Mercado de aluguéis de curta temporada é impulsionado pelo carnaval; modalidade divide opiniões
18/02/2026
(Foto: Reprodução) Aluguéis de curta temporada voltam ao centro de debate no carnaval
Aluguéis de curta temporada são motivo de preocupação nos condomínios do país. Com a chegada do carnaval, o tema voltou a ser discutido entre moradores e administradores.
A modalidade é uma fonte de renda importante para muitas pessoas e divide opiniões.
No Rio de Janeiro, a regulamentação desse tipo de aluguel está em discussão desde 2025 na Câmara dos Vereadores.
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Luciana Santiago de Paula, síndica profissional e responsável por administrar diversos condomínios do Rio, disse que enfrenta dor de cabeça com a situação. A lista de reclamações sobre os hóspedes temporários é grande.
"[Os hóspedes] Acabam que não têm uma preocupação com a segurança do condomínio. Então, por algumas vezes, deixam portas abertas. Há uma sobrecarga por algumas vezes nos elevadores, visitas inesperadas, excesso de hóspedes."
Uma das maiores dificuldades é encontrar um consenso entre os moradores: "É difícil, mas com reuniões, frequências da assembleias a gente consegue chegar."
"O ponto de equilíbrio é a gente entender que cada condomínio tem um perfil diferente e para cada condomínio é em assembleia que deve ser discutido o tema ou para proibir ou para limitar ou para regulamentar a própria locação", explica Luciana.
O projeto de lei pode limitar a locação por aplicativos. O texto propõe algumas obrigações ao proprietário.
Luciana é síndica profissional e administra vários imóveis no Rio
Reprodução/TV Globo
O texto prevê:
Ter inscrição válida como prestador de serviço turístico no cadastro do Ministério do Turismo;
Ter inscrição na prefeitura;
Apresentar a convenção do condomínio, autorizando expressamente a hospedagem, ocupação ou locação de curta temporada.
Uma das principais plataformas de aluguéis por curto prazo no mundo diz que, em 2024, gerou mais de R$ 55 bilhões ao PIB brasileiro, a soma de todos os bens e serviços produzidos pelo país.
E que, só na cidade do Rio, 30% dos anfitriões são aposentados.
"Isso é um ponto de complementação de renda, de desenvolvimento da atividade turística. Isso aí hoje em dia se torna uma renda muito importante. Você vê que apartamentos e prédios deteriorados têm melhorado", explica Márcio Milech, diretor jurídico da Associação Brasileira de Locadores por Temporada.
"Então, a locação por temporada hoje é um pilar que não tem como não se pensar na atividade de turismo sem a locação por temporada", acrescentou.
As cidades de Nova York e Barcelona decidiram banir a contratação de alguéis curtos por aplicativo. Por um lado, os turistas movimentam a economia local. Por outro, o boom dos aluguéis de temporada leva a um aumento do preço do aluguel por períodos prolongados.
"Você gera uma alta naquelas localizações. Com isso, você pressiona a população que não tem renda para continuar naquele local e de uma certa forma essa é a dinâmica da cidade. A partir desse feito, você tem que criar estruturas e regulamentar qualquer tipo de edificação de curta temporada. Para que? Porque a gente precisa ter segurança. Não pode abrir mão disso", diz o urbanista Álvaro Albernaz.
Aluguéis de curta temporada voltam ao centro de debate no carnaval
Reprodução/TV Globo
O que diz o Airbnb
Para o Airbnb, a principal plataforma de aluguéis por curto prazo, o aluguel por temporada é regulado pela lei do inquilinato e proibir esse tipo de locação viola o direito de propriedade de quem aluga seu imóvel.
A plataforma disse ainda vem colaborando com o debate regulatório na cidade do Rio de Janeiro. Leia abaixo a nota na íntegra:
"O aluguel por temporada é regulado pela Lei do Inquilinato (Lei Federal nº 8.245/1991). Proibir essa locação viola o direito de propriedade de quem aluga seu imóvel. A plataforma tem um histórico de trabalho com governos no Brasil e no mundo e vem colaborando com o debate regulatório na cidade do Rio de Janeiro, para demonstrar a importância da atividade na absorção da demanda turística e na geração de renda extra para anfitriões.
A plataforma está comprometida a apoiar o crescimento econômico no Brasil e defende um modelo que gera renda extra para milhares de famílias e movimenta a economia do turismo. De acordo com um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), a plataforma movimentou R$ 99,8 bilhões no Brasil em um ano, sustentando 627,6 mil empregos e gerando R$ 8 bilhões em tributos diretos, adicionando R$55,8 bilhões ao PIB do país em 2024. Na cidade do Rio de Janeiro, a atividade movimentou R$9,9 bilhões na economia, sustentando 61,6 mil empregos e adicionando R$ 5,6 bilhões ao PIB local".