Irã vai permitir a passagem de 20 petroleiros pelo estreito de Ormuz nos próximos dias, diz Paquistão
29/03/2026
(Foto: Reprodução) Irã vai permitir a passagem de 20 petroleiros pelo estreito de Ormuz nos próximos dias, diz Paquistão
Reprodução/Jornal Nacional
O governo do Paquistão anunciou neste sábado (28) que o Irã vai permitir a passagem de 20 petroleiros pelo estreito de Ormuz nos próximos dias. Depois de fechar a rota no início da guerra, Teerã tem tentado estrangular alternativas de escoamento de petróleo no Oriente Médio, com ataques a oleodutos e portos da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.
O estreito de Ormuz é considerado a principal “torneira de petróleo” da região, mas não é a única. Há rotas menores ainda em operação, que passaram a ser alvo de drones e mísseis iranianos.
Uma dessas alternativas fica a mais de 100 quilômetros de Ormuz, já no Golfo de Omã. O porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, é um dos maiores centros de armazenamento de petróleo do mundo. No local termina o oleoduto que transporta a produção dos campos de Abu Dhabi, com capacidade de escoamento de cerca de 1,7 milhão de barris por dia — volume próximo ao exportado pelo Brasil.
Outra rota alternativa está na Arábia Saudita. Um oleoduto de aproximadamente 1.200 quilômetros atravessa o país até o porto de Yanbu. De lá, os petroleiros seguem pelo Mar Vermelho e cruzam o estreito de Bab el-Mandeb.
Tanto Fujairah quanto Yanbu já foram alvo de ataques. Além disso, navios que partem de Yanbu passaram a enfrentar a ameaça dos houthis, grupo rebelde do Iêmen aliado do Irã, que atua na região de Bab el-Mandeb. Um líder da organização afirmou que os houthis estão prontos para entrar na guerra.
Segundo especialistas, essas rotas alternativas têm ajudado a conter uma alta ainda maior no preço do petróleo. O analista de ações da Genial Investimentos Vitor Sousa, afirma que o barril não ultrapassou os US$ 150 justamente porque países da região passaram a utilizar esses caminhos secundários.
"Contribui, com certeza", diz Sousa. "Eu acho que o preço do petróleo não está acima de 150 dólares, exatamente porque os países ao redor do Estreito de Ormuz, eles estão utilizando essas rotas alternativas. Então, são como se fossem vários capilares, enquanto que o principal, a principal artéria não está sendo utilizada."
Dito isso, sim, supondo que o Irã consiga escalar e evoluir nessa questão de ataque a essas rotas alternativas, com certeza a gente vai seguir observando o preço de petróleo escalando para cima de 150, 160, por aí vai.
Até agora, os ataques não foram suficientes para interromper o fluxo de petróleo por essas vias alternativas, mas já preocupam especialistas. Isso porque a reconstrução de instalações de refino, armazenamento e terminais portuários pode levar anos — um impacto mais duradouro do que o bloqueio do próprio estreito de Ormuz.
O professor de relações internacionais Leonardo Trevisan afirma que os ataques à infraestrutura energética atingem um ponto sensível. Segundo ele, ao contrário de um bloqueio marítimo, que pode ser revertido em menos tempo, a destruição de portos e estruturas de escoamento reduz significativamente a oferta e exige um longo período de recuperação, o que tende a pressionar ainda mais os preços do petróleo.
"O Irã bateu onde dói. O caso do escoamento é bem diferente do de Ormuz, os portos de escoamento, bombardeados como eles foram pelo Irã, é bater onde dói, porque aí, nesse caso, é o que nós já vimos: a oferta cai de 25 milhões para 9 milhões de barris de petróleo, praticamente 60% da oferta que sai por esses portos está contida", ele explica.
"Isso não significa só os oito países usavam Fujairah, inclusive o Irã. Não é que eles passaram só a perder dinheiro, o que vai acontecer é que vai levar um tempo enorme para você reconstruir a oferta natural. Ao levar esse tempo para reconstruir a oferta natural, o petróleo vai experimentar outro preço."