Idoso que tentou matar ex-companheira ao incendiar casa é julgado em Uberlândia
19/02/2026
(Foto: Reprodução) Suspeito de tentar matar ex‑companheira queimada vai a júri em Uberlândia
O idoso acusado de tentar matar a ex-companheira ao incendiar a casa onde ela morava e trabalhava, no Bairro Pacaembu, em Uberlândia, é julgado pelo Tribunal do Júri nesta quinta-feira (19). O julgamento de José Manoel Custódio começou às 9h, no Fórum da cidade, e não há previsão para terminar.
O réu responde pelo crime de tentativa de feminicídio. Segundo o Ministério Público, ele ateou fogo no imóvel em 2022 por não aceitar o fim do relacionamento. Na época do crime, o homem tinha 65 anos e a vítima 63.
O advogado de defesa Adriano Parreira, no entanto, discorda da acusação. “A defesa discorda veementemente dessa situação. Nós entendemos que a conduta dele jamais foi voltada ao crime de homicídio. A conduta foi, sim, de incêndio, de dano. E, inclusive, a defesa sustenta que ele deve ser condenado por isso", defendeu.
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De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o acusado permaneceu preso entre maio de 2022 e fevereiro de 2024, quando foi colocado em liberdade por decisão judicial.
O que diz a acusação
A denúncia oferecida pelo Ministério Público apontou a presença de qualificadoras que, segundo a acusação, agravam a conduta atribuída ao réu e reforçam a gravidade do caso. Entre elas, foram destacadas o motivo fútil, o emprego de fogo, o recurso que impossibilitou a defesa da vítima e o feminicídio.
“É possível que essas agravantes sejam consideradas no crime de incêndio também, não há prejuízo. O que não vai ter a possibilidade é do emprego de fogo porque o incêndio já parte do pressuposto de que você se utiliza de fogo. Então, nesse caso, ela não se aplica. Agora, a situação de violência doméstica, o motivo fútil e o recurso que impossibilitou a defesa da vítima, podem ser utilizados como agravantes", comentou o promotor de Justiça, Pedro Henrique Fagundes Silva.
Este foi o segundo julgamento do caso. Na primeira sessão, realizada em 2024, o juiz considerou que houve contradição nas respostas do júri durante a análise dos quesitos apresentados. Diante disso, o magistrado dissolveu o Conselho de Sentença e determinou a realização de um novo julgamento.
Nesta nova sessão, todas as testemunhas foram dispensadas, e o réu exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio. O Conselho de Sentença foi composto por quatro mulheres e três homens.
Costureira conseguiu se salvar pelo telhado
O crime aconteceu na madrugada de 16 de maio de 2022, em um sobrado localizado na Rua Sete de Setembro, no Bairro Pacaembu
De acordo com as investigações, José Manoel Custódio teria ido até o imóvel levando combustível e ateado fogo na parte inferior da residência, justamente no cômodo utilizado como local de trabalho da ex-companheira, que era costureira.
Segundo a denúncia, o local escolhido teria sido estratégico para dificultar a fuga da vítima, já que o incêndio atingiu a área de acesso ao andar superior da casa, onde ela dormia. As chamas se espalharam rapidamente e destruíram máquinas de costura industriais, tecidos e grande parte da estrutura do imóvel, causando prejuízos significativos.
A mulher conseguiu escapar ao perceber o incêndio. Conforme consta no processo, ela saiu por uma janela, acessou o telhado e pediu socorro, sendo resgatada pelo filho, que morava no mesmo terreno.
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Após o ataque, o suspeito fugiu de carro. Imagens de câmeras de segurança ajudaram a Polícia Militar a identificá-lo poucas horas depois.
Ele foi localizado e preso em flagrante na própria residência. No local, os policiais encontraram roupas usadas no crime, o veículo citado nas investigações e objetos que teriam sido utilizados na ação.
Na época, o caso foi registrado inicialmente como tentativa de homicídio, sendo posteriormente enquadrado como tentativa de feminicídio, por ter sido motivado pela condição de gênero da vítima e pelo inconformismo com o término da relação, que havia durado cerca de oito anos.
Idoso colocou fogo na casa da ex-companheira no Bairro Pacaembu em Uberlândia
PM/Divulgação
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