Major da PM se defende de acusações do protetor de animais que foi preso por alimentar gatos de rua em Boa Vista

  • 19/07/2026
(Foto: Reprodução)
Protetor de animais é preso e acusa Major da PM de ameaças por alimentar gatos de rua A major da Polícia Militar (PM), Dyanna Vieira de Oliveira, de 41 anos, emitiu uma nota em que se defende das acusação do protetor dos animais Társis Araújo Magalhães Ramos, de 43. Ele denunciou que ela o teria ameaçado e mandado prendê-lo por alimentar animais em situação de rua no bairro Cinturão Verde, zona Oeste de Boa Vista. A situação ocorreu no dia 9 de julho, quando Társis, que também é professor do curso superior de Letras no Instituto Federal de Roraima (IFRR), foi preso após colocar comida para os animais em frente à casa da vizinha da major da PM. No registro da ocorrência que resultou na prisão de Társis, o sargento que comandava a equipe da PM apontou a major como vítima e Társis como infrator. O caso foi registrado pelos crimes de ameaça, desobediência e pela contravenção penal de perturbação do sossego. A major não estava de serviço. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Defesa Em nota, a major Dyanna negou as acusações de abuso de autoridade, intimidação e uso da chamada "carteirada". Segundo ela, a conduta foi educada e teve como objetivo resolver a situação de forma pacífica. A policial afirmou que encontrou Társis e o marido alimentando gatos na calçada em frente à residência e que já havia pedido anteriormente que a prática fosse feita em outro local. De acordo com a major, a presença constante dos animais causava transtornos à família, como acesso ao forro da casa, barulhos durante a noite, sujeira e problemas relacionados à higiene. Ainda conforme a nota, a policial disse que tentou resolver o caso por meio do diálogo antes de acionar a Polícia Militar, mas que os envolvidos mantiveram a decisão de continuar alimentando os gatos no local. A major também negou ter usado a condição de policial para intimidar os envolvidos e afirmou que sua versão será apresentada nos procedimentos judiciais, com as provas reunidas pela defesa. O que aconteceu? O protetor de animais, Társis Araújo, foi preso no dia 9 de julho, após a major acionar a PM por perturbação de sossego, por ele alimentar animais em situação de rua. Na delegacia ele deu depoimento na condição de infrator e foi liberado. Em um vídeo publicado nas redes sociais, relatou parte do que, segundo ele, ocorreu durante a abordagem e a atuação da major. De acordo com ele, a major o persegue desde o ano passado. "Mas, ontem [9 de julho], ela passou dos limites. Deu a famosa carteirada. Ela começou a me ameaçar e a dizer que era major. Falei pra ela que não me importava se ela era major, se ela era da Polícia Militar, que eu ia continuar dando comida pros animais porque a rua era pública", afirmou. Na delegacia, segundo Társis, a major deu ordem para que o sargento da ocorrência o colocasse no camburão da viatura. O vídeo gravado por ele foi de dentro do camburão. "Quando cheguei na delegacia, escoltado no carro da polícia, o sargento foi chamado por ela, pela major Dyanna. Ela não estava de farda e vi ela dizendo que era para ele me colocar no camburão", disse, acrescentando que "ele [sargento] obedeceu ela porque a patente era menor. Ele foi bastante ríspido comigo. Disse que ele que não podia fazer isso, que não havia necessidade, mas como eles queriam me intimidar, ele obedeceu", detalhou. Major Dyanna de Oliveira e o protetor de animais Tarsis de Araújo dentro do camburão Reprodução/Redes sociais e arquivo pessoal Na época dos fatos, a PM informou em nota que "as circunstâncias dos fatos estão sendo levantadas para a devida análise". Destacou ainda que "a policial militar mencionada não se encontrava em serviço no momento dos fatos, razão pela qual o episódio não decorreu, em princípio, de atuação institucional da Corporação." Em um trecho do vídeo divulgado nas redes sociais, Társis registra uma discussão com a major. Durante a gravação, ele diz: "Ela se acha autoridade", e Dyanna rebate: "Eu acho não, eu sou". Társis é vizinho de bairro da major. Ele afirma que alimenta os gatos da rua há cerca de 15 anos, desde que também morava nessa rua. Segundo o protetor de animais, a ração costuma ser colocada na calçada da casa de uma vizinha da major, que teria autorizado. Ele registrou um boletim de ocorrência por ameaça contra a major e filho dela neste sábado (11). Procurada, a Polícia Civil não enviou resposta até a última atualização da reportagem. Ofensas O protetor relata ter sido alvo de agressões verbais durante a discussão. Segundo Tarsis, ele e o companheiro