Ex-reitor investigado por corrupção e agressão à mulher é nomeado para cargo no MP de Contas de RR
02/02/2026
(Foto: Reprodução) Regys Odlare Lima de Freitas ocupa o alto escalão do governo de Roraima
Reprodução/CGE/Arquivo
Regys Odlare Lima de Freitas, ex-reitor da Universidade Estadual de Roraima (UERR), foi nomeado para um cargo comissionado no Ministério Público de Contas de Roraima (MPC). A portaria com a nomeação foi publicada na edição do dia 28 de janeiro do Diário Oficial do Estado.
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A portaria diz que Regys Freitas vai ocupar a função de Assessor Especial DAS-3. Consta no site do MPC que o salário pago para esse cargo é de R$ 12.907,64. O documento, prevê ainda que a nomeação tem validade retroativa a partir de 1º de janeiro de 2026.
Ao g1, o MP de Contas informou que Regys vai atuar na área de cursos e treinamentos, sem atuação junto a procuradores ou participação acompanhamento de processos de contas. Segundo o MPC, a função não envolve atividades técnicas, decisórias ou de fiscalização, preservando a autonomia e legalidade institucional do órgão. Leia na íntegra abaixo.
O ex-reitor também foi procurado, mas não houve retorno até a última atualização da reportagem.
Operação da PF
Em outubro de 2025, Regys Freitas e outras 8 pessoas foram alvos de uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga um esquema de fraude e corrupção em vestibulares de medicina e concursos públicos da instituição.
As investigações apontaram indícios de manipulação de resultados de provas, com favorecimento indevido de candidatos por meio de acesso privilegiado às provas com direcionamento de vagas. A Operação Meritum ocorreu na sede administrativa da UERR.
O Ministério Público de Contas é o órgão responsável pela fiscalização jurídica e financeira das contas públicas e atua junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RR).
Quem é Regys Freitas
Reitor da UERR por oito anos, advogado, ex-policial civil e doutor em Direito, Regys Odlare Freitas assumiu a reitoria em 2015, ainda na gestão da ex-governadora Suely Campos (PP), e foi reeleito em 2019.
Durante sua administração, acumulou polêmicas e embates internos com professores e servidores.
Ele também é suspeito de agredir e ameaçar a ex-esposa, uma estudante de medicina. A Justiça concedeu medida protetiva que o proibiu de se aproximar da vítima.
Segundo a decisão, Regys teria feito ameaças, xingamentos e vazado conversas íntimas da ex-mulher. O ex-reitor negou as acusações e afirmou à época que a decisão se baseou “exclusivamente na palavra da mulher”.
Em janeiro de 2024, Regys foi nomeado controlador-geral do Estado de Roraima pelo governador Antonio Denarium (PP), cargo com status de secretário de Estado. Ele foi exonerado no mesmo dia em que se tornou alvo da Operação Cisne Negro, em abril deste ano.
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Outras operações
Essa não foi a primeira vez que a Polícia Federal mira a UERR. Em agosto de 2023, a corporação deflagrou a Operação Harpia, que apreendeu R$ 3,2 milhões em dinheiro vivo escondidos em sacos de lixo, em Boa Vista. A ação investigava um esquema de pagamento de propina envolvendo uma empresa de engenharia e a universidade.
Em abril de 2025, a PF voltou a cumprir mandados na instituição e teve como alvos o ex-reitor Regys Freitas e o atual gestor, Cláudio Travassos. Eles são investigados por suspeita de desviar mais de R$ 100 milhões em licitações da universidade.
Na ocasião, a Justiça determinou o uso de tornozeleira eletrônica por Regys e bloqueou bens, incluindo carros de luxo, gado e até um avião.
O que diz o MPC sobre a nomeação
O Ministério Público de Contas do Estado de Roraima (MPC/RR) esclarece informações complementares sobre a nomeação do ex-reitor da Universidade Estadual de Roraima, Régys Odalire Lima de Freitas.
O servidor não atuará em cargo de assessoria de nenhum procurador, tampouco exercerá funções ligadas à análise, instrução ou acompanhamento de processos de contas. Sua atuação como assessor especial será exclusivamente na área de cursos e treinamentos, onde possui vasta experiência, em atividade totalmente alheia às atribuições finalísticas do MPC/RR.
O MP de Contas informa ainda que o Departamento de Recursos Humanos do órgão confirmou que o nomeado apresentou todas as certidões cíveis exigidas, não havendo qualquer impedimento ou proibição judicial que o impeça de ocupar cargo público.
O MPC/RR reforça que a função exercida por Régys Freitas não possui relação com atividades técnicas, decisórias ou de fiscalização, preservando integralmente a autonomia, a legalidade e a atuação institucional do órgão.
Veja reportagem sobre o ex-reitor:
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Em atualização*