Lula reclama de 'decisões tendenciosas' do TSE após Nunes Marques mandar derrubar canal 'Exército de Lula' no WhatsApp
11/10/2026
(Foto: Reprodução) Lula em ato de campanha em Fortaleza, em setembro
Thiago Gadelha/SVM
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, chamou neste domingo (11) de "absurdo" a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de suspender o canal "Exército de Lula" no WhatsApp e disse que a campanha vai pedir explicações.
O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
"Acho um absurdo. Acho que os nossos advogados vão ter que entrar com um pedido de explicação do critério, porque já há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura", disse Lula a jornalistas antes de participar de um ato com apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo.
Nós não vamos permitir que esteja fechado um canal que está pedindo para as pessoas que querem votar participar de um canal do Exército do Lula", prosseguiu.
Lula faz ato com apoiadores na Avenida Paulista, em SP
Lula reclamou do que considera "decisões tendenciosas" que tem determinado remoção de conteúdos de campanha do petista e disse estar desconfiado da atuação do TSE.
"Estou desconfiado do comportamento da Corte eleitoral, que tem bloqueado muita gente nossa, e tem permitido que as ações dele continuem executando", afirmou.
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Decisão do TSE
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e determinou a suspensão do canal “Exército do Lula”.
Coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), o canal tem mais de 3 milhões de inscritos. O objetivo é compartilhar áudios, vídeos e orientações para apoiadores de Lula.
Na decisão, Nunes Marques determina que a Meta (dona do Facebook e WhatsApp) retire o canal do ar em até três horas após o recebimento da notificação, para "impedir o envio de novas atualizações e o ingresso de novos seguidores" até que seja homologado o resultado do segundo turno.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão disputar o segundo turno das eleições presidenciais no próximo dia 25 de outubro.
A decisão do presidente do TSE foi alvo de críticas por parte de uma ala da Corte, segundo informações obtidas pela TV Globo. O entendimento é que o ministro atropelou o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, relator da ação apresentada pela campanha de Flávio.
O que diz a decisão
No pedido, a defesa de Flávio afirma que o canal utiliza ferramentas para impulsionar a divulgação de conteúdo falso e discurso de ódio nas redes sociais.
Nunes Marques atendeu ao requerimento e determinou a suspensão do canal. Segundo o ministro, o que está em discussão não é a mobilização de apoiadores, as críticas políticas ou o uso das redes sociais para pedir votos.
O problema, de acordo com ele, é usar uma estrutura capaz de alcançar milhões de pessoas para divulgar, de forma coordenada, conteúdos que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já considerou falsos, além de orientar como driblar os mecanismos de proteção que a própria plataforma afirma adotar.
"A mobilização digital, portanto, é lícita e não constitui objeto desta decisão. O que a norma não tolera é que a estrutura de mobilização seja empregada para fins ilícitos, entre os quais a difusão coordenada de fatos sabidamente inverídicos em desfavor de candidato", diz o ministro.
Nunes Marques destacou que "no ambiente digital, a circulação de um conteúdo não é produto exclusivo da vontade de quem o publica, mas também da arquitetura que o amplifica".