Fim do passe livre estudantil em Sorocaba pode dificultar permanência de jovens nos estudos, dizem especialistas
02/02/2026
(Foto: Reprodução) Reajuste na tarifa do transporte público de Sorocaba começa a valer nesta sexta-feira
O fim do passe livre estudantil em Sorocaba (SP) entrou em vigor na sexta-feira (30). Agora, estudantes voltam a pagar R$ 2,65 na passagem de ônibus na cidade. A mudança afeta cerca de 50 mil alunos que usavam o benefício.
Segundo especialistas, o gasto adicional pode dificultar a permanência nos estudos, tanto no ensino básico quanto no superior. Movimentos sociais se organizam para tentar conversar com a prefeitura.
📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp
"Eu estudo em período integral, das 8h até as 18h, e moro longe da faculdade então fico direto. E esse reajuste dificulta muito. Tem gente que até consegue arrumar um emprego noturno, mas fica difícil conciliar com os estudos", diz o estudante Bruno Fusco Beltrami.
Uma pesquisa do Serasa mostra a situação financeira dos universitários brasileiros:
66% estão endividados e já cortaram itens básicos para pagar mensalidade;
48% tiveram que trancar o curso por não conseguir pagar as mensalidades em dia;
85% são os responsáveis sozinhos pelas despesas dos estudos.
Fábio Fernandes, mestre em educação, fala sobre o fim do passe livre estudantil em Sorocaba (SP)
TV TEM/Reprodução
Fábio Fernandes, mestre em educação, alerta que muitos estudantes vão ter que escolher entre pagar contas, se alimentar ou continuar os estudos. Segundo ele, a medida pode empurrar os mais pobres para fora do sistema educacional.
"Existe um abismo financeiro onde as necessidades básicas, como moradia, transporte, alimentação e vestimenta, funcionam como âncoras. Se o preço do aluguel sobe ou a tarifa do ônibus aumenta, o orçamento, que já é no limite, colapsa. O aluno se vê em um dilema cruel: ou paga o deslocamento para chegar na aula ou garante a refeição do dia", explica.
"Nisso, o estudante acaba abandonando o curso, não por falta de talento, mas porque a logística de sobrevivência se tornou financeiramente insustentável", completa.
Para a socióloga Marcélia Valente, reajuste também afeta acesso à cultura e lazer
TV TEM/Reprodução
Para a socióloga Marcélia Valente, a cobrança, além de afetar a relação dos jovens que o ensino, também limita o acesso à cultura e lazer.
"Nós vemos claramente que os interesses econômicos estão sobrepostos aos sociais. Isso prejudica a nossa dignidade urbana, do acesso aos bens culturais. Porque, além de impedir que o aluno frequente a escola, impede que ele acesse lazer, cultura e práticas esportivas", explica.
Entenda o caso
O passe livre estudantil em Sorocaba começou a valer em janeiro de 2025. A prefeitura, que acumula uma dívida de mais de R$ 700 milhões, decidiu encerrar o benefício alegando dificuldades financeiras.
A medida gerou reação e foi parar na Câmara de Vereadores. No começo deste ano, uma audiência pública reuniu estudantes, pais e representantes do poder público. Foi entregue um abaixo-assinado com mais de 1.700 assinaturas contra o fim do passe livre.
A preocupação é que a volta da cobrança pese no bolso dos estudantes e aumente a evasão escolar.
Fim do passe livre estudantil em Sorocaba pode dificultar permanência de jovens nos estudos
Prefeitura de Sorocaba/Divulgação
Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí
VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM