Feira do Paraguai em Caruaru pode mudar de lugar após Sesc pedir desocupação do terreno
20/08/2026
(Foto: Reprodução) Feira do Paraguai, em Caruaru
TV Asa Branca
Os feirantes da Feira do Paraguai, em Caruaru, terão que deixar o terreno onde trabalham atualmente, que pertence ao Serviço Social do Comércio (Sesc). A instituição informou que a área será revitalizada e que o projeto prevê um estacionamento. A possibilidade de transferência para a Feira da Fundac é uma das alternativas apresentadas aos comerciantes.
A Feira do Paraguai reúne, segundo estimativa de Lenilson Torres, proprietário da Feira da Fundac, entre 400 e 500 comerciantes. Para os feirantes, a principal preocupação é saber para onde irão e se o novo espaço terá estrutura e movimento suficientes para garantir a continuidade das atividades e da renda das famílias que dependem do comércio.
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“Desde que a feira foi colocada aqui nesse local, ninguém veio para poder fazer nada. Não tem uma estrutura adequada, não tem algo que venha melhorar a situação da gente. E agora receber a notícia de que a feira do Paraguai vai sair. Então aqui é o ganha-ponto de muita gente, são mais de 500 famílias aqui”, afirmou o feirante Lucas Fernandes em entrevista à TV Asa Branca.
Segundo Lucas, os comerciantes ainda não sabem qual será o destino da feira. “E chegar numa situação dessa é uma situação muito precária, porque a gente infelizmente está sem saber para onde é que a gente vai”, disse.
Outro feirante, Jucelino da Silva, que afirma trabalhar no local há 50 anos, questiona a possibilidade de transferência para um espaço particular. Para ele, os comerciantes deveriam ter acesso a uma área pública para continuar trabalhando.
“Para a gente ir lá para aquele privado, a gente não quer. Porque o privado, além de ser mais caro, deixa a gente na mão. Será que eu vou ter o mesmo movimento lá? Tem gente que não tem o movimento, não vai conseguir pagar”, disse.
Feira da Fundac oferece espaço aos comerciantes
Uma das alternativas apresentadas aos feirantes é a transferência para a Feira da Fundac. Segundo Lenilson Torres, proprietário do espaço, os comerciantes não são obrigados a fazer a mudança e podem avaliar outras opções.
“Procuramos os feirantes, os que quisessem vir para cá, eles ficam à vontade, eles não são obrigados. Eles têm outras opções se quiserem”, afirmou em entrevista à TV Asa Branca.
Para facilitar a transferência, a Feira da Fundac informou que não cobrará taxa dos novos ocupantes até o fim de 2026. A cobrança está prevista para começar em janeiro de 2027, com valor de R$ 60 por feira, segundo Lenilson Torres.
“Aqui você paga um valor de 60 reais. É um valor único. Lá eles pagam à prefeitura, pagam ao banco, pagam a pessoa que coloca energia. Normalmente eles pagam os carroceiros que trazem a mercadoria e levam de volta. Ou aluguel de carro ou carro próprio, que também tem custo. E também a segurança”, explicou.
Segundo Lenilson Torres, alguns feirantes chegam a gastar entre R$ 60 e R$ 65 por feira no modelo atual, considerando diferentes despesas relacionadas à atividade. Ele afirma que o valor cobrado na Feira da Fundac ficaria dentro dessa faixa.
Ele afirmou que os comerciantes que decidirem pela mudança podem começar a ocupar os espaços da Feira da Fundac antes mesmo da liberação da licença de construção do projeto do Sesc.
A Feira da Fundac funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, e aos sábados, das 7h às 11h, de acordo com as informações repassadas pelo proprietário.
Lenilson Torres afirmou que aproximadamente dois terços dos feirantes da Feira do Paraguai já estão na Feira da Fundac ou fizeram cadastro para ocupar um espaço no local.
“Nós já temos hoje dois terços, aproximadamente, deles já estão aqui ou se cadastraram para vir para cá”, afirmou.
Projeto prevê estacionamento e espaço para feiras
O Sesc em Pernambuco confirmou que o terreno onde funciona atualmente a Feira do Paraguai pertence à instituição e informou que a área será revitalizada. O projeto prevê a construção de um estacionamento com três pisos.
Segundo o Sesc, o primeiro piso será destinado à realização de feiras e terá estrutura e infraestrutura para atender expositores e compradores. O espaço poderá receber diferentes tipos de feira, inclusive a que funciona atualmente no terreno.
Sobre a taxa de ocupação do espaço, o Sesc informou que não recebe repasse referente ao valor pago pelos ocupantes. A instituição também não informou, no material apresentado, quando a obra deverá começar ou qual será o prazo para conclusão.
O g1 entrou em contato com a Prefeitura de Caruaru e não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.