Lula menciona similaridades entre Brasil e África do Sul e diz que se países não se prepararem, podem ser invadidos
09/03/2026
(Foto: Reprodução) Lula e Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, no Palácio do Planalto.
Ricardo Stuckert/ Presidência da República
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta segunda-feira (9) o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, para reuniões de trabalho no Palácio do Planalto. Durante o encontro, os dois líderes assinaram acordos para ampliar a relação entre os dois países (leia mais abaixo).
Na ocasião, os presidentes deram uma declaração conjunta à imprensa. Lula mencionou as similaridades entre Brasil e África do Sul e disse que, se países não se prepararem, podem ser invadidos.
"Aqui na América do Sul, ninguém tem bomba nuclear, atômica, então, se a gente não se preparar na defesa, qualquer dia alguém invade a gente. Então, temos necessidade similar à África do Sul e precisamos juntar nosso potencial e ver o que podemos produzir juntos", argumentou.
"Não precisamos ficar comprando dos senhores das armas, nós poderemos produzir. O que precisa é nós nos convencermos que ninguém vai ajudar a gente, a não ser nós mesmos, prosseguiu.
O presidente brasileiro reforçou ainda a posição do Brasil como país pacífico e criticou a guerra no Oriente Médio, além do impacto na economia. Lula citou também o preço elevado do petróleo.
"Expus ao presidente Ramaphosa minha profunda preocupação com a escalada do conflito no Oriente Médio, que representa uma grave ameaça à paz e à segurança internacional, com impactos humanitário e econômico de amplo alcance. Esses conflitos produzem efeitos deletérios sobre as cadeias de energia, insumos e alimentos", ponderou.
"São os mais vulneráveis sobretudo mulheres e crianças que sofrem o impacto mais severo dessas crises. O diálogo e a diplomacia constituem o único caminho viável para a construção de uma solução duradoura. É importante lembrar que, por conta da guerra do Irã, o preço do combustível já está subindo em quase todo o mundo. O preço do petróleo está subindo muito e deve subir em todos os países do mundo", arrematou.
Terras raras
Lula acrescentou o potencial dos dois países na área de minerais críticos, que chamou de "essenciais para a transição energética e digital".
Segundo o presidente brasileiro, é preciso repensar o papel da exploração dos recursos naturais e fortalecer as cadeias produtivas nos dois territórios.
"Precisamos de um levantamento concreto do que o África do Sul tem de minerais críticos e de terras raras. O Brasil, até agora, conhece o potencial de 30% do seu território e temos muita coisa", afirmou.
"E já está avisado ao mundo que o Brasil não vai fazer das terras raras e dos minerais críticos o que foi feito com minério de ferro. A gente vendeu o minério e compramos produto acabado pagando cem vezes mais caro. Agora, a parceria tem que ser feita para o processo de transformação ser feita aqui no Brasil", completou Lula.
Lula convidou o presidente da África do Sul a trabalhar de forma conjunto e montar empresas conjuntas para explorar.
"Já levaram nossa prata, todo o nosso ouro, já levaram todo o diamante, já levaram todo o nosso mineiro, o que mais querem levar? Quando é que gente vai aprender que Deus colocou toda essa riqueza pra nós, e nós ficamos dando para outros?", questionou.
"Então, é uma questão de tomada de decisão política. Nós que temos terras raras e minerais críticos precisamos tirar proveito para que nós possamos fazer disso forma de enriquecimento, de conhecimento, para que o nosso povo possa viver melhor", finalizou.
Potencial de crescimento
A reunião com o presidente da África do Sul faz parte da estratégia do Brasil de tentar diversificar seus parceiros comerciais após o tarifaço dos EUA. Os acordos negociados foram nas áreas de turismo, comércio, investimento e cultura.
No ano passado, a corrente de comércio entre Brasil e África do Sul foi de US$ 2,2 bilhões, com exportações brasileiras na ordem de US$ 1,5 bilhão.
Segundo o presidente brasileiro, "há algo faltando" na relação entre os dois países, já que ambos têm potencial para muito mais.
"Concluímos acordos de turismo, investimentos, e quando nos encontramos no G20 ano passado, constatamos que a relação comercial não está à altura do potencial das nossas economias. Está estagnado há quase 20 anos, e chegando a US$ 2 milhões", ponderou Lula.
"Não existe explicação para não termos um comercio acima de US$ 10 bilhões, alguma coisa está faltando. Você é um dos poucos presidentes que posso chamar de companheiro, conhece o chão de fabrica como eu. E essa visita vai permitir pensar a nossa relação com a África do Sul. Temos muito que aprender, ensinar e temos a ancestralidade", emendou.
Com a mesma estratégia de buscar novos mercados, Lula visitou no mês passado a Índia e a Coreia do Sul.
O petista convidou Ramaphosa para uma visita de Estado ao Brasil no ano passado durante uma reunião bilateral em Joanesburgo.
O presidente brasileiro estava no continente africano para participar da cúpula de chefes de Estado e governo do G20.
Lula chega à África do Sul para reunião do G20
Comitiva de empresários
Ramaphosa desembarcou em Brasília com uma comitiva de empresários.
Lula recebeu o presidente sul-africano no Palácio do Planalto, primeiramente, para uma reunião fechada no Palácio do Planalto. Depois, os dois chefes de Estado fizeram uma declaração à imprensa.
Em seguida, Lula oferece um almoço para Ramaphosa no Palácio do Itamaraty. À tarde, está previsto um evento com empresários brasileiros e africanos.