Ex-marido é condenado a 25 anos de prisão por morte de estudante de enfermagem queimada viva no Rio
29/01/2026
(Foto: Reprodução) A estudante Raphaela Salsa Ferreira, de 38 anos; laudo indica que ela foi queimada ainda viva. Ex-marido foi preso.
Arquivo pessoal
A Justiça do Rio condenou Vagner Dias de Oliveira a 25 anos de prisão em regime fechado pela morte da estudante Raphaela Salsa Ferreira Dias de Oliveira, em um júri popular nesta quarta-feira (29). O homem foi absolvido da acusação de ocultação de cadáver.
A mulher tinha 38 anos quando foi encontrada carbonizada depois de sumir na Zona Oeste do Rio em 2023. O ex-marido foi preso na mesma semana e permaneceu preso durante todo o processo. Agora, ele passa a cumprir a pena a que foi condenado.
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O laudo de exame de necropsia apontou que ela foi queimada viva. Segundo o laudo, havia vestígios de fuligem na língua, e há indícios que ela foi queimada viva até asfixiar com a fumaça. Depois disso, o corpo foi carbonizado.
"O perito estima que a morte se deu por intoxicação pela fumaça concomitante à carbonização e asfixia por ação bioquímica e térmica. O evento térmico se deu com a vítima viva", diz um trecho do relatório.
No julgamento desta quarta, foram ouvidas testemunhas de acusação, entre elas a filha da vítima e frentistas. Segundo a investigação, um dos frentistas recebeu a ligação para separar o combustível usado no crime.
O primeiro a depor foi o homem que emprestou o carro em que Raphaela foi vista pela última vez. Ele relatou que o veículo, movido a GNV, foi abastecido no momento em que o pegou emprestado.
A testemunha também reconheceu o carro em imagens de câmeras de segurança e afirmou que o réu chegou a pedir que ele não utilizasse o veículo após o desaparecimento da vítima.
Além disso, a filha da vítima relatou no júri que o ex-padrasto queria retomar o casamento e que conhecia a rotina da mulher, que sumiu depois de deixar o curso. A jovem reconheceu o réu nas imagens em que ele aparece perto da unidade escolar e depois seguindo o carro de aplicativo em que a mãe havia entrado.
Ela também relatou agressões anteriores, sendo uma em 2014, e um comportamento controlador.
A filha ainda ressaltou que o réu ajudou por dois dias na procura pela vítima enquanto o caso ainda era tratado como sumiço. Raphaela sumiu em uma quinta feira e o corpo dela foi achado no domingo. Nesse tempo, o Vagner ajudou nas buscas.
Uma outra testemunha confirmou que Raphaela tinha medo que o ex soubesse do seu novo relacionamento.
O que disse o réu
O réu optou por não responder perguntas da juíza, do Ministério Público nem da assistência de acusação, somente da sua própria defesa.
No relato, ele nega que tenha assassinado a vítima e que também não pegou o carro emprestado com o frentista pois estava usando o seu próprio. Todos os outros depoimentos apontam que ele disse que o carro estava na oficina.
Ele também confirmou que ajudou nas buscas, indo até o Instituto Médico Legal no dia que o corpo foi reconhecido. Antes, ele afirma ter rodado em unidades de pronto atendimento.
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Reprodução
Passado de ciúmes
Familiares disseram que a estudante Raphaela tinha medo de Vagner, com quem se relacionou por 14 anos e teve dois filhos. Em depoimento à polícia, a filha, a prima e o atual namorado da vítima confirmaram que ela temia as reações do ex-marido por causa de ciúmes.
Segundo a filha mais velha de Raphaela, se Vagner soubesse do então atual relacionamento da mãe poderia não “controlar a indignação e fazer alguma coisa de muito ruim” com ela.
A jovem disse que o ex-padrasto acreditava em um retorno do casamento e não se conformava com a separação. Vagner estava separado da vítima havia aproximadamente três meses.
O atual namorado de Raphaela também confirmou à polícia que o relacionamento estava sendo mantido escondido do ex-marido.
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Investigação
As investigações apontam que Raphaela foi levada, segundo a polícia, por Vagner quando chegava em casa na Praça Seca. Segundo a família, a vítima havia acabado de sair de uma aula no bairro Pechincha e ia para casa em um carro de aplicativo.
De acordo os investigadores, a vítima estava no carro quando Vagner foi ao posto de gasolina comprar um galão do combustível. A suspeita é de que ela já estivesse desacordada. O corpo da estudante foi reconhecida pela arcada dentária e por algumas tatuagens.
Segundo as investigações, Vagner comprou a gasolina por volta das 22h. Ele teria ligado antes para o posto pedindo a reserva de um galão.
O corpo da mulher foi encontrado na BR-101 parcialmente carbonizado em meio a mata por um caminhoneiro, que acionou a Polícia Rodoviária Federal. O local onde o corpo foi encontrado fica a mais de 40 quilômetros de sua casa.