Governo lança 'Novo Desenrola', programa que vai liberar parte do FGTS para trabalhadores pagarem dívidas; entenda
04/05/2026
(Foto: Reprodução) O governo anunciou nesta segunda-feira (4) o "Novo Desenrola Brasil", um pacote de medidas para reduzir o endividamento da população brasileira — que está em níveis historicamente elevados.
Uma delas é a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que trabalhadores possam quitar suas dívidas.
Pelas regras, será possível usar até 20% do saldo disponível do FGTS para pagar débitos. A estimativa é de que sejam liberados bilhões de reais aos trabalhadores (leia mais abaixo).
- Esta reportagem está em atualização
Novo Desenrola terá veto a apostas e uso do FGTS
💰 Para garantir que os recursos serão mesmo usados para quitar dívidas, a Caixa deverá transferir o dinheiro do FGTS direto para o banco em que o trabalhador tem débitos.
Será possível negociar dívidas do cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), adiantou, na última semana, o presidente Luiz Inácio lula da Silva (PT).
➡️Os juros serão de, no máximo, 1,99% ao mês, com descontos de 30% a 90% no valor principal da dívida.
O governo pretende usar um fundo com recursos públicos para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, o dinheiro da União vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito.
Também ficou definido que quem renegociar a dívida dentro do programa ficará impedido de fazer apostas em jogos online por um ano.
Pronunciamento do presidente Lula sobre o 1º de Maio
Reprodução
Endividamento em alta
Dados do Banco Central (BC) mostram que o nível de endividamento está elevado, do ponto de vista histórico.
Em um ano marcado por eleições, o governo atua para reduzir o comprometimento de renda dos trabalhadores com empréstimos.
"O comprometimento da renda com pagamentos de operações de crédito, mais sensível aos movimentos nas taxas de juros e à maior expansão do crédito emergencial, tipicamente com taxas mais elevadas, alcançou nível recorde no quarto trimestre [de 2025]", informou a instituição, em março.
Em março, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, avaliou que quatro choques econômicos impulsionaram a inflação nos últimos anos, corroendo a renda dos trabalhadores: Covid, guerra na Ucrânia, guerra tarifária dos Estados Unidos e agora o conflito no Oriente Médio.
Por conta disso, apesar dos juros altos, os preços relativos subiram nos últimos anos. Desse modo, explicou ele, houve um impacto na renda do trabalhador brasileiro, que buscou complementá-la com financiamentos junto aos bancos.
O presidente do Banco Central afirmou, naquele momento, que é preciso que os trabalhadores busquem linhas de crédito mais compatíveis com renda, não usando o crédito rotativo como complemento de renda — pois essa linha de crédito tem taxas "punitivas".
Estudo mostra que primeira edição do Desenrola reduziu inadimplência das famílias de baixa renda de forma relevante, mas efeito se dissipou após 18 meses
Ministério da Fazenda
Primeiro Desenrola, de 2024
No primeiro programa Desenrola, anunciado em 2023 e que durou até maio de 2024, foram renegociados R$ 53,2 bilhões em empréstimos de 15 milhões de pessoas, o que contribuiu para reduzir a inadimplência naquele período.
O programa começou com os principais bancos retirando 10 milhões de registros de dívidas de até R$ 100 dos cadastros de inadimplentes, somando cerca de R$ 1 bilhão em débitos.
Também foram feitas negociações das dívidas diretamente pelos bancos credores (Faixa 2 do Desenrola) com pessoas com renda mensal de até R$ 20 mil.
Essa faixa terminou no fim de dezembro de 2023 e englobou três milhões de pessoas com a negociação de R$ 25,7 bilhões em débitos.
No site do programa, a média de descontos foi de 90% para pagamentos à vista e de cerca de 85% nos pagamentos parcelados.
O ticket médio foi de R$ 250 nas operações à vista; e de R$ 1.031 nas renegociações parceladas.