'Fiquei em choque quando descobri': africana que deu à luz a quadrigêmeos em João Pessoa relata surpresa com gravidez e rotina após o parto

  • 01/11/2026
(Foto: Reprodução)
Africana que deu à luz quadrigêmeos em João Pessoa relata surpresa com gravidez A descoberta de que esperava quatro bebês ao mesmo tempo foi uma surpresa inesperada para Fataumata Oumou Baradfi, de 30 anos. Natural do Mali, na África, ela precisou se adaptar à ideia de uma família que cresceria de uma só vez. Durante a gestação, veio à Paraíba em busca de atendimento médico e, agora, acompanha os quadrigêmedos no Instituto Cândida Vargas (ICV), em João Pessoa, onde os recém-nascidos recebem cuidados. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp O g1 conversou com Fataumata sobre a reação ao descobrir a gravidez, a decisão de vir ao Brasil e os primeiros dias com os quadrigêmeos. A entrevista foi realizada em francês, idioma falado por ela, e traduzida para o português pela reportagem. “Foi uma grande surpresa. Fiquei em choque quando descobri, chocada, mas também estava contente. Depois, fiquei muito feliz, como não é a minha primeira vez, já sei como cuidar de crianças, então para mim está sendo muito bom”, contou Fataumata. 'Fiquei em choque quando descobri': africana que deu à luz quadrigêmeos em João Pessoa relata surpresa com gravidez e rotina após o parto Janinne Vivian /g1 Os quadrigêmeos nasceram em 14 de outubro. Segundo a unidade de saúde, a gestação exigiu a mobilização de uma equipe com 9 médicos, 6 enfermeiros e 6 técnicos de enfermagem, além da reserva de leitos para a mãe e os recém-nascidos. Mãe decidiu vir ao Brasil em busca de atendimento médico Fataumata chegou ao Brasil em 5 de setembro, com 28 semanas de gestação (ou aproximadamente 7 meses), e ficou na casa da prima Mamacila Baradfi, no bairro de Jaguaribe, em João Pessoa. A decisão de viajar foi tomada diante da preocupação com a gestação de quadrigêmeos. Mamacila, que nasceu na Costa do Marfim, mora na capital paraibana há quase dois anos e contou que recebeu uma ligação da prima dizendo que esperava quatro bebês, em tom de muita preocupação. “Ela estava grávida de quatro bebês e morava no Mali. Ficou preocupada com a gestação e me ligou para contar que estava esperando quadrigêmeos. Ela estava muito surpresa, mas foi um pouco difícil para ela. Conversei com meu marido sobre a situação e ela veio para o Brasil porque, no Mali, não há um bom sistema de saúde”, relatou Mamacila. LEIA TAMBÉM: Russas procuram João Pessoa em busca de atendimento humanizado durante a gravidez 'Fiquei em choque quando descobri': africana que deu à luz quadrigêmeos em João Pessoa relata surpresa com gravidez e rotina após o parto Janinne Vivian /g1 Segundo Antônio José dos Santos, amigo da família e médico obstetra, a decisão de vir a João Pessoa buscou ampliar as possibilidades de assistência diante de uma gestação de alto risco. “Fatoumata faz parte da família Baradfi. São clãs muito unidos. São famílias antigas, com gerações e gerações na Costa do Marfim e no Mali, e agora também no Brasil. Eles mantêm vínculos muito fortes com suas tradições, embora existam algumas adaptações por terem vindo para o Ocidente, onde as coisas são um pouco diferentes. A família decidiu que ela viesse para o Brasil, as chances de um bom resultado seriam maiores. As crianças estão recebendo um atendimento excelente e evoluindo muito bem. Sem essa estrutura e essa quantidade de recursos, provavelmente a evolução não teria sido tão boa”, afirmou. Fataumata com os filhos, prima e amigo Janinne Vivian / g1 O marido de Fataumata também veio ao Brasil, ajudou a organizar a estadia da família e depois voltou ao Mali para trabalhar e manter o sustento da casa. Segundo Antônio, o contato entre eles continua por telefone e pela internet. Fataumata ainda contou ao g1 que não teve problemas de saúde durante a gravidez, embora o peso da barriga tenha dificultado a rotina. Ela também planeja voltar ao Mali e reorganizar o dia a dia para cuidar dos seis filhos. “Decidimos vir ao Brasil para buscar melhores cuidados, ter mais saúde e prosperidade. A gravidez não foi tão difícil. Apenas a barriga que estava pesada, mas correu tudo bem e não tive nenhum problema de saúde. Na África, vamos tentar nos habituar e reorganizar a nossa rotina diária. Vamos ter uma assistência para organizar como será o nosso dia a dia a partir de agora”, contou. Fataumata grávida Arquivo pessoal / Fataumata Baradfi ‘Na religião muçulmana, há o costume de ter muitos filhos’, diz prima Fataumata e Mamacila são muçulmanas. A prima explicou que, para a família, ter filhos é importante e que a chegada dos quadrigêmeos tem um significado ligado à fé religiosa. “Nós somos muçulmanas. Ela se casou há muito tempo e, até então, tinha apenas dois filhos. Na religião muçulmana, há o costume de ter muitos filhos. Ela já tinha duas crianças e, depois de cinco anos, as pessoas poderiam perguntar