Líder supremo do Irã diz que assinatura e palavras de Trump não têm valor, em meio a escalada de ataques

  • 18/07/2026
(Foto: Reprodução)
Donald Trump e Mojtaba Khamenei Chip Somodevilla/via Reuters; Hamed Jafarnejad/ISNA/WANA/Reuters O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou neste sábado (18) que os Estados Unidos voltaram a descumprir compromissos assumidos nos acordos durante a guerra no Oriente Médio e disse que a assinatura de um presidente americano "não tem valor nem credibilidade". A declaração foi publicada em uma conta ligada ao gabinete de Khamenei na rede social X. "A repetida violação dos compromissos do Grande Satã em relação ao acordo, mais uma vez, revelou a verdade: a assinatura do presidente dos Estados Unidos tem tão pouco valor e credibilidade quanto as palavras e a conduta enganosas, traiçoeiras e brutais do regime americano", diz a publicação. Na mensagem, os EUA são chamados de "Grande Satã", expressão frequentemente utilizada por autoridades iranianas desde a Revolução Islâmica de 1979 para se referir ao país. Khamenei também fez um apelo à unidade nacional diante da escalada da guerra. Segundo ele, "um dos princípios mais importantes neste momento é insistir na unidade de palavra e na união sagrada em todos os níveis". O líder iraniano também afirmou que preservar a unidade e evitar divisões é dever de autoridades e da população e que diferenças políticas e sociais não devem comprometer a coesão do país. Em outra publicação, declarou confiar nos comandantes militares e disse que eles trabalham pela defesa dos interesses nacionais. A manifestação ocorre em meio ao agravamento do conflito entre os dois países e poucas horas depois de Teerã anunciar que suspendeu os compromissos assumidos em um acordo temporário de paz firmado com Washington cerca de um mês atrás. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou à televisão estatal que os EUA descumpriram os termos do entendimento e, por isso, o governo iraniano "não está mais implementando" suas obrigações. Até o momento, não houve novos avanços nas tentativas de mediação. Enquanto isso, os confrontos continuam. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que realizou, pela sétima noite consecutiva, ataques contra instalações de vigilância, infraestrutura logística militar, depósitos subterrâneos de armas e capacidades marítimas iranianas. Segundo a mídia estatal iraniana, bombardeios americanos atingiram usinas elétricas e instalações de dessalinização na província de Hormozgan, no sul do país. A agência IRNA afirmou que uma usina de dessalinização foi destruída, interrompendo o abastecimento de água para cerca de 10 mil pessoas, enquanto outra foi danificada na estratégica ilha de Qeshm, localizada no Estreito de Ormuz. Os ataques também atingiram pontes e túneis em rotas de acesso ao porto de Bandar Abbas, principal terminal marítimo iraniano e ponto estratégico próximo ao estreito. Do outro lado, o Irã intensificou os ataques contra países da região. As autoridades do Kuwait informaram que mísseis iranianos atingiram uma instalação de petróleo e uma usina de dessalinização, provocando incêndios e deixando feridos. O país, que depende da dessalinização para cerca de 90% de sua água potável, também precisou fechar temporariamente seu espaço aéreo. Além do Kuwait, Iraque, Jordânia, Bahrein e Arábia Saudita relataram interceptações de drones e mísseis iranianos ou acionaram sistemas de defesa aérea durante o sábado. Disputa pelo Estreito de Ormuz O conflito também elevou a tensão em torno do Estreito de Ormuz, passagem por onde, antes da guerra, transitava cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. Após o início dos confrontos, o Irã restringiu o tráfego marítimo na região e passou a defender que o estreito fique sob seu controle exclusivo, cobrando taxas das embarcações. A medida reduziu significativamente a circulação de navios e voltou a pressionar os preços internacionais do petróleo. Em resposta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar atacar infraestrutura estratégica iraniana, como usinas de energia e pontes, e restabeleceu um bloqueio naval aos portos do país para dificultar as exportações de petróleo. Antes do início da guerra, Washington e Teerã negociavam um novo entendimento sobre o programa nuclear iraniano. Com a escalada militar, porém, as conversas foram interrompidas e o conflito segue sem perspectiva de cessar-fogo. *Reportagem em atualização

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/07/18/lider-supremo-do-ira-diz-que-assinatura-e-palavras-de-trump-nao-tem-valor-em-meio-a-escalada-de-ataques.ghtml


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