Indústria da defesa pode perder contratos, competitividade e investimentos se reciprocidade for adotada, diz ministério

  • 31/08/2026
(Foto: Reprodução)
Uma nota técnica elaborada pelo Ministério da Defesa afirma que uma eventual retaliação comercial do Brasil contra os Estados Unidos por meio da Lei da Reciprocidade trará impactos negativos para a indústria nacional de defesa e segurança. Entre as consequências previstas, estão a perda de contratos, encarecimento de projetos, perda de competitividade no mercado internacional, retração de investimentos americano e o risco para o acesso a tecnologias. "É possível inferir que a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica trará impactos negativos para a Base Industrial de Defesa e Segurança. O setor poderá sofrer a perda de contratos com empresas norte-americanas e perda na competitividade internacional, pelo fato de ter em seu processo de produção insumos norte-americanos relevantes", diz trecho do documento. "A retração de investimentos oriundos dos Estados Unidos também poderá ocorrer, o que demandará reconfiguração de cadeias de suprimento", completa a nota técnica. Agora no g1 O parecer foi produzido após solicitação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, à Câmara de Comércio Exterior (Camex) para avaliar o enquadramento de medidas de retaliação às recentes sobretaxas impostas por Washington a produtos brasileiros. As tensões comerciais se intensificaram após o governo de Donald Trump aplicar duas rodadas de tarifas adicionais a produtos do Brasil. O governo brasileiro chegou a apresentar documentos ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), mas as alegações não surtiram efeito prático. Apesar de o setor de defesa também já estar sofrendo com as sobretaxas americanas, a Defesa avalia que responder com tarifas retaliatórias não beneficiará o setor nacional. Entre as principais exportadoras nacionais listadas estão empresas como CBC, Taurus, Nitroquímica, Embraer, CSD e RJC, que enviam aos EUA itens como peças de aeronaves, munições, compostos químicos e detonadores. Dependência de insumos Outra preocupação do Ministério da Defesa é a alta dependência de componentes e insumos americanos na linha de montagem da indústria brasileira. A aplicação de tarifas pelo Brasil encareceria esses insumos, inviabilizando custos de produção e afetando grandes programas das Forças Armadas: a fabricação de aeronaves KC-390, por exemplo, utiliza peças e subsistemas de fornecedores dos EUA embarcações desenvolvidas pela Marinha também contam com peças e componentes norte-americanos Via diplomática Diante do cenário, a equipe técnica do Ministério da Defesa recomenda cautela e prioridade ao diálogo diplomático e empresarial. O Ministério da Defesa conclui que a retaliação tarifária forçaria uma "reconfiguração intempestiva" das cadeias globais de suprimento brasileiras, comprometendo a inserção internacional do país. KC-390 Millennium da Embraer Divulgação/Embraer

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/08/31/industria-da-defesa-pode-perder-contratos-competitividade-e-investimentos-se-reciprocidade-for-adotada-diz-ministerio.ghtml


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