me manter até aqui com ajuda da minha família. A gente vai tentando seguir, mas ainda é difícil lidar com tudo isso. Não tem um desfecho das investigações. No dia o motorista não foi levado para a delegacia e sem prestar esclarecimentos. Isso revolta, porque poderia ter sido diferente”, completa. Sobre a indenização, o advogado Emerson Costa disse que ambos os procedimentos estão em andamento e serão definidos pelo Judiciário. "A defesa sustenta que o ocorrido decorreu de circunstâncias da via, especialmente em razão de frenagem na pista, tese que está sendo devidamente apresentada no processo", argumentou. Raiane Xavier, sobrevivente do acidente, ao lado do filho Erick Kauã, de 13 anos, e de Maria Luiza, de 9 Arquivo pessoal / Cedida Liberação incorreta Na época do acidente, a Polícia Rodoviária Federal (PRF-AC) liberou Talysson Duarte do local do acidente sob a alegação de que havia risco à integridade dele por conta da revolta dos colegas de profissão das vítimas. A decisão causou revolta nas redes sociais e críticas à polícia. A PRF-AC chegou a negar favorecimento ao condutor liberado e afirmou que o motorista fez o teste do bafômetro, que deu negativo, e apresentou a documentação necessária. A corporação contestou ainda a alegação de que o suspeito foi protegido por supostamente ser integrante de forças de segurança. Talysson prestou depoimento sobre o acidente quase um mês depois. A namorada dele, Kaline Santana Matos, de 24 anos, estava na caminhonete no momento da batida e também prestou depoimento. Segundo a defesa de Talysson, a jovem confirmou que o namorado perdeu o controle do veículo e bateu nas motocicletas. Em setembro, o delegado Karlesso Néspoli, responsável pelo caso, voltou a confirmar que a decisão de liberar Talysson não foi correta. "O rapaz deveria ter sido conduzido, o delegado que estivesse no plantão deveria ter feito as oitivas e acompanhado o caso. Porém, essa questão da saída dele não prejudicou a investigação e os dados que obtivemos. O delegado plantonista ia ouvir ele e liberar. Ele ia ser liberado de qualquer jeito", confirmou. Nota da defesa do motorista A defesa do sr. Talysson recebe com respeito as manifestações dos familiares e da sobrevivente, reconhecendo a dor envolvida em um episódio tão sensível. No entanto, é importante esclarecer que os fatos relacionados ao caso estão sendo devidamente apurados pelas autoridades competentes, dentro do devido processo legal, razão pela qual eventuais conclusões devem ocorrer no âmbito judicial, com base nas provas produzidas. A defesa reforça que não houve qualquer intenção de se furtar às responsabilidades legais eventualmente reconhecidas, e que todas as medidas cabíveis vêm sendo tratadas nos canais apropriados. Por respeito às vítimas, às famílias envolvidas e ao andamento do processo, a defesa se resguarda no direito de não antecipar discussões que são próprias do Judiciário. Permanecemos à disposição. VÍDEOS: g1

FONTE: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2026/04/17/motorista-que-atropelou-e-matou-3-no-ac-nao-foi-denunciado-a-justica-apos-um-ano-segue-a-vida-normalmente.ghtml


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