Moradores acusam Codesaima de descumprir decisão judicial em área em disputa em Boa Vista
10/03/2026
(Foto: Reprodução) Justiça concede liminar favorável a moradores sobre terreno disputado com Codesaima
Moradores de uma área em disputa no bairro Jóquei Clube, na zona Oeste de Boa Vista, denunciam que a Companhia de Desenvolvimento de Roraima (Codesaima) descumpriu uma decisão liminar da Justiça que garante a permanência deles no terreno enquanto o caso é analisado.
A Codesaima é uma empresa estatal do governo de Roraima, com atuação nas áreas de habitação e na mineração.
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Segundo moradores, representantes da companhia foram ao local acompanhados de policiais nesta terça-feira (10) e tentaram intimidar um dos ocupantes, afirmando que não poderia construir na área.
O g1 procurou a Codesaima sobre o assunto, mas não recebeu resposta até a última atualização da reportagem.
A decisão liminar que garante a permanência dos moradores foi assinada em 5 de março de 2026 pela desembargadora relatora Tânia Vasconcelos, da Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR). A disputa começou em 2025.
No documento, a magistrada suspende os efeitos da ordem de reintegração de posse que havia sido concedida à Codesaima em 2025 e determina a manutenção dos moradores na área. A decisão também autoriza construção no local.
Segundo o empresário Álvaro Alves, de 32 anos, proprietário de parte do terreno, a área passou por um processo de desmembramento para venda de lotes. Ele conta que cerca de 15 moradores são proprietários de partes do local.
"Se existe uma decisão liminar, eles deveriam acatar. Um morador estava construindo e eles foram lá com a polícia e pediram para parar, agindo de má fé, pediu para o rapaz parar".
Moradores acusam Codesaima de descumprir decisão judicial em área em disputa em Boa Vista (RR).
Arquivo pessoal
Disputa judicial
Na Justiça, a Codesaima afirma ser a legítima possuidora da área, que é remanescente de um Conjunto Habitacional na divisa entre o Jóquei Clube e o bairro Cambará. Segundo a empresa, o terreno foi adquirido em maio de 1990 da Empresa Geral de Obras S/A (Ego).
A companhia também sustenta que manteve a posse das áreas não construídas ao longo dos anos por meio de fiscalizações, mas identificou a ocupação do terreno em junho de 2025.
Segundo ela, os ocupantes haviam construído muros e instalado estruturas metálicas para consolidar a permanência no local.
O empresário, no entanto, contesta a versão. Ele afirma que o terreno não foi invadido, mas comprado da empresa de obras em 2024.
"Eu tenho essa área comprada desde dezembro de 2024 e estou desde novembro de 2025. Existem várias outras pessoas que compraram esse lote, tudo com compra e venda, tudo certinho", afirmou Álvaro.
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