Exposição em Salvador (BA) reúne centenas de obras de Vik Muniz, um dos artistas brasileiros mais importantes da atualidade
20/02/2026
(Foto: Reprodução) Exposição de Vik Muniz em Salvador tem obras nunca vistas no Brasil
Uma exposição, em Salvador, está reunindo centenas de obras de um dos artistas brasileiros mais importantes da atualidade. Vik Muniz levou inclusive trabalhos que ainda não tinham sido exibidos no Brasil.
A Mona Lisa em dose dupla segue o padrão já conhecido em todo o mundo: o uso de elementos inesperados – geleia e pasta de amendoim. Depois, a fotografia e a reprodução. Do Caribe, as fotos das crianças foram refeitas com açúcar. O imperador francês Napoleão foi recriado com chocolate.
“Ele tende a pegar materiais presentes no nosso dia a dia e reproduzir imagens que a gente já conhece. Eu acho que isso tem sido algo que me tocou bastante aqui”, diz o estudante Matheus Matos.
Entre as 200 obras, esculturas de personagens populares, fotografias conceituais e instalações que ficaram famosas, como o sarcófago inusitado. Três nunca tinham sido vistas no Brasil estão na mostra.
“A exposição é muito completa. A gente tentou completar com algumas coisas que haviam sido feitas antes, mas ela ilustra de uma forma significante uma parte que representa muito a minha produção. Eu estou muito feliz de estar aqui em Salvador com ela”, afirma o artista plástico Vik Muniz.
Exposição em Salvador (BA) reúne centenas de obras de Vik Muniz
Jornal Nacional/ Reprodução
Em 2002, Vik Muniz passou uma temporada em áreas de mineração no interior de Minas Gerais. O resultado: com ajuda de tratores, o artista criou figuras gigantes no solo. Depois, de um helicóptero, fotografou esses desenhos. São objetos do dia a dia: uma tomada, um cachimbo, um par de dados, uma torneira.
"Vik é um artista pop, mas do pop popular, do popular brasileiro, aquele que utiliza os elementos do dia a dia e que transforma tudo isso em arte. Isso faz dele tão especial", afirma Daniel Rabgel, curador da exposição e diretor do museu.
O artista que criou figuras com lixo, todo tipo de material não perecível, e, no outro extremo, homenageou estrelas do cinema com diamantes emprestados por um colecionador, não quer apenas que sua arte seja vista. Esse universo todo também precisa ser acessível.
“Essa exposição, de uma certa forma, confunde o espectador, porque tem mudanças de escala, mudanças de material, coisas físicas. Cria um pouco essa sensação de ambiguidade que eu estou tentando passar nas fotos, e ela passa para a exposição inteira. Minha preocupação é conversar com o maior público possível, independente da familiaridade que eles têm com a arte contemporânea”, explica Vik Muniz.