Mais de 130 escolas tiveram entre 10 e 20 dias letivos interrompidos por tiroteios em Salvador em 2025, aponta pesquisa

  • 13/08/2026
(Foto: Reprodução)
Cerca de 59% dos tiroteios em Salvador aconteceram em dias letivos Reprodução/TV Bahia Cerca de 59% dos tiroteios registrados em Salvador entre 2023 e 2025 aconteceram em dias letivos, afetando a mobilidade e a segurança de estudantes das unidades públicas de ensino da capital. O estudo "A Geografia da Exposição: disparos de arma de fogo, território e escolas afetadas em Salvador" , divulgado nesta quinta-feira (13), também aponta que apenas oito bairro concentram cerca de 20% das ocorrências de conflitos. O levantamento foi lançado pelo Instituto Fogo Cruzado e pela Iniciativa Negra Por Uma Nova Política Sobre Drogas. Para dimensionar a recorrência dos tiroteios em dias letivos, o estudo desenvolveu o Índice de Risco de Exposição Escolar (IREE). O indíce é resultado do cruzamento dos dados produzidos pelo Instituto Fogo Cruzado, com os apresentados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísitica (IBGE). 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia 📃📈 Através do IREE, a pesquisa relaciona a intensidade (proximidade), severidade (letalidade) e a persistência (semanas afetadas) em um raio de um quilômetro das cerca de 600 escolas da capital. As regiões da cidade foram analisadas levando em consideração a divisão territorial feita pelas prefeituras/bairro. Agora no g1 A pesquisa aponta que muitas unidades de ensino da capital tiveram ao menos 10 dias letivos interrompidos devido a questões de segurança pública. Em 2023, 45 escolas ocupavam as áreas apontadas como "críticas". Já em 2024, o número aumentou para 74 e diminuiu para 56, em 2025. O estudo apontou que, no ano passado: 133 escolas tiveram entre 10 e 20 dias letivos interrompidos por tiroteios; 183 registraram entre 21 e 40 dias letivos interrompidos; outras 23 escolas ultrapassaram 40 dias letivos interrompidos; apenas 12 escolas não tiveram o funcionamento afetado. "Considerando que o calendário escolar brasileiro possui cerca de 200 dias letivos, esses resultados indicam que, para parte significativa das escolas, a violência armada não representa um evento esporádico, mas uma condição recorrente do território", aponta o estudo. A recorrência dos registros de violência no entorno das escolas pode afetar a mobilidade na região, além da frequência escolar, continuidade das atividades letivas e a percepção de segurança dos estudantes. O g1 tenta contato com a Secretaria Municipal da Educação (Smed) e a Secretaria da Educação do Estado (SEC) para comentar a situação. Maior risco para estudantes nas áreas de alta periculosidade Conforme os dados do estudo, mais de 23 mil estudantes estavam sob níveis graves de exposição em 2025. Desse total, 2.802 discentes estudavam em áreas caracterizadas como de alto risco, enquanto os outros 20.744 discentes estudavam em unidades situadas em áreas críticas. As unidades escolares localizadas nas regiões das Prefeituras-Bairro Liberdade/São Caetano e Cidade Baixa estão sob maior risco. Na Liberdade/São Caetano, 35,3% das escolas estão em áreas críticas e ao menos 12.643 matrículas são afetadas pela insegurança. Já na região da cidade baixa, 33,3% das escolas estão em zonas críticas, impactando 5.242 estudantes. Ainda conforme dados da pesquisa, os bairros com os maiores índices foram Beiru/Tancredo Neves, Pernambués, Fazenda Grande do Retiro, Lobato, Valéria, Federação, IAPI e Castelo Branco. Dos 3.748 tiroteios registrados no período, 740 ocorrências aconteceram em um dessas localidades. Essas regiões são majoritariamente ocupadas por pessoas não brancas e de baixa renda. No caso de Beiru/Tancredo Neves, por exemplo, 91,2% da população é de pessoas não-brancas e a renda média corresponde a R$ 897,58, conforme dados do Censo Demográfico de 2022 do IBGE. Origem dos conflitos armados O estudo apresentado pelas instituições aponta também que a maior parte dos tiroteios no entorno de escolas aconteceu por intervenção policial (37,4%). Outras motivações registradas são casos de homicídio ou tentativa de homicídio (32%); disputas entre grupos armados (10,7%) e tentativas de roubos consumados (11,1%). Parte dos casos não foi identificada durante a pesquisa, mas há pequenos registros de brigas, tiros a esmo, ataques a civis, casos de sequestro/ cárcere privado e até de tortura. O g1 entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) para solicitar um posicionamento sobre a situação, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. LEIA TAMBÉM: Bahia tem 5 das 10 cidades mais violentas do Brasil em 2025 Seis das 10 cidades mais violentas do Brasil ficam na Bahia, diz estudo Forças de segurança da Bahia têm efetivos menores do que os previstos, aponta pesquisa Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

FONTE: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2026/08/13/escolas-tiveram-dias-letivos-interrompidos-por-tiroteios-em-salvador.ghtml


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