Investigação dos EUA aponta provável responsabilidade americana no ataque à escola no Irã, diz agência
06/03/2026
(Foto: Reprodução) Milhares participam de funeral de estudantes mortos em ataque que atingiu escola no Irã
Investigadores militares dos Estados Unidos acreditam ser provável que as forças americanas sejam responsáveis por um aparente ataque a uma escola feminina iraniana que matou dezenas de crianças no sábado, mas ainda não chegaram a uma conclusão definitiva nem concluíram a investigação, disseram dois funcionários americanos à Reuters.
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A Reuters não conseguiu apurar mais detalhes sobre a investigação, incluindo que provas contribuíram para a avaliação preliminar, que tipo de munição foi utilizada, quem foi o responsável ou por que os EUA teriam atacado a escola.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, reconheceu na quarta-feira que os militares americanos estavam investigando o incidente.
As autoridades, que falaram sob condição de anonimato para discutir assuntos militares sensíveis, não descartaram a possibilidade de surgirem novas evidências que absolvam os EUA de responsabilidade e apontem para outra parte responsável pelo incidente.
A Reuters não conseguiu determinar quanto tempo mais a investigação irá durar ou quais provas os investigadores americanos estão buscando antes que a avaliação possa ser concluída.
A escola feminina de Minab, no sul do Irã, foi atingida no sábado, durante o primeiro dia de ataques dos EUA e de Israel contra o país. O embaixador do Irã na ONU em Genebra, Ali Bahreini, afirmou que o ataque matou 150 estudantes. A Reuters não conseguiu confirmar o número de mortos de forma independente.
Ataque contra uma escola primária para meninas no sul do Irã
Jornal Nacional/ Reprodução
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O Pentágono encaminhou as perguntas da Reuters ao Comando Central das Forças Armadas dos EUA, cujo porta-voz, Capitão Timothy Hawkins, disse: "Seria inapropriado comentar, visto que o incidente está sob investigação."
A Casa Branca não comentou diretamente a investigação, mas a secretária de imprensa Karoline Leavitt disse em um comunicado à Reuters: "Embora o Departamento de Guerra esteja atualmente investigando o assunto, o regime iraniano tem como alvo civis e crianças, não os Estados Unidos da América."
Questionado sobre o incidente durante uma coletiva de imprensa na quarta-feira, Hegseth disse: “Estamos investigando. É claro que nunca temos como alvo civis. Mas estamos analisando e investigando o ocorrido.”
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse a jornalistas na segunda-feira que os Estados Unidos não atacariam deliberadamente uma escola.
"O Departamento de Guerra investigaria isso se o ataque foi nosso, e eu encaminharia sua pergunta a eles", disse Rubio.
Até o momento, as forças israelenses e americanas dividiram seus ataques no Irã tanto geograficamente quanto por tipo de alvo, disseram um alto funcionário israelense e uma fonte com conhecimento direto do planejamento conjunto. Enquanto Israel atacava locais de lançamento de mísseis no oeste do Irã, os Estados Unidos atacavam alvos semelhantes, bem como alvos navais, no sul.
O escritório de direitos humanos da ONU, sem especificar quem considerava responsável pelo ataque à escola, pediu na terça-feira uma investigação.
"Cabe às forças que realizaram o ataque investigá-lo", disse Ravina Shamdasani, porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU, em uma coletiva de imprensa em Genebra.
Imagens do funeral das meninas na terça-feira foram exibidas na televisão estatal iraniana. Seus pequenos caixões, cobertos com bandeiras do Irã, foram transportados de um caminhão por uma grande multidão em direção ao local do sepultamento.
Atacar deliberadamente uma escola, um hospital ou qualquer outra estrutura civil provavelmente constituiria um crime de guerra segundo o direito internacional humanitário.
Caso a participação dos EUA seja confirmada, o ataque figurará entre os piores casos de vítimas civis em décadas de conflitos dos EUA no Oriente Médio.