Filas em ano eleitoral levaram governo Lula a trocar comando do INSS
13/04/2026
(Foto: Reprodução) Presidente do INSS Gilberto Waller é demitido; Ana Cristina Viana Silveira assume o cargo
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu trocar o comando do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) porque as filas de pessoas em busca de benefícios estavam desgastando a imagem do governo e podem ser exploradas na campanha eleitoral.
Na avaliação de Lula, Gilberto Waller foi importante para colocar a casa em ordem depois da eclosão do escândalo de desvios de aposentadorias e pensões. Mas, para o presidente, ele não conseguiu fazer o serviço de casa, por não ser alguém do setor.
Segundo a equipe de Lula, é preciso reagir rapidamente a tudo o que está desgastando a imagem do governo neste momento em que a campanha eleitoral se aproxima.
Lula prometeu durante sua campanha em 2022 acabar com as filas, mas elas cresceram.
A percepção no Palácio do Planalto é de que o governo tem de lidar com um duplo desgaste: o escândalo do INSS com o desvio do dinheiro de aposentados e pensionistas; e, também, o crescimento das filas.
A nova presidente do INSS, Ana Cristina Silveira, é classificada como alguém que tem experiência e serviço prestado para agilizar os serviços do INSS e pode contribuir na busca pela redução de filas.
Antes de assumir a presidência, Ana Cristina era secretária-executiva adjunta do Ministério da Previdência Social.
Gilberto Waller Júnior foi nomeado presidente do instituto em 30 de abril do ano passado, em meio a um escândalo de fraudes na Previdência Social.
O agora ex-presidente do INSS Gilberto Waller Júnior
Jornal Nacional/ Reprodução
Ele passou a ocupar a função uma semana após a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que revelou um esquema bilionário de desvios por meio de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
🔎As investigações revelaram um esquema criminoso para realizar descontos irregulares de valores recebidos por aposentados e pensionistas do INSS, ocorridos no período de 2019 a 2024. Os desvios, conforme as investigações, podem chegar a R$ 6,3 bilhões.
Na ocasião, o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi afastado e demitido em abril. Em novembro, foi preso. Outros cinco servidores da cúpula do órgão também foram afastados por decisão judicial, e posteriormente, detidos pela polícia.