Funcionários relatam pressão para enviar pacientes à UTI em hospital onde técnicos de enfermagem teriam matado internados no DF
09/02/2026
(Foto: Reprodução) Profissionais do Anchieta dizem que eram pressionados a encaminhar pacientes para UTI
Três pessoas foram supostamente assassinadas enquanto estavam internadas na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal, no fim de 2025. Os suspeitos são três técnicos de enfermagem que estão presos.
Um dos questionamentos levantados pela família de uma vítima foi o motivo dela ter sido internada na UTI, já que tinha um caso simples de saúde.
A TV Globo apurou que os profissionais do Hospital Anchieta se sentiam pressionados por um dos coordenadores da unidade a encaminhar pacientes para a UTI.
"Nós recebemos o tempo todo mensagens de que há vagas disponíveis no serviço de terapia intensiva para mantermos um número de internação. Nós nos sentimos o tempo todo coagidos, pressionados para internar", relatou um médico que preferiu não se identificar.
Em nota, o Hospital Anchieta disse que os encaminhamentos para a UTI "seguem critérios exclusivamente técnicos, definidos pela equipe médica responsável e fundamentados em rigorosos protocolos assistenciais e algoritmos claros, baseados em exames clínicos precisos".
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Hospital Anchieta em Taguatinga no DF.
TV Globo/Reprodução
Vítima tinha quadro simples
A família de Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, uma das pacientes assassinadas no hospital, disse que ela tinha apenas um quadro simples de constipação, mas foi levada para a UTI (veja vídeo abaixo).
"Nenhuma alteração no exame de sangue, nenhuma alteração na tomografia. Nada além disso, uma constipação. Ela ia ser medicada e voltava para casa", disse Kássia Leão, filha da vítima.
Kássia Leão, filha de paciente vítima do técnico de enfermagem
Outra denúncia
Outro caso de internação na UTI, não relacionado aos assassinatos, foi denunciado por uma moradora de Ceilândia.
A professora Neide Daiane conta que o marido teve uma infecção urinária, e a equipe médica do Hospital Anchieta, de Ceilândia, colocou ele na UTI.
"Poderia simplesmente passar o medicamento e ser tratado em casa. Ele estava andando, conversando, consciente, só precisava de um medicamento para dor mesmo", disse Neide.
Metas de UTI
Médicos do Anchieta se dizem cobrados a atender meta da UTI
Reprodução
À TV Globo, um médico disse que os profissionais têm que cumprir metas estabelecidas pela coordenação do Pronto Socorro.
Em mensagens em um grupo do hospital, Sávio César Oliveira Parreira, coordenador da clínica médica do Pronto Socorro do Anchieta, cobrou as internações em UTI.
"Pessoal, vamos atentar aos critérios de UTI, muitos leitos ociosos, se precisar não teremos dificuldades", disse o coordenador em uma mensagem.
Segundo informações do Conselho Federal de Medicina, Sávio César Oliveira Parreira é medico formado há 10 anos e tem inscrições para atuar em Goiás, DF e São Paulo. Na capital, ele é especializado em medicina de emergência.
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