Motorista preso por acidente que matou mulher em Uberlândia tem soltura autorizada, mas não pode dirigir e ir a bares
28/04/2026
(Foto: Reprodução) Vídeo mostra carro desgovernado provocando acidente com moto na Rondon Pacheco
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) revogou a prisão preventiva de Wendel de Souza Julião, de 23 anos, investigado por provocar o acidente que matou Ruth Jesuíno da Silva, de 57, na avenida Rondon Pacheco, em Uberlândia. A decisão foi publicada na segunda-feira (27) pelo desembargador Maurício Pinto Ferreira.
Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o carro perde o controle, roda na pista e atinge a motocicleta em que estavam Ruth e o filho, de 33 anos. Assista ao vídeo acima.
Apesar da soltura, o motorista continuará submetido a medidas cautelares rígidas, como a proibição de dirigir e de frequentar bares, boates, festas e eventos sociais durante todo o andamento do processo.
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O motorista segue detido no Presídio Professor Jacy de Assis enquanto aguarda a notificação da comarca de Uberlândia sobre a decisão de segunda instância e o cumprimento do alvará de soltura.
O advogado de defesa Júlio Antônio Moreira esclareceu ao g1 que o cliente ainda passará por uma nova audiência de custódia para só depois ser liberado do sistema prisional.
Por que o motorista foi solto?
A decisão judicial foi tomada após a defesa de Wendel entrar com um pedido de habeas corpus. Nos autos, os advogados afirmaram que, após a prisão em flagrante, a liberdade provisória chegou a ser concedida, mas foi revogada no dia seguinte, o que teria ocorrido, segundo eles, por pressão midiática e social.
A defesa alegou ainda que, inicialmente, o Ministério Público não se manifestou favoravelmente à prisão preventiva, o que tornaria contraditória a decisão posterior que manteve o motorista preso.
Segundo o pedido, não houve mudança nos fatos que justificasse a prisão preventiva, contrariando entendimento já firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Com isso, a defesa solicitou a revogação da prisão e a concessão da liberdade.
A defesa de Wendel lamentou a morte da vítima e afirmou que o motorista não saiu de casa com a intenção de causar o acidente. Os advogados disseram que há um pré‑julgamento do caso, com o que classificam como “linchamento moral”, antes da conclusão das perícias.
Alegou ainda que o cliente não teve a oportunidade de apresentar sua versão formal dos fatos, o que, para a defesa, deve ocorrer ao longo do devido processo legal.
Na decisão, o relator destacou que a prisão preventiva é uma medida excepcional e que não ficou demonstrado um risco concreto à ordem pública ou ao andamento do processo.
Embora tenha reconhecido a gravidade do crime, por se tratar de um acidente com vítima fatal, o desembargador ressaltou que a gravidade isolada não justificava a prisão preventiva.
O magistrado também considerou as condições pessoais favoráveis do investigado. Segundo a decisão, Wendel é primário, tem bons antecedentes, residência fixa e ocupação lícita, o que afastaria, neste momento, a necessidade de mantê-lo preso.
“Levando-se em consideração as peculiaridades do caso concreto, sobretudo as condições pessoais favoráveis ostentadas pelo paciente, entendo que a prisão preventiva se mostra exagerada e desproporcional, não havendo elementos objetivos nos autos que permitam concluir que ele, uma vez em liberdade, colocará em risco a ordem pública ou a econômica, causará algum empecilho à instrução criminal, tampouco frustrará a aplicação da lei penal”, justificou o magistrado.
Quais medidas cautelares foram impostas?
Em substituição à prisão preventiva, o desembargador Maurício Pinto determinou a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, consideradas suficientes para o caso. Wendel deverá cumprir:
Comparecimento periódico em juízo para informar e justificar suas atividades;
Proibição de frequentar bares, boates, restaurantes, festas, confraternizações e eventos sociais semelhantes;
Proibição de se ausentar da comarca onde reside, do Estado de Minas Gerais ou do país, sem autorização judicial;
Proibição de conduzir qualquer veículo automotor durante toda a instrução processual.
Como foi o acidente?
O acidente ocorreu na noite de 12 de abril, na avenida Rondon Pacheco, próximo ao bairro Cazeca.
Segundo a Polícia Civil, o carro trafegava em alta velocidade e fazia manobras perigosas pela avenida momentos antes do acidente. Em um trecho da via, o motorista perdeu o controle da direção, o veículo rodou na pista e atingiu um carro e uma motocicleta que estavam estacionados.
Ruth estava na garupa da moto. Com o impacto, ela foi arremessada a cerca de três metros de distância. A vítima foi socorrida em estado grave, levada ao Hospital de Clínicas da UFU, mas não resistiu aos ferimentos. O filho dela sofreu fraturas no rosto, passou por cirurgia e recebeu alta no dia seguinte.
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Quem era Ruth Jesuíno?
Ruth Jesuíno da Silva tinha 57 anos, era mãe de três filhos e avó de cinco netos. Segundo familiares, era muito ligada à família e participava ativamente da criação dos netos, quatro deles morando recentemente com ela.
Parentes a descrevem como uma mulher sempre disposta a ajudar, conhecida pelo bom humor e pela força com que enfrentava as dificuldades do dia a dia.
Ruth Jesuíno da Silva estava na garupa de moto quando foi atingida por carro desgovernado em Uberlândia
Arquivo pessoal/Reprodução
Quem é o motorista envolvido no acidente?
O motorista é um jovem de 23 anos, identificado como Wendel de Souza Julião. Ele conduzia o carro que perdeu o controle e provocou o acidente. Uma passageira que estava com ele fugiu do local antes da chegada da polícia.
Wendel foi contido por testemunhas até a chegada da Polícia Militar e preso em flagrante ainda na noite de domingo (12).
Segundo a Polícia Militar, o motorista apresentava sinais claros de embriaguez, como fala alterada e dificuldade de equilíbrio. Ele se recusou a fazer o teste do bafômetro.
Um vídeo gravado por uma testemunha mostra o jovem admitindo ter ingerido bebida alcoólica. Nas imagens, ele repete: “Eu bebi, eu bebi, eu errei”. Veja abaixo.
A Polícia Civil informou que o motorista deve ser indiciado por homicídio doloso, quando há entendimento de que o condutor assume o risco de provocar a morte.
Inicialmente, foi concedido prazo adicional de 15 dias para a conclusão das investigações. Segundo a corporação, o inquérito aguarda as conclusões dos laudos periciais, que ainda estão em análise e são considerados fundamentais para o encerramento do caso.
‘Eu bebi, eu bebi’: motorista que matou mulher em acidente de trânsito confessa embriaguez
Motorista confessa que bebeu antes de acidente fatal em Uberlândia
Redes sociais/Reprodução
Passageira que estava na garupa da moto do filho morreu ao ser atingida pelo carro na avenida Rondon Pacheco, em Uberlândia
Corpo de Bombeiros/Divulgação
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