Mapa da Desigualdade de SP mostra diferença de 16 anos na expectativa de vida entre os distritos da Brasilândia e Consolação
23/06/2026
(Foto: Reprodução) Mapa da Desigualdade retrada a diferença na qualidade de vida na capital
A Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, aparece pelo segundo ano consecutivo como o distrito com pior qualidade de vida da capital, segundo o Mapa da Desigualdade, elaborado pela Rede Nossa São Paulo. O levantamento analisa mais de 50 indicadores relacionados a áreas como saúde, educação, moradia, mobilidade, segurança e meio ambiente nos 96 distritos da cidade.
Os dados revelam um contraste marcante entre diferentes regiões da capital. Enquanto a Consolação, distrito mais bem colocado no ranking, registra expectativa de vida média de 80 anos, na Brasilândia os moradores vivem, em média, até os 64 anos, uma diferença de 16 anos.
No topo do ranking aparecem Consolação, Moema e Alto de Pinheiros, distritos que concentram alguns dos melhores indicadores de qualidade de vida da capital. Na outra ponta estão Cidade Ademar, Vila Medeiros e Brasilândia, que registraram os piores desempenhos entre os 96 distritos avaliados.
O levantamento evidencia uma divisão territorial da cidade: enquanto as primeiras colocadas estão localizadas no centro expandido, as últimas posições se concentram em bairros periféricos.
Com mais de 400 mil habitantes, a Brasilândia enfrenta desafios históricos relacionados ao acesso a serviços públicos. Para o líder comunitário Henrique Deloste, da Associação de Moradores da Brasilândia, a população sofre principalmente com dificuldades na área da saúde.
"A população tem sofrido com a dificuldade para conseguir consultas, exames e vagas na rede pública de saúde. A AMA/UBS Integrada Jardim Ladeira Rosa, por exemplo, precisa de mais atenção do poder público. Também precisamos de mais investimentos em cultura, lazer e transporte", afirma.
Segundo Deloste, uma das principais reivindicações dos moradores é a ampliação da rede de transporte sobre trilhos para melhorar a conexão da região com outras áreas da cidade.
"Há anos solicitamos a expansão do transporte até a região da Avenida Inajar de Souza para beneficiar os trabalhadores que dependem diariamente do transporte público. Precisamos de mais atenção do poder público", diz.
O levantamento também mostra que a mobilidade é um dos principais fatores que aprofundam as desigualdades entre os distritos paulistanos. Em Marsilac, no extremo sul da cidade, moradores gastam, em média, 71 minutos em deslocamentos de transporte público no horário de pico da manhã. Em Pinheiros, esse tempo é de 25 minutos, quase três vezes menor.
Para Jorge Abrahão, coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo e do Instituto Cidades Sustentáveis, os dados mostram que os investimentos públicos precisam ser direcionados prioritariamente para as regiões mais vulneráveis.
"Saúde, educação e habitação são mais precárias nesses territórios. A mobilidade também é mais difícil porque a oferta de transporte é menor e os empregos estão concentrados no centro expandido. Além disso, os indicadores de segurança costumam ser piores nos bairros periféricos", afirma.
Na Brasilândia, por exemplo, um em cada quatro moradores vive em habitações consideradas precárias, segundo o estudo.
"A desigualdade territorial produz uma série de problemas sociais e reduz as oportunidades de parte significativa da população da cidade", completa Abrahão.
Sobre as reclamações relacionadas ao transporte, o Governo de São Paulo informou que a Linha 6-Laranja do Metrô atenderá diretamente a Brasilândia. Segundo o estado, o primeiro trecho da linha, entre São Joaquim e Perdizes, deve ser entregue ainda neste ano, enquanto a estação Brasilândia tem previsão de entrar em operação até o fim do ano.
Já a Prefeitura de São Paulo afirmou que os investimentos municipais consideram as diferentes realidades dos territórios e que todas as regiões da cidade recebem planejamento e recursos. Em relação à saúde, a administração informou que a UPA Jardim Elisa Maria I passou a contar com novas especialidades médicas e que outras unidades foram entregues na região.
Sobre cultura, a prefeitura destacou equipamentos como a Casa de Cultura da Brasilândia, a Biblioteca Afonso Schmidt e o cinema do CEU Paz. Em relação à mobilidade, afirmou que criou 54 quilômetros de faixas exclusivas de ônibus na cidade e que a Brasilândia é atendida por 67 linhas de ônibus que conectam o bairro à rede de transporte sobre trilhos e a regiões como Lapa, Santana e Barra Funda.
Brasilândia, Zona Norte de SP
Reprodução/TV Globo