Justiça de SP condena Jorge e Mateus e produtor a pagarem R$ 70 mil por danos morais a profissionais após episódio em Festa do Peão
26/02/2026
(Foto: Reprodução) Show de Jorge e Mateus na Festa do Peão de Americana de 2025
Thomaz Marostegan/g1
A Justiça de SP condenou a dupla sertaneja Jorge e Mateus e o produtor Willian Pereira Clemente a pagarem R$ 70 mil por danos morais a dois profissionais após um episódio ocorrido durante a Festa do Peão de Americana, em 15 de junho de 2024.
A decisão foi assinada pelo juiz Rodrigo de Castro Carvalho, na 1ª Vara Cível de Americana, e publicada nesta quinta-feira (26). A defesa tem 15 dias para recorrer da decisão.
Segundo a sentença, os profissionais, que foram contratados para fazer penteado e maquiagem nos artistas, foram submetidos a condições degradantes, uso indevido de seus materiais e agressão física por parte do produtor da equipe.
Na decisão, foi constatado que não houve participação direta dos artistas na agressão física. Ainda assim, a sentença reconheceu que os cantores tinham conhecimento da contratação e da presença dos profissionais no local, motivo pelo qual reconheceu a responsabilidade solidária pelos atos praticados pelo produtor da equipe.
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No processo, os réus negaram as acusações. A defesa sustentou que os profissionais tiveram acesso a espaço adequado, que não houve utilização indevida de produtos e que não ocorreu agressão física. Também argumentou que houve arquivamento do procedimento na esfera criminal.
O g1 solicitou posicionamento aos advogados de defesa dos réus e, até a publicação desta reportagem, não obteve retorno.
Entenda
O caso ocorreu nos bastidores da Festa do Peão de Americana de 2024. Os maquiadores afirmam que foram contratados para atender a dupla sertaneja, mas teriam permanecido por horas aguardando no local sem que o serviço fosse realizado, sem acesso a água ou à alimentação.
De acordo com a ação, ao entrarem no camarim, os profissionais constataram que a esposa do cantor Jorge havia maquiado a dupla utilizando os produtos e equipamentos dos autores sem autorização, deixando os materiais desarrumados.
Diante da situação, Nathalia Magalhães da Silva registrou a situação com o celular quando o aparelho foi retirado de suas mãos pelo produtor Willian de forma abrupta, episódio que resultou em lesão leve constatada posteriormente por exame de corpo de delito.
A defesa dos artistas nega irregularidades e sustenta que não houve agressão física, afirmando que a situação foi conduzida para evitar filmagens no local.
O que diz a sentença
Segundo a decisão, ficou comprovado que os profissionais foram contratados para realizar maquiagem e penteado na dupla, mas permaneceram por mais de quatro horas aguardando atendimento em um corredor de serviço.
A sentença também reconheceu a agressão física do produtor Willian contra Nathalia Magalhães da Silva. Segundo o processo, um vídeo mostra o momento em que o produtor retira o celular das mãos da profissional de forma violenta. Um laudo de exame de corpo de delito apontou lesão leve no punho.
Ainda segundo a decisão judicial, o processo aponta que a esposa de Jorge teria utilizado os produtos fornecidos pelos profissionais durante o evento sem autorização.
Na decisão, foram fixadas:
indenização de R$ 50 mil para a maquiadora Nathalia, em razão de agressão, ameaça, uso indevido de seus produtos e dos danos morais,
e indenização de R$ 20 mil para o barbeiro Pedro Henrik Meira da Silva, por constrangimento, uso de seus equipamentos e tratamento considerado degradante.
Em nota, o advogado das vítimas, Fernando Figueiredo afirmou que recebeu a decisão com “serenidade” e confiança no Judiciário.
"A Justiça prevaleceu ao reconhecer que a dupla Jorge e Mateus, embora não tenha participado diretamente da agressão, tinha ciência da contratação e da presença dos profissionais no local. Restou comprovado nos autos que a própria equipe dos artistas confirmou que a esposa do cantor Jorge realizou o serviço, enquanto os autores eram mantidos em espera degradante e tinham seus materiais manuseados sem autorização. Tal cenário não exime os artistas da responsabilidade solidária pelos atos de sua equipe", disse o advogado das vítimas, em nota.
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