Foliões relatam roubos e arrastões em blocos, e PM fala em ‘crimes de oportunidade’ fora da rota oficial
07/02/2026
(Foto: Reprodução) Delegada dá dicas para não cair em golpes no carnaval
Em meio à festa, o carnaval de rua do Rio também é palco de preocupações com segurança pública, ano após ano. Enquanto a Polícia Militar afirma intensificar suas operações, crescem os relatos de foliões indicando uma realidade de violência, com furtos, arrastões e assaltos dividindo espaço com a folia.
A região da Cinelândia, Lapa, Glória e Aterro do Flamengo tem sido alvo de relatos.
"São grupos grandes, com 20, 30 meninos. Eles passam carregando tudo. Próximo à Lapa, também teve arrastão dia desses. Bateram em uma menina pra pegar as coisas dela, foi horrível", conta a estudante universitária Amanda Magalhães.
Outra foliã, que não quis se identificar, contou ao g1 que presenciou menores de idade fugindo da polícia durante a passagem de um bloco no Centro.
"Eu estava com uma amiga, na rua do Carmo. Íamos voltar pra Carioca, mas vimos pessoas voltando correndo e reportando para a polícia que tinham gangues de menores na saída do bloco. Logo depois, vimos a molecada correndo da polícia. Desistimos de continuar indo aos blocos e fomos embora."
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PM diz que risco é maior em cortejos não-oficiais
De acordo com a Polícia Militar, muitas ocorrências acontecem no decorrer da passagem de cortejos não-oficiais, que não integram o planejamento das unidades operacionais da corporação.
“Blocos não-oficiais acabam se tornando cenários dos chamados crimes de oportunidade, nos quais criminosos se valem de momentos de distração e vulnerabilidade do público presente para cometer delitos”, diz a PM, em nota.
A recorrência de arrastões e assaltos, inclusive com o uso de armas brancas, gera um clima de insegurança que contrasta com o espírito festivo do carnaval. A ação da PM no último final de semana resultou na apreensão de 93 materiais perfurocortantes e um dispositivo de eletrochoque.
Além disso, um homem foi preso no sábado (31) após tentar furtar um telefone celular de uma mulher. Ele foi encaminhado à 4ª DP (Praça da República).
A PM informou que tem intensificado suas estratégias de patrulhamento. Entre os dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro, mais de 1.500 policiais militares foram empregados para garantir a segurança dos foliões nos blocos de rua em diferentes pontos da cidade.
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Imagens captadas por câmeras
Para coibir os atos de violência em áreas do Centro, a PM informou que equipes de tecnologia atuam nos locais dos blocos, acompanhando em tempo real as imagens captadas por câmeras.
O Grupamento de Patrulhamento em Multidão (GPM), com policiais identificados por capacetes brancos e lotados no RECOM (Rondas Especiais e Controle de Multidão), também atua em meio aos foliões para a prevenção de tumultos.
A comerciante Jordana Rios contou ao g1 que presenciou um arrastão no último bloco que foi, no dia 18 de janeiro, no Aterro do Flamengo, e que não se sente mais segura para continuar frequentando o carnaval de rua.
“A distinção entre blocos oficiais e não-oficiais é um fator relevante. Embora a PM concentre seus esforços nos eventos planejados, existem diversas manifestações espontâneas há muitos anos, isso já faz parte do roteiro de carnaval, e atraem um público grande. Não dá pra ficar tão vulnerável assim”, destacou Jordana.
Câmara do Rio pede choque de ordem na Cinelândia
A Câmara do Rio vai sediar, na próxima quarta-feira (11), a terceira reunião para tratar do reforço do policiamento na região, onde circulam muitos trabalhadores e turistas.
O encontro terá a presença de representantes de diversos órgãos responsáveis pela segurança e pela ordem pública na área. A ideia é promover um choque de ordem e reduzir significativamente as ocorrências policiais.
Reuniões da Câmara com as forças de segurança
Divulgação/ Câmera do Rio
No dia 28 de janeiro, chefes de órgãos de segurança e de ordem pública também discutiram o tema, juntamente com a Coordenadoria de segurança da Câmara, a pedido do coordenador do Segurança Presente no Centro, major Gustavo Valagão.
Proprietário da Banca do André, localizada na Cinelândia, André Breves diz que a falta de segurança no local vai além do carnaval. Para ele, a discussão é complexa e precisa de uma atenção especial.
"Não dá para culpar os PM e nem os moleques que roubam. A questão é que a segurança do Rio de Janeiro é falha, precisa de uma atenção. Da Cinelândia mesmo, não sai e nem para nenhum bloco e mesmo assim a região sofre muito com a violência, principalmente noturna. São muitos relatos de roubos, já presenciei também. Até os camelôs estão reclamando da violência", comenta André.
Proprietário da Banca do André diz que a violência tem afetado o movimento na região.
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