Maior chacina do DF: veja detalhes da denúncia do MP e a cronologia das dez mortes

  • 14/04/2026
(Foto: Reprodução)
Posse de chácara motivou chacina de 10 pessoas de uma mesma família no DF, diz inquérito A investigação do Ministério Público do Distrito Federal aponta que a chacina que deixou dez mortos da mesma família foi resultado de um plano estruturado, com divisão de tarefas entre os acusados e preparação prévia de um cativeiro. O julgamento, que começou nesta segunda-feira (13), está previsto para durar até domingo (19). Ao todo, 23 pessoas serão ouvidas — entre policiais que estiveram envolvidos nas investigações e também outras testemunhas de defesa e acusação. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. De acordo com a denúncia, os crimes começaram a ser planejados ainda em outubro de 2022 e tinham como objetivo tomar a posse de uma chácara de 5,2 hectares, avaliada em R$ 2 milhões, na região do Paranoá, para vender os direitos do imóvel e repartir a quantia entre os integrantes da associação. Os réus são Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva. O que diz a denúncia Elizamar Silva e os filhos desapareceram na noite de quinta-feira (12), no Distrito Federal TV Globo/Reprodução A investigação classificou o crime como um "plano cruel e torpe". Segundo o MPDFT, os acusados atuaram de forma coordenada, com funções definidas e uso de violência extrema ao longo de semanas. Veja a ordem cronológica do crime, segundo a denúncia: Outubro de 2022: segundo o Ministério Público, Gideon, Horácio, Fabrício e Carlomam — e também um adolescente — se associam para cometer crimes. 27 de dezembro de 2022: Gideon, Horário e Carlomam, acompanhados de um adolescentente, vão até a chácara e rendem Marcos Antônio Lopes de Oliveira, a esposa dele, Renata Juliene Belchior, e a filha do casal, Gabriela Belchior. Durante a ação, cerca de R$ 49 mil são roubados. As vítimas são levadas para um cativeiro em Planaltina. No local, Marcos é morto e tem o corpo esquartejado por Gideon e Horácio. A partir de 28 de dezembro: Renata e Gabriela permanecem em cativeiro. O adolescente envolvido foge do local, "por alguma razão ainda desconhecida", de acordo com o MP do DF — ele será uma das testemunhas ouvidas no julgamento. Fabrício chega ao cativeiro e assume a função de vigilância. Segundo a denúncia, os criminosos passam a usar os celulares das vítimas para enviar mensagens e se passar por elas, mantendo contato com conhecidos e familiares para não levantar suspeitas e preparar novas abordagens. Entre 2 e 4 de janeiro de 2023: Cláudia Regina Marques de Oliveira e a filha, Ana Beatriz Marques de Oliveira, são rendidas na casa onde moravam, no Lago Norte. Elas têm bens roubados, incluindo um carro, e são levadas para o mesmo cativeiro onde estavam Renata e Gabriela. As duas também passam a sofrer ameaças e a ter senhas bancárias exigidas pelos acusados. 12 de janeiro de 2023: Thiago Gabriel Belchior, marido de Elizamar e filho de Marcos e Renata, é atraído até a chácara Quilombo após mensagens enviadas pelos criminosos. Ele é sequestrado com a ajuda de Carlos Henrique Alves da Silva e levado ao cativeiro, onde é mantido sob ameaça. 12 e 13 de janeiro: usando o celular de Thiago, os criminosos entram em contato com Elizamar e a convencem a ir até a chácara Quilombo com os três filhos do casal: Rafael, de 6 anos, Rafaela, 6 anos, e Gabriel, 7 anos. Ao chegar, todos são rendidos e levados até uma rodovia em Cristalina (GO). Segundo o MPDFT, Elizamar e as três crianças são mortas por estrangulamento por Gideon e Horácio, e o carro com os corpos é incendiado. Carlomam acompanhou a ação. 14 de janeiro: Renata e Gabriela Belchior, que estavam em cativeiro desde o início, são levadas até uma rodovia em Unaí (MG). Lá, são mortas por estrangulamento, também por Gideon e Horário, com Carlomam acompanhando, e têm os corpos queimados dentro de um veículo. Ao saber do assassinato de Renata e Gabriela, Fabrício se desentende com o trio e abandona o plano. 