Executor de homicídio no MA diz que Daniel Brandão participou de 'emboscada' e que versão foi 'ensaiada' na polícia

  • 18/08/2026
(Foto: Reprodução)
Em depoimento à Polícia Federal, Gilbson Júnior — condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira de Oliveira em 2022 — afirmou que o crime ocorreu após uma espécie de "emboscada" que contou com a participação direta de Daniel Brandão, conselheiro e presidente afastado do Tribunal de Contas do Maranhão (TCE-MA). Gibson Júnior relatou ainda que sua versão inicial sobre o caso foi "ensaiada na mesa do delegado" da Polícia Civil para proteger a família do governador Carlos Brandão. Trechos do depoimento de Júnior constam na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento cautelar de Daniel Brandão do cargo por 180 dias. Daniel é sobrinho do governador. Nesta segunda-feira (17), o conselheiro divulgou um comunicado em que comenta o afastamento e afirma sua "absoluta inocência" (leia nota na íntegra abaixo). Dino determina afastamento de presidente do TCE do MA A convocação e a 'emboscada' O executor foi ouvido pela Polícia Federal em fevereiro de 2026. Segundo o relato, Daniel Brandão teria mantido contato telefônico direto para convocá-lo para uma reunião no Edifício Tech Office, em São Luís, que serviria para discutir ações do que a PF classifica como uma organização criminosa voltada ao desvio de verbas públicas. Ao chegar no local, Gibson Júnior diz ter sido orientado por Daniel a entrar em um carro e ouviu do conselheiro: “Ó, é para fazer do jeito que o tio disse”. Ao questionar o que estava acontecendo e se recusar a entrar no veículo, ele afirma que Daniel respondeu apenas que ele deveria "se resolver" e se retirou do local momentos antes dos disparos. Júnior relatou que, ao perceber que seria morto pelo grupo, reagiu. “Aí eu viro, eu tiro uma pistola de dentro da bolsa e eu viro, atiro nele pela frente”, contou sobre o momento em que baleou João Bosco. Daniel Brandão, presidente afastado do Tribunal de Contas do Maranhão Divulgação/TCE-MA Fraude no inquérito e 'pagamentos pelo silêncio' Ainda no depoimento, Gibson Júnior classificou o inquérito policial realizado no Maranhão como uma “fraude processual enorme”. Segundo ele, a versão de que o tiro teria sido pelas costas foi inventada para incriminá-lo de forma mais grave e omitir o contexto da reunião. “Eles colocam que quando o Bosco já estava andando de costas, eu atirei nele. Eu atirei, todos os tiros foram pela frente”, afirmou. O executor revelou também que, logo após fugir do local, recebeu ligações de Daniel Brandão. “O Daniel me liga: 'cara, tu é doido e apaga tudo'. Disse: 'Rapaz, porra, tu me levou, tu me chamou pros caras me matar, Daniel'. 'Não, não, cara, pelo amor de Deus, some, some'”, diz trecho da transcrição. As investigações apuram se o assassinato tem ligação com desavenças sobre o pagamento de propinas. De acordo com Gilbson Júnior, o ex-secretário estadual Raimundo Cutrim teria atuado como interlocutor da Família Brandão, oferecendo ao seu pai "vantagens, dinheiro e casas" para que o nome de Daniel e de outros parentes do governador fossem retirados dos depoimentos. O ministro Flávio Dino destacou em sua decisão que houve uma "deliberada decisão" da Polícia Civil do Maranhão em não incluir Daniel Brandão na investigação inicial, apesar de sua presença ter sido captada por câmeras de segurança. O que dizem os citados Em nota, a defesa de Carlos Brandão afirmou que as citações ao nome do governador nas investigações são inconsistentes e criticou a atuação do STF no caso. Os advogados afirmam que a condução e a supervisão de investigações sigilosas pela Corte configuram usurpação da competência constitucional do Superior Tribunal de Justiça (STJ), gerando nulidade absoluta por violação ao princípio do juiz natural. Já Daniel Brandão divulgou o seguinte comunicado: Nota "Tomei conhecimento, por meio da imprensa, da decisão que determinou meu afastamento do cargo de Conselheiro-Presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão. Embora ainda não tenha sido oficialmente intimado de seu teor, recebo a notícia com profunda perplexidade. Reafirmo, de forma serena e categórica, minha absoluta inocência e minha confiança de que a verdade dos fatos será devidamente esclarecida. Desde o início, sempre estive e continuo inteiramente à disposição das autoridades e do Poder Judiciário para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários, tendo, inclusive, peticionado espontaneamente nos autos, colocando-me à disposição para ser ouvido. Sempre pautei minