Famílias desabrigadas pela cheia do Rio Juruá começam a voltar para casa em Cruzeiro do Sul
09/04/2026
(Foto: Reprodução) Famílias desabrigadas pela cheia do Rio Juruá começam a voltar para casa em Cruzeiro do Su
Trinta e nove famílias desabrigadas pela cheia do Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, voltaram para casa na tarde desta quarta-feira (8) com a vazante do manancial. Os moradores estavam instalados em duas escolas. Ainda seguem 23 famílias em abrigos.
👉 Contexto: a cheia do manancial afeta bairros e comunidades do município e fez com que 59 famílias fossem levadas a abrigos montados na cidade, bem como outras três levadas a casa de parentes. No total, cerca de 28.350 pessoas foram afetadas, direta ou indiretamente, o que totaliza 7.087 famílias em 12 bairros da zona urbana, 15 comunidades rurais e três vilas. Em razão desta situação, o governo estadual decretou emergência no domingo (5).
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O nível do rio segue baixando e chegou a 13,30 metros às 18 horas desta quarta. Mesmo com o manancial acima da cota de transbordo, que é 13 metros, a volta para casa foi iniciada pela Defesa Civil Municipal.
Famílias indígenas que estavam naEscola Estadual Cívico-Militar Madre Adelgundes Becker, no bairro Miritizal deixaram abrigo
Arquivo/Defesa Civil de Cruzeiro do Sul
Segundo o órgão, saíram 34 famílias indígenas que estavam na Escola Estadual Cívico-Militar Madre Adelgundes Becker, no bairro Miritizal, e cinco famílias da Escola Padre Arnoud, na AC-405, bairro Nossa Senhora das Graças.
Ainda conforme a Defesa Civil Municipal, mais de 150 pessoas conseguiram voltar para casa nesta quarta. Na saída dos abrigos, os moradores receberam sacolões e kit de limpeza da prefeitura.
Famílias tiveram assistência da Defesa Civil Municipal no retorno para casa
Arquivo/Defesa Civil de Cruzeiro do Sul
Enchente
A cota de transbordo foi ultrapassada na última segunda-feira (30) e o manancial está nesta situação há mais de uma semana. Na última sexta (3), o rio havia registrado 14,10 metros e, naquela ocasião, 19,6 mil pessoas estavam afetadas. Esta já é a quarta vez que o rio transborda somente este ano.
A remoção dos moradores teve início na tarde de terça (31). No abrigo é fornecido café da manhã, almoço, jantar e atendimento social. Além da remoção para os abrigos, também foi feita a suspensão da energia elétrica para 186 famílias. O abastecimento de água potável também foi interrompido.
Historicamente, o período de maior ocorrência de cheias em Cruzeiro do Sul é entre o fim de fevereiro e o início de março, mas há registros também ao longo de abril. Nos últimos anos, as primeiras retiradas de famílias costumam ocorrer quando o rio atinge entre 13,50 metros e 13,60 metros.
Mais de quatro mil galões de água foram distribuídos para as famílias que saíram de casas na enchente. A distribuição é feita pela Defesa Civil Municipal nos bairros alagados pela enchente.
A prefeitura informou que, na segunda (6), foram entregues 1,1 mil galões de água mineral nos bairros do Miritizal de Cima, Várzea, Beiradão do Rio e Comunidade do Laguinho. Segundo a gestão da cidade, já foram distribuídos 4,4 mil galões em diversos bairros afetados pela enchente.
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De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Cruzeiro do Sul, Júnior Damasceno, a entrega de água potável para as famílias deve continuar até o fim de semana. A distribuição de galões é uma forma de abastecimento alternativo, que busca garantir água segura para consumo e uso doméstico.
”Vários bairros já foram contemplados, como o Miritizal,Lagoa, Boca do Moa, Estirão do Remanso, Olivença, Humaitá do Moa e demais comunidades afetadas pela inundação. A entrega de água potável vai se estender até o final desta semana com as equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiro", informou.
Apesar do recuo, Rio Juruá segue acima da cota de transbordo que é de 13 metros
Carla Carvalho/Rede Amazônica Acre
Decreto de emergência
Devido às cheias de rios em várias regionais do estado, o governo do Acre decretou situação de emergência em seis municípios. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE) do último domingo (5).
O decreto cita emergência de nível 2 e abrange as cidades de Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro. Após a publicação, a medida segue para reconhecimento pelo governo federal.
Estes municípios estão com os respectivos rios em situação de emergência, atingindo a cota de alerta ou transbordamento, ou em estado de atenção por receberem influências de outros mananciais.
Rio Juruá já atinge mais de 28 mil pessoas em Cruzeiro do Sul
Histórico das cheias
No dia 17 de janeiro deste ano, o município passou por uma cheia que afetou cerca de 1.650 famílias, o que correspondia a, aproximadamente, 6,6 mil pessoas. Deste total, ao menos 139 famílias ficaram sem energia elétrica e, consequentemente, sem acesso à água potável. Cinco dias depois, no dia 22, o manancial saiu do cenário de alerta máximo.
Já no dia 31 de janeiro, o Rio Juruá também ultrapassou a cota de transbordo ao atingir 13,12 metros. Dias depois, em 2 de fevereiro, o nível chegou a 13,49 metros e também manteve o município em alerta máximo, segundo a Defesa Civil Municipal. Na ocasião, mais de 6 mil moradores foram afetados direta ou indiretamente pela cheia.
A última enchente ocorreu no dia 24 de fevereiro, há mais de um mês, quando o manancial marcou 13,17 metros e atingiu nove bairros e oito comunidades rurais.
Além disso, a prefeitura decretou situação de emergência no dia 20 de janeiro e a publicação foi feita seis dias depois, após uma sequência de chuvas intensas que provocou o transbordamento dos rios da região e afetou a rotina de moradores da zona urbana e rural.
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