Imagens da câmera corporal de um PM mostram como foi abordagem policial que terminou em morte em São Paulo
10/04/2026
(Foto: Reprodução) Câmara corporal mostra ação que PM atirou e matou mulher em SP
O Ministério Público de São Paulo instaurou um procedimento para apurar imagens da câmera corporal de um policial militar. As cenas mostram o momento em que uma policial militar atira e mata uma mulher de 31 anos.
Quem dirige o carro da polícia é o soldado Weden Soares, que está com a câmera corporal. Ao lado dele, a policial Yasmin Ferreira, de 21 anos, que está sem câmera. É madrugada. Eles patrulham uma rua da Zona Leste de São Paulo quando o retrovisor bate no braço de um homem. O policial dá marcha ré e fala:
“A rua é lugar para você estar andando, ca*****?”
O homem é Luciano dos Santos. Ele está com a companheira dele, Thawanna da Silva Salmázio. Começa uma discussão.
“Não, mas com todo o respeito, vocês que bateram em nós aqui”, diz Luciano dos Santos.
A policial Yasmin sai do carro e vai em direção a Thawanna. Elas discutem.
"Você não aponta o dedo em mim não”, diz Thawanna da Silva Salmário.
Luciano mostra que está desarmado e aparenta estar nervoso com a discussão:
“Desarmado, irmão. Está agredindo”.
Imagens da câmera corporal de um PM mostram como foi abordagem policial que terminou em morte em São Paulo
Jornal Nacional/ Reprodução
O soldado Weden sai do carro. A câmera dele mostra a policial Yasmin com o braço apontado para Thawanna. Não é possível ver arma.
“Você que bateu em nós aqui, rapaz”, diz Thawanna.
O soldado pede para Luciano se afastar, caminha para trás do carro e pede apoio pelo rádio. Nesse momento, ouve-se o barulho de um tiro. O soldado vai até a colega e pergunta:
“Você atirou? Você atirou nela? Por quê?”, pergunta Weden.
“Ela bateu na minha cara”, responde Yasmin.
Ele pede uma ambulância. Outros policiais chegam. O soldado faz os primeiros socorros. Yasmin pergunta sobre o socorro. Um tempo depois, o soldado Weden fala para ela:
“Não era para ter atirado, não, mas antes atirar do que ela vir para cima de você, te bater, pegar sua arma. Porque se ela vai para cima de você e começa a te bater, o cara ia me segurar”.
A ambulância chega meia hora depois do tiro. Thawanna foi levada para o hospital, mas morreu.
Tudo aconteceu em uma calçada bem estreita, mal cabe uma pessoa. Por isso, Thawanna e o companheiro andavam pela rua quando a viatura passou. Os dois policiais militares que participaram da ocorrência foram afastados do trabalho de patrulha.
Thawanna tinha cinco filhos com idades entre 5 e 13 anos; morava com a irmã Daiana. Além da tristeza, a família diz que o sentimento que fica agora é de revolta.
"A minha irmã tinha uma vida toda, a minha irmã tinha 31 anos. Ela tinha começado a viver. Os filhos dela, quem vai suprir a necessidade dos filhos agora?", diz Daiana Martins, irmã de Thawanna.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que todas as circunstâncias estão sendo investigadas com prioridade pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa. A Polícia Militar também abriu um inquérito para investigar o caso.
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