15 de janeiro: sob ordens de Gideon, Horário e Carlomam levam Cláudia, Ana Beatriz e Thiago até uma cisterna próxima ao cativeiro, em Planaltina. Segundo a denúncia, os três são assassinados a golpes de faca, e os corpos são jogados no local e cobertos com terra e cal. 16 de janeiro: após os crimes, parte do grupo tenta destruir provas. De acordo com o MPDFT, objetos do cativeiro são queimados e o local é alterado para dificultar o trabalho da perícia. Entre os crimes apontados na denúncia da Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Planaltina estão: homicídios qualificados: de 12 a 30 anos de prisão; extorsão: quatro a 10 anos de prisão; roubo: quatro a 10 anos de prisão; sequestro: de dois a oito anos de prisão; constrangimento ilegal: de três meses a um ano de prisão; fraude processual: de três meses a dois anos de prisão; corrupção de menores: de um a quatro anos de prisão; ocultação e destruição de cadáver: de um a três anos de prisão. Quem são as vítimas Gif - Chacina em Família no Distrito Federal Arte/G1 Em 2023, a Polícia Civil afirmou que dez pessoas, inclusive três crianças, foram mortas para que não houvesse herdeiros para o terreno. Para os investigadores, os criminosos acreditavam que, sem herdeiros, poderiam assumir a posse das terras e vendê-las posteriormente. As vítimas do crime são: Elizamar Silva, de 39 anos: cabeleireira; Thiago Gabriel Belchior, de 30 anos: marido de Elizamar Silva; Rafael da Silva, de 6 anos: filho de Elizamar e Thiago; Rafaela da Silva, de 6 anos: filha de Elizamar e Thiago; Gabriel da Silva, de 7 anos: filho de Elizamar e Thiago; Marcos Antônio Lopes de Oliveira, de 54 anos: pai de Thiago e sogro de Elizamar; Renata Juliene Belchior, de 52 anos: mãe de Thiago e sogra de Elizamar; Gabriela Belchior, de 25 anos: irmã de Thiago e cunhada de Elizamar; Cláudia Regina Marques de Oliveira, de 54 anos: ex-mulher de Marcos Antônio; Ana Beatriz Marques de Oliveira, de 19 anos: filha de Cláudia e Marcos Antônio. Relembre o caso Chacina do DF: carro de vítima foi encontrado queimado em 2023 Reprodução No dia 12 de janeiro de 2023, a cabeleireira Elizamar da Silva, de 39 anos, desapareceu com três filhos pequenos. Segundo a polícia, ela teria saído de casa com um carro para buscar o marido, Thiago Gabriel Belchior, de 30 anos. No dia seguinte, o veículo dela foi encontrado com os quatro corpos queimados dentro, perto de Cristalina (GO), no Entorno do DF. O marido dela também era considerado como desaparecido. Três dias depois, familiares reportaram o desaparecimento de mais três pessoas da família: o pai, a mãe e uma irmã de Thiago – respectivamente Marcos Antônio Lopes de Oliveira, Renata Juliene Belchior e Gabriela Belchior. O carro de Marcos Antônio, sogro de Elizamar, foi encontrado carbonizado com dois corpos dentro, no fim de semana do desaparecimento da família. Posteriormente, as investigações confirmaram que eles eram de Renata Juliene Belchior e Gabriela Belchior. Além da família de Elizamar, a polícia também registrou o sumiço de Claudia Regina Marques de Oliveira e Ana Beatriz Marques de Oliveira, ex mulher e filha de Marcos Antônio, respectivamente. O corpo de Marcos Antônio foi encontrado enterrado e esquartejado perto da casa usada como cativeiro pelos criminosos, em Planaltina. No dia 17 de janeiro, foram encontrados os três últimos corpos, que foram identificados como Thiago Belchior, Claudia Regina Marques e Ana Beatriz Marques. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/04/14/maior-chacina-do-df-veja-detalhes-da-denuncia-do-mp-e-a-cronologia-das-dez-mortes.ghtml


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