foram chamados de "filho da puta" e "marginal". Além disso, o protetor de animais acusou a major de fazer falsas acusações contra ele. Segundo Társis, a policial afirmou que ele circulava pela região para praticar furtos e assaltos. Ele nega a acusação e diz que estava no local apenas para alimentar os animais. Társis também afirma que o companheiro dele foi intimidado pelo marido da major. Segundo o relato, ele teria ameaçado apreender o veículo sob a alegação de que havia drogas no carro. "Alterada" Társis alega ainda que os conflitos com a major não são recentes. Segundo ele, os episódios de intimidação começaram há cerca de um ano. Em algumas ocasiões, ela afirma que ela passou de carro acelerando, buzinando e fazendo manobras com o objetivo de intimidá-lo. "Essa mulher já me perseguia, já cantava pneu passando por mim e abrindo a porta da garagem e buzinando, sabe? Me ameaçando mesmo de forma subjetiva. Ela dizia: 'eu não quero que você ponha aí porra de ração nenhuma'. Extremamente raivosa, muito alterada", afirmou. De acordo com ele, a major também tentava impedir a alimentação dos animais, mesmo quando a atividade era realizada em via pública ou na calçada da casa de uma vizinha que autorizou a prática. Társis afirma ainda que a major e o filho dela tentam impedir o trabalho que desenvolve com animais em situação de rua. Segundo o protetor, eles retiram ou descartam a ração deixada para os gatos e dificultam as ações de cuidado com os animais. "Eu falei: 'nem se a senhora for o Papa, eu vou continuar colocando ração. Porque a senhora não manda na rua, a senhora não manda na calçada e a senhora não manda na calçada da vizinha'", disse. No registro da ocorrência sobre a prisão de Társis, o sargento registrou que a major relatou que a iniciativa dele de alimentar os gatos tem causado diversos transtornos, como acúmulo de sujeira, mau cheiro, presença de fezes no terreno, animais no forro da residência e até o aparecimento de filhotes em locais inadequados, como a caixa d'água do imóvel. Ele explica que o trabalho inclui a alimentação dos animais, a castração e o incentivo à adoção dos gatos resgatados. "Eu já alimento os animais de rua há alguns anos. Sou protetor independente, consigo castração para animais e o meu método é me aproximar dos gatos em especial", disse. Ainda conforme o relatório, ela tentou resolver a situação diversas vezes de forma amigável, sugerindo que Társis encaminhasse os animais para adoção ou buscasse auxílio de organizações de proteção animal. Nota da defesa Diante da falta de acordo entre as partes, foi necessário acionar uma equipe da Polícia Militar. Ela afirma que, após a chegada da guarnição, os policiais orientaram os envolvidos a deixarem o local com o objetivo de evitar novos conflitos, mas que a solicitação não foi atendida e que eles ainda falaram para os policiais que continuariam alimentando os animais naquele mesmo ponto e que retornariam diariamente, e isso foi de forma afrontosa aos PMS. Diante da persistência e do impasse, Dyanna decidiu representar o caso na Delegacia de Polícia. Sobre um vídeo que circula nas redes sociais, no qual o filho aparece recolhendo a ração colocada na calçada, a major esclarece que o alimento foi apenas retirado da frente da residência e colocado do outro lado da rua conforme o seu vídeo. A policial também rebate a informação de que um dos envolvidos teria sido levado no camburão, esclarecendo que ele foi transportado no interior da viatura. Segundo Dyanna, ao chegarem à delegacia, ela permaneceu sentada aguardando a confecção dos documentos, momento em que percebeu que um dos envolvidos passou a interferir e dificultar a elaboração do registro da ocorrência pelos policiais. A oficial também lamenta a forma como o caso foi repercutido nas redes sociais e em parte da imprensa, afirmando que sua versão dos fatos não recebeu o mesmo espaço dado às acusações divulgadas. Segundo ela, apenas três veículos de comunicação buscaram seu posicionamento antes da publicação das matérias, o que, em sua avaliação, comprometeu o esclarecimento dos fatos e o exercício do contraditório. Por fim, Dyanna informa que todas as medidas judiciais cabíveis já estão sendo adotadas por sua defesa e reafirma que sempre buscou resolver a situação por meio do diálogo, recorrendo ao acionamento da Polícia Militar apenas após esgotadas as tentativas de solucionar o impasse de forma consensual. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/07/19/major-da-pm-se-defende-de-acusacoes-do-protetor-de-animais-que-foi-preso-por-alimentar-gatos-de-rua-em-boa-vista.ghtml


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