Luiz Carlos Barreto, produtor que marcou gerações do cinema brasileiro, morre aos 98 anos

  • 22/07/2026
(Foto: Reprodução)
Morre Luiz Carlos Barreto Luiz Carlos Barreto, um dos principais nomes da história do cinema brasileiro, morreu aos 98 anos nesta quarta-feira (22). Fotógrafo, roteirista e produtor, o cearense de Sobral participou de mais de 70 produções e esteve presente em momentos decisivos do audiovisual nacional, do Cinema Novo à retomada do cinema brasileiro nos anos 1990. A morte de Barretão gerou homenagens de artistas e profissionais que trabalharam com ele ao longo de décadas. O cineasta Andrucha Waddington o definiu como um dos nomes fundamentais da história do audiovisual brasileiro. "Nosso mestre, nosso professor, um cara que, eh, inventou e reinventou o cinema brasileiro. Um dos maiores produtores, fotógrafos, realizadores de todos os tempos", disse Waddington. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Conhecido como Barretão, ele construiu uma trajetória que atravessou diferentes fases do cinema nacional. Antes de se dedicar ao audiovisual, trabalhou como fotógrafo de revistas e jornais. As primeiras produções vieram ainda durante o Cinema Novo, movimento que revolucionou a linguagem cinematográfica brasileira ao retratar as desigualdades e os problemas do país. Na direção de fotografia, assinou trabalhos marcantes como Vidas Secas, de 1963. Em entrevista ao programa Conversa com Bial, Carlos Barreto relembrou o convite para fotografar o filme. "E eu falei: vocês estão malucos, eu não sei fotografar, só com a minha fotografia de repórter. Você vai fazer uma fotografia que ainda não foi feita, eu quero mostrar a intensidade da luz, a luz como personagem que destrói a paisagem, a plantação e incomoda o homem", disse. Barreto também foi responsável pela fotografia de Terra em Transe, de 1967, uma das obras mais conhecidas do cineasta Glauber Rocha, de quem se tornou amigo durante uma reportagem. Como produtor, foi um dos primeiros a defender um modelo de cinema baseado em financiamento, distribuição e conquista de público. Para o produtor cineasta Bruno Wainer, esse foi um dos principais legados de Barretão. Luiz Carlos Barreto morreu nesta quarta-feira. Reprodução/Jornal Nacional "Eu considero que o maior legado do Barreto é a sua luta na tentativa de consolidar o cinema brasileiro como uma indústria. Ele entendeu mais do que ninguém que o cinema e o audiovisual é arte e indústria, que gera muitas receitas, que gera milhares de empregos, e essa riqueza tem que permanecer no Brasil. E a conquista do público é a coisa mais importante que a gente precisa fazer", disse Wainer. Barreto fundou a Difilm, reunindo nomes do Cinema Novo. Depois, ao lado da esposa, Lucy Barreto, criou a L.C. Barreto Produções. Lucy costumava definir a parceria dos dois como uma combinação entre fantasia e rigor. "A gente costumava dizer que é o casamento do som com a imagem porque eu sou musicista e o Luiz Carlos é imagem, então tá completo: cinema. Ele traz pra mim a fantasia e eu trago um pouco de rigor." O casal teve três filhos — Fábio, Bruno e Paula — e a família passou a ocupar papel central na produção cinematográfica brasileira. Juntos, produziram e dirigiram obras que se tornaram clássicos, como Bye Bye Brasil, lançado em 1980. Também estiveram à frente de sucessos de bilheteria, como Dona Flor e Seus Dois Maridos, de 1976, que levou mais de 11 milhões de brasileiros aos cinemas. A atriz Bette Faria lembrou a dedicação de Barreto ao cinema nacional. "Ele ia batalhar, ele que queria ver o cinema, ele queria ver a gente bem, ele queria que o cinema desse certo. Tudo que tá acontecendo no cinema brasileiro agora, o Luiz Carlos, ele gramou aquilo. Tudo isso ele gramou. Era uma paixão, era uma luta, era um foco, assim, vamos lá e vamos lá sempre, sabe? Uma maravilha." A atriz Sonia Braga, estrela de Dona Flor e Seus Dois Maridos, também prestou homenagem ao produtor. Em mensagem, escreveu: "Pra mim ele era Mainha, um ser humano lindo. Eu o chamava assim por causa daquela voz sempre carinhosa e do braço que colocava sobre os nossos ombros, como se estivesse tentando nos proteger." No início da década de 1990, após o fim da Embrafilme, empresa pública que incentivava a produção de filmes, Luiz Carlos Barreto esteve entre as vozes mais atuantes na defesa de novas formas de financiamento para o cinema nacional, como leis de incentivo, editais e coproduções. O movimento ajudou a impulsionar a chamada retomada do cinema brasileiro, período que deu novo fôlego a produções que enfrentavam dificuldades para obter recursos. Nesse período, duas produções da família Barreto foram indicadas ao Oscar: O Quatrilho, de 1995, e O Que É Isso, Companheiro?, de 1997. O ator Matheus Nachtergaele destacou a influência de Barreto sobre gerações de profissionais do audiovisual. "Eu era um ator de teatro em 1990 e fui convidado antes mesmo de fazer televisão e fazer parte do filme 'O Que É Isso Companheiro?', que dá o ponta a pé inicial do que a gente chama de 'a retomada do cinema'." A cineasta Carla Camurati também homenageou o produtor. "Foi um super fotógrafo, trabalhou pro cinema brasileiro como um soldado, na política, na produção, escolheu autores brasileiros." O presidente Lula se manifestou pelas redes sociais e decretou luto oficial de três dias. Presente em diferentes momentos e áreas da produção audiovisual, Luiz Carlos Barreto ficou conhecido como o carinhoso "chefão" do cinema brasileiro GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional Ao se despedir do amigo, o ator Othon Bastos resumiu o sentimento de muitos colegas do cinema brasileiro: "Luiz Carlos Barreto, o nosso Barretão. Que Deus receba você em paz. E em paz e em muita luz. Um beijo, Barreto." LEIA TAMBÉM Luiz Carlos Barreto já jogou futebol na base do Fla e fotografou Fidel, Sinatra e Marilyn: 'Posou pra mim' Luiz Carlos Barreto defendeu 'exportar filme brasileiro para dentro do Brasil' Lula decreta luto oficial de três dias pela morte do cineasta Luiz Carlos Barreto

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/07/22/luiz-carlos-barreto-produtor-que-marcou-geracoes-do-cinema-brasileiro-morre-aos-98-anos.ghtml


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