Julgamento do caso Bruno e Dom é transferido para Manaus por risco à imparcialidade do júri, decide Justiça

  • 04/02/2026
(Foto: Reprodução)
Protesto após desaparecimento de Bruno e Dom Reuters/Ueslei Marcelino A Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) decidiu transferir para Manaus o julgamento dos réus acusados das mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips. Segundo o acórdão, assinado na terça-feira (3), há dúvida sobre a imparcialidade do júri, além de riscos à ordem pública e à segurança pessoal dos envolvidos no processo. Bruno e Dom desapareceram quando faziam uma expedição na terra indígena Vale do Javari, que engloba os municípios de Guajará e Atalaia do Norte. Eles foram vistos pela última vez em 5 de junho, quando passavam em uma embarcação pela comunidade de São Rafael. De lá, seguiriam para o munícipio de Atalaia do Norte. A decisão foi unânime e atendeu a um pedido feito em julho do ano passado, que solicitava a retirada do júri de Tabatinga, no interior do Amazonas. O entendimento é de que o contexto social e criminal da região inviabiliza a realização de um julgamento isento. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp A relatora do caso, desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso, destacou que Tabatinga está localizada em uma região de tríplice fronteira marcada por conflitos locais, atuação de facções criminosas e histórico de violência. O documento cita, inclusive, indícios de vínculo de réus com a facção criminosa Comando Vermelho, o que aumentaria o risco para jurados, testemunhas e operadores do Direito. Outro ponto levado em consideração foi a forte polarização social existente no município, especialmente entre grupos econômicos locais, como pescadores, e entidades ligadas à proteção ambiental e indígena. Para o TRF1, esse cenário gera pressão direta ou indireta sobre possíveis jurados, comprometendo a imparcialidade do julgamento. A Corte também deu peso à manifestação do juiz de primeira instância responsável pelo caso, que apontou a insuficiência da estrutura local e o risco concreto à segurança e à lisura do júri. De acordo com a jurisprudência, a avaliação do magistrado que atua diretamente na região tem relevância especial nesse tipo de decisão. Embora o Código de Processo Penal preveja que o julgamento seja transferido, preferencialmente, para comarcas vizinhas, o TRF1 entendeu que essa regra não é absoluta. No caso, ficou demonstrado que as cidades próximas não oferecem garantias adequadas de segurança e isenção. Com isso, o processo foi encaminhado para a Seção Judiciária do Amazonas, em Manaus, considerada mais adequada por contar com maior estrutura judiciária e policial, além de um corpo de jurados mais numeroso e diversificado, capaz de reduzir pressões locais. ➡️ Caso Bruno e Dom: veja cronologia desde a morte das vítimas até o indiciamento do suposto mandante do assassinato O caso Bruno e Dom desapareceram quando faziam uma expedição para uma investigação na Amazônia. Dom escrevia o livro "How to save the Amazon?" (Como salvar a Amazônia?). O objetivo era mostrar como povos indígenas fazem para preservar a floresta e se defender de invasores. Os restos mortais dos dois foram achados em 15 de junho daquele ano. A polícia concluiu que eles foram mortos a tiros, e seus corpos, esquartejados, queimados e enterrados. Além de Colômbia, também respondem pelo crime Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como Pelado, Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como "Dos Santos" e Jefferson da Silva Lima, conhecido como "Pelado da Dinha". Também foram denunciados pelo MPF os pescadores Eliclei Costa de Oliveira, Amarílio de Freitas Oliveira, Otávio da Costa de Oliveira e Edivaldo da Costa Oliveira por usarem um menor de idade para ajudar a ocultar os cadáveres de Bruno Pereira e Dom Phillips. Eles também foram denunciados pelo delito de ocultação de cadáveres. Amarildo e Jefferson serão julgados por duplo homicídio qualificado e pela ocultação dos cadáveres das vítimas. Os dois continuam presos. Quanto a Oseney, ele aguarda a finalização do julgamento do caso em prisão domiciliar, com monitoração eletrônica. LEIA TAMBÉM Justiça torna réu traficante apontado como mandante das mortes de Bruno Pereira e Dom Phillips Quem é 'Colômbia', indiciado pela PF como mandante das mortes de Bruno e Dom Documentário do Globoplay sobre Bruno Pereira e Dom Phillips ganha Prêmio Vladimir Herzog PF diz que "Colômbia" é o mandante dos assassinatos de Bruno e Dom

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/02/04/julgamento-do-caso-bruno-e-dom-e-transferido-para-manaus-por-risco-a-imparcialidade-do-juri-decide-justica.ghtml


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