Filhas suspeitas de feminicídio viam a mãe como 'embaraço' ao padrão de vida desejado, diz delegado
10/04/2026
(Foto: Reprodução) Compra de celular e convite para fazer compras: como filhas planejaram feminicídio da mãe
Déborah de Oliveira Ribeiro e Roberta de Oliveira Ribeiro viam a mãe, Deise Carmem de Oliveira Ribeiro, como um "embaraço", segundo o delegado. Investigações apontaram que as filhas dependiam da mãe para manter um determinado padrão de vida. Isso teria motivado o assassinato de Deise para que pudessem ter o controle total sobre as finanças da família.
As duas irmãs foram indiciadas por feminicídio e ocultação de cadáver. O pai, José Roberto Ribeiro, não teve participação direta no homicídio, mas foi indiciado por eliminar provas do caso para atrapalhar as investigações.
"Um dos conflitos maiores foi o pai ter dado um cartão para uma das filhas para ela gastar, e a mãe não concordava com isso. Então as filhas viam a mãe como um embaraço na vida delas. A partir do momento em que a mãe faltasse, elas iam ter total controle, porque o pai, além de ser "bom para elas", ele não ia tentar fazer esse controle, ele não ia controlar as despesas, a questão financeira, e isso [a empresa] ia passar para elas e elas iam ter total controle", explicou o delegado João Paulo Sousa Ribeiro.
A defesa de Déborah, Roberta e José Roberto afirmou que o relatório policial possui "lacunas fundamentais" e que a narrativa carece de lastro probatório técnico em diversos pontos. A defesa informou que tomará as medidas legais para assegurar o contraditório (veja nota completa abaixo).
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O caso foi tratado como feminicídio porque a morte de Deise ocorreu no contexto de violência doméstica e familiar. Débora e Roberta seguem presas preventivamente. José Roberto foi solto para responder em liberdade.
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Assassinato planejado
Deise Carmem de Oliveira Ribeiro tinha 55 anos
Reprodução/Gurupi Memes
No dia 26 de dezembro de 2025, a empresária foi levada para uma área rural de Peixe, onde foi morta a facadas e teve o corpo jogado no Rio Santa Tereza. Daise foi dada como desaparecida e, dias depois, o corpo foi encontrado boiando no rio, no dia 1º de janeiro de 2026.
Antes do assassinato, as filhas haviam comprado um celular, que cadastraram no nome da mãe. De acordo com a investigação, o aparelho foi usado pelas filhas para mandar mensagens parentes, se passando pela Daise. A intenção era mentir para os familiares, criando um cenário em que a empresária teria ido embora por conta própria, para atrasar as buscas.
Compra de celular e convite para fazer compras: como filhas planejaram feminicídio da mãe, segundo a polícia
Déborah de Oliveira, Roberta de Oliveira e José Roberto foram presos em fevereiro de 2026. Dois meses depois, os três foram indiciados pela Polícia Civil.
Íntegra da nota da defesa
A defesa técnica de Déborah de Oliveira Ribeiro, Roberta de Oliveira Ribeiro e Jose Roberto Ribeiro, diante da recente conclusão das investigações conduzidas pela Polícia Civil do Estado do Tocantins e das solicitações de pronunciamento enviadas por este veículo de comunicação, vem a público esclarecer que recebeu com absoluta serenidade o relatório final apresentado pela autoridade policial em 1º de abril de 2026.
A conclusão do inquérito é uma etapa natural do rito processual e, para os investigados, representa o início da oportunidade de confrontar judicialmente as hipóteses levantadas na fase inquisitorial.
É imperativo reconhecer o excelente e exaustivo trabalho desempenhado pela Polícia Judiciária e pela Superintendência da Polícia Científica do Estado do Tocantins. Contudo, muito embora o esforço investigativo seja notório, a defesa sublinha que inúmeras lacunas fundamentais restam a ser preenchidas. A narrativa policial, em diversos pontos, carece de lastro probatório técnico e se baseia em interpretações que serão devidamente contestadas no foro adequado.
A defesa destaca que a própria autoridade policial, em seu relatório final, admitiu não ter reunido elementos suficientes para vincular Jose Roberto à execução do homicídio ou à ocultação do cadáver. O indiciamento deste restringe-se exclusivamente a uma suposta supressão de mensagens digitais, o que afasta, de plano, qualquer participação nos crimes investigados.
A defesa tomará todas as medidas legais cabíveis assegurando que o contraditório e a ampla defesa sejam exercidos em sua plenitude. Confiamos que, sob o crivo do Poder Judiciário e com a devida paridade de armas, as lacunas hoje existentes serão sanadas, restabelecendo-se a justiça e a verdade real sobre os fatos.
A defesa permanece à disposição das autoridades e da sociedade, reiterando o compromisso com a legalidade e a presunção de inocência.
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