Governo das Ilhas Canárias diz que não vai autorizar ancoragem de cruzeiro com casos de hantavírus; Espanha ordena desembarque
10/05/2026
(Foto: Reprodução) 'Não posso permitir a entrada': o futuro incerto do navio com surto de hantavírus
Reuters
O governo das Ilhas Canárias, na Espanha, disse neste sábado (9) que não vai autorizar a ancoragem do cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus. A decisão foi tomada poucas horas antes do horário previsto para operação.
Já o governo espanhol determinou que as Ilhas Canárias recebam o navio, mesmo após a resistência do governo regional, por motivos de segurança marítima e necessidade de assistência sanitária a bordo.
A resolução foi emitida pela Direção-Geral da Marinha Mercante, órgão espanhol que regula a navegação marítima.
Segundo o jornal espanhol "ABC", o motivo para o navio não entrar no porto local e os passageiros desembarcarem se dá por conta de uma divergência sobre o número de horas que o cruzeiro ficará ancorado.
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Ainda não está claro como a decisão que impede a ancoragem vai impactar o desembarque de passageiros, algo que poderia ser feito por barcos.
Ainda de acordo com o jornal, o governo das Ilhas Canárias teria se irritado com a falta de respostas por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de autoridades do governo espanhol, como a ministra da Saúde, Mónica García.
A Unidade Militar de Emergências da Espanha (UME), ligada ao Exército espanhol, será responsável por levar ao aeroporto de Tenerife-Sul os passageiros em quarentena do cruzeiro.
Segundo a imprensa espanhola, os ministérios da Saúde e do Interior, que coordenam a operação, recorreram aos militares após a recusa de empresas locais em fazer o traslado.
A operação prevê um esquema sanitário especial para o desembarque controlado dos passageiros, com apoio da Autoridade Portuária de Tenerife e, se necessário, do serviço espanhol de resgate marítimo.
Tendo partido em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, o Hondius que pertence à operadora de cruzeiros holandesa Oceanwide Expeditions.
O último balanço da Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou seis casos confirmados de hantavírus entre oito casos suspeitos, incluindo três pessoas que morreram devido a este vírus conhecido, porém raro, para o qual não existe vacina nem tratamento. A doença pode causar uma síndrome respiratória aguda.
O hantavírus fica em roedores silvestres, que podem eliminar o vírus pela urina, saliva e fezes. Os roedores podem carregar o vírus por toda a vida sem adoecer.
A forma mais comum de um humano se infectar por hantavírus é pela inalação de aerossóis formados a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados.
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Em coletiva de imprensa feita na noite deste sábado, o presidente do governo das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, explicou sua decisão.
"Colaboração, sim. Solidariedade, também. Mas não a qualquer preço. Não sem relatórios, não com imposições do Estado e não colocando em perigo a segurança sanitária do povo das Ilhas Canárias", escreveu no X.
"Não temos nenhum conhecimento técnico que garanta que o risco da operação do MV Hondius seja zero, mas contamos com critérios técnicos que aconselham que o buque permaneça o menor tempo possível nas Ilhas Canárias."
Após a decisão de Clavijo, o governo espanhol ordenou que as Ilhas Canárias recebessem o cruzeiro. A informação é do jornal "El País".
Javier Padilla, secretário de Saúde espanhol, publicou nas redes sociais um relatório de inspeção realizadas por especialistas a bordo que, segundo ele, aponta que não foram "detectados roedores e a probabilidade que um animal alcance a costa canária é nula".
O documento é uma resposta a preocupação levantada pelo presidente das Ilhas Canárias durante coletiva de imprensa. Ele apontou o que considerou como "risco" de roedores descerem do navio e infectar a população local.
A relação Ilhas Canárias e Espanha
As Ilhas Canárias são um arquipélago pertencente à Espanha localizado no Oceano Atlântico, próximo à costa noroeste da África.
O arquipélago é formado por oito ilhas principais, entre elas Tenerife, Gran Canaria, Lanzarote e Fuerteventura. A região possui autonomia administrativa semelhante à de outras comunidades espanholas, mas segue subordinada ao governo central em Madri em áreas como defesa, política externa e controle de fronteiras.
As ilhas também ocupam uma posição estratégica para a Espanha devido à proximidade com o continente africano. Além do forte apelo turístico, a região é considerada um ponto importante para o comércio marítimo e para o controle migratório no Atlântico.
Visita de Tedros Adhanom
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS
Reprodução/TV Globo
Neste sábado, antes da decisão do governo local, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou neste sábado (9) a Tenerife, maior ilha do arquipélago das Canárias, para acompanhar a operação de desembarque do cruzeiro.
Antes de viajar às Canárias, Tedros publicou uma carta aberta aos habitantes do arquipélago.
"Sei que vocês estão preocupados. Sei que, quando ouvem a palavra 'surto' ou 'epidemia' e veem um navio se aproximar de suas costas, vêm à tona lembranças que nenhum de nós conseguiu superar completamente. A dor de 2020 continua real, e eu não a minimizo nem por um momento", escreveu.
No texto, ele disse compreender a apreensão da população, mas afirmou que os riscos representados pela chegada do cruzeiro são “baixos”.
“Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo”, escreveu o diretor-geral da OMS.
Tedros também reconheceu que a cepa do hantavírus registrada no cruzeiro é grave.
Carta do diretor da OMS.
Reprodução/Instagram
“Três pessoas perderam a vida, e nossos corações estão com suas famílias. O risco para vocês, em sua vida cotidiana em Tenerife, é baixo”, afirmou.
Segundo ele, essa é a avaliação da OMS e “não a fazemos levianamente”.
O caso reacendeu temores na região seis anos após a pandemia de Covid. Pessoas entrevistadas pela AFP nos últimos dias relataram preocupação com a chegada do navio, embora a rotina em Granadilla seguisse relativamente normal neste sábado, com banhistas, feira ambulante e cafés da manhã no calçadão.
David Parada, vendedor de loteria na região, disse que acompanha as notícias porque o navio ficará a poucos quilômetros dali. Segundo ele, há preocupação principalmente com possíveis riscos para trabalhadores envolvidos na operação, mas a população local não parecia alarmada.
O último balanço da OMS, divulgado na sexta-feira, apontava seis casos confirmados entre oito suspeitos.
Entre os mortos estão um casal de passageiros holandeses e uma mulher alemã. A doença é provocada por um vírus conhecido, mas pouco frequente, para o qual não há vacina nem tratamento específico.
De acordo com a OMS, todas as pessoas a bordo foram classificadas como “contatos de alto risco”.