por que ela não queria ter outro filho ou engravidar novamente. Mas, para nós, ter filhos é algo importante", afirmou Mamacila. Os quadrigêmeos receberam os nomes Cheick Hamala Baradfi, Aboubakar Baradfi, Ibrahim Baradfi e Marietou Yasmina Baradfi. São três meninos e uma menina. “Eu escolhi dois nomes, sendo o da minha mãe e o do meu pai. Meu marido também escolheu dois nomes do lado dele, com o nome do pai dele. No final, são três meninos e uma menina”, explicou. Antes do nascimento dos quadrigêmeos, Fataumata já tinha dois filhos: um menino de 11 anos e uma menina de cinco. As crianças permaneceram no Mali com o pai, que trabalha como comerciante. Quadrigêmeos recebem cuidados para ganhar peso Os quadrigêmos nasceram prematuros e pesam entre 1,3 kg e 1,5 kg. Após passarem por cuidados intensivos e intermediários, os quatro bebês foram encaminhados ao setor 'Método Canguru', no ICV, onde recebem acompanhamento para ganhar peso e avançar na alimentação. 🔎O Método Canguru é uma estratégia de assistência que estimula o contato pele a pele entre o bebê e a mãe ou outro familiar autorizado. A prática favorece o vínculo afetivo, ajuda a manter a temperatura corporal e contribui para o desenvolvimento dos recém-nascidos. Fataumata com os quadrigêmeos e enfermeira Janinne Vivian /g1 A enfermeira Morgana Morais, que monitora a rotina dos recém-nascidos no setor, explicou que a equipe acompanha a alimentação, o ganho de peso e os cuidados diários dos bebês. "Os bebês ficaram aos cuidados das equipes e, à medida que foram melhorando, foram encaminhados para o setor Canguru, onde são acompanhados para o ganho de peso. Nesse setor, temos um acompanhamento mais próximo para avaliar a alimentação e os cuidados diários. O contato com a mãe faz toda a diferença nesse momento”, destacou a enfermeira. Segundo Michelly Honório, enfermeira coordenadora do setor do Método Canguru, uma das estratégias adotadas pela equipe é organizar o contato pele a pele de dois bebês por vez. A medida permite que Fataumata tenha esse momento com cada filho sem ficar sobrecarregada durante os cuidados com os quatro recém-nascidos. "Muitas vezes a gente acha mais viável que ela faça esse método Canguru de dois em dois bebês. Enquanto dois estão dormindo, ela fica com dois bebezinhos no Canguru. Fica mais ou menos uma hora com os bebês. E depois a gente faz a troca, faz a permuta dos bebês”, explicou Michelly. Os quadrigêmeos também estão aprendendo a sugar o leite. Enquanto desenvolvem essa habilidade, recebem alimentação por sonda, com leite materno e leite humano pasteurizado. São oferecidos 25 ml a cada três horas, divididos em duas etapas para reduzir o risco de regurgitação. O Banco de Leite Humano participa do acompanhamento nutricional. Fataumata Baradfi recebendo cuidados médicos no Instituto Cândida Vargas, em João Pessoa Janinne Vivian / g1 A médica Camila Medeiros, responsável pelo parto, informou que Fataumata recebe acompanhamento diário e que a equipe de neonatologia monitora a evolução clínica e o ganho de peso dos quatro bebês. “A paciente encontra-se bem e segue acompanhada em nossa enfermaria do Método Canguru, junto aos seus quatro bebês. A mãe recebe visita médica obstétrica diariamente, em um acompanhamento integrado com a equipe de neonatologia, que monitora a evolução clínica e o ganho de peso dos pequenos, preparando-os para, no momento oportuno, receberem alta hospitalar com segurança”, explicou. Segundo a equipe, ainda não há previsão de alta hospitalar. A liberação depende da evolução clínica dos recém-nascidos e da avaliação das equipes responsáveis pelo acompanhamento. Fataumata Baradfi recebendo cuidados médicos no Instituto Cândida Vargas, em João Pessoa Janinne Vivian / g1 Além dos cuidados médicos, a família precisa de ajuda para atender às necessidades diárias dos quatro bebês. Os recém-nascidos usam, em média, 36 fraldas por dia, e a família pede doações de fraldas e roupas para as crianças, que podem ser entregues no setor de Assistência Social do Instituto Cândida Vargas, em João Pessoa. Primeiro parto de quadrigêmeos da história do ICV Instituto Cândida Vargas (ICV), em João Pessoa Janinne Vivian O nascimento dos quatro bebês foi o primeiro parto de quadrigêmeos realizado na história do Instituto Cândida Vargas (ICV), em João Pessoa. A gestação exigiu a organização de uma equipe multidisciplinar para atender à mãe e aos quatro recém-nascidos prematuros. Segundo a unidade de saúde, Fatamauta chegou à unidade com registros limitados do acompanhamento pré-natal e recebeu o primeiro atendimento no local em 8 de setembro, quando passou a contar com assistência pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

FONTE: https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2026/11/01/africana-que-deu-a-luz-a-quadrigemeos-em-joao-pessoa-relata-surpresa-com-gravidez-e-rotina-apos-o-parto.ghtml


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