Medidas para melhorar supervisão e regras do FGC estão sendo estudadas após caso Master, diz Galípolo
11/02/2026
(Foto: Reprodução) O presidente do Banco Central do Brasil (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (11) que uma série de medidas estão sendo estudadas para aprimorar a supervisão do mercado e as regras do Fundo Garantidos de Créditos (FGC) após o caso do Banco Master.
Entre as medidas, disse o banqueiro central, está o quanto uma instituição poderá aumentar seus investimentos usando dinheiro de terceiros, e uma definição melhor dos limites que obrigam essa instituição a guardar parte dos recursos ou comprar ativos mais seguros — como títulos públicos, por exemplo — como forma de proteção.
Galípolo ainda cita uma medida que está em consulta pública e que olha para a qualidade dos ativos, de forma a evitar que instituições que captam dinheiro de pessoas físicas, usem esses recursos de forma incompatível — como, por exemplo, pegando dinheiro que pode ser sacado a qualquer momento e investindo em aplicações de longo prazo.
"Não quero dizer que não pode voltar a acontecer a liquidação de outro banco, mas isso é meio que polícia e ladrão. Você fecha uma porta e eles vão tentar abrir outra", disse Galípolo em evento do BTG Pactual, reiterando a importância do sistema financeiro de adaptar suas regras para evitar novos casos.
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O presidente do BC também reiterou a importância da ajuda do sistema financeiro e da Polícia Federal nos casos de fraude que aconteceram no último ano.
"Tivemos um evento específico, que foi o caso Master, mas também tivemos uma série de ataques que demandaram respostas rápidas e ativas do Banco Central, de entender por onde estava acontecendo aquele problema e de que maneira poderíamos apertas as regras", afirmou.
Galípolo se referiu, nesse caso, ao ataque cibernético que afetou pelo menos seis instituições financeiras quando, em julho do ano passado, a C&M Software — uma empresa de tecnologia que conecta bancos menores e fintechs ao PIX — teve seus sistemas invadidos, gerando prejuízos de centenas de bilhões de dólares.
"Foi essencial contar com a parceria das principais instituições do mercado, para que a gente pudesse fazer uma dosagem correta. Para não atrapalhar quem estava no mercado de maneira regular e conseguir simplesmente fechar as portas de quem estava tentando fazer mau uso", afirmou Galípolo. "Isso é um trabalho contínuo."
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa de entrevista à imprensa em Brasília 27/03/2025
Reuters
*Esta reportagem está em atualização