Guerra no Oriente Médio já dura 6 meses; impactos do conflito se espalham por diferentes setores da economia global
01/09/2026
(Foto: Reprodução) Guerra no Oriente Médio completa 6 meses e efeitos se espalham na economia mundial
A guerra no Oriente Médio já dura seis meses, e os impactos do conflito se espalham por diferentes setores da economia global.
O tempo passou e a guerra que o presidente Trump calculou rápida - quatro a cinco semanas, disse uma vez - já dura seis meses. Tempo em que o dólar viveu dias turbulentos, ao sabor dos anúncios de cessar-fogo e de promessas de reabertura do Estreito de Ormuz.
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O petróleo também reagiu à guerra na porta da casa de cinco dos dez maiores produtores do mundo. Foi negociado a mais de US$ 110 o barril. Depois recuou, mas se mantém em um patamar mais alto do que antes do confronto. O economista Sérgio Vale explica que os estoques de petróleo ajudaram a conter um pouco os preços, mas o relógio joga contra.
“A gente está entrando, a depender do país, em momentos mais críticos nesse segundo semestre. Quanto mais tempo leva para você resolver a guerra, mais tempo esses preços ficam elevados, mais você começa a afetar segmentos que, dois, três meses atrás, você conseguia evitar e agora você não consegue evitar mais”, afirma Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.
Guerra no Oriente Médio já dura 6 meses; impactos do conflito se espalham por diferentes setores da economia global
Jornal Nacional/ Reprodução
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. É por ali que passa uma parte importante do petróleo consumido no mundo. A insegurança na região elevou os custos do transporte e já pressiona a inflação em vários países, como explica o coordenador do Centro de Estudos em Negócios Globais da FGV, Lucas Ferraz:
“Você tem aumento no preço do frete, por exemplo. Você aumenta o risco geopolítico daquela região. Aumentando o preço do frete, tudo isso reverbera também no preço das commodities, dos bens que são transacionados internacionalmente e vai, evidentemente, tudo isso desencadear também na pressão sobre os preços domésticos das economias”.
E no calendário brasileiro, outra preocupação se aproxima. Está quase na hora de plantar a próxima safra.
“85% do fertilizante vem de fora, ele é importado, e parte importante justamente vem do Oriente Médio. E nesse momento que a gente já está justamente começando a fazer a preparação do solo para fazer o plantio, para a colheita que vai começar a ser feita agora, ser colhida no ano que vem, a gente está com uma demanda menor de fertilizantes por conta dessa situação em relação à guerra”, diz Sergio Vale.
É por isso que os economistas explicam que, quanto mais o tempo passa sem uma solução, mais duradouros se tornam os efeitos sobre a economia mundial. Já se sabe que o crescimento global vai ser menor do que o previsto antes da guerra. Mas o tamanho dessa desaceleração depende de quando esse conflito vai chegar ao fim.
“Eu diria que, nesse momento, a bola está muito mais com o Irã do que com o próprio Estados Unidos. É um país que, sim, tem planos ali beligerantes de bomba atômica e etc., mas vai negociar isso com os Estados Unidos à sua forma, à sua maneira”, afirma Lucas Ferraz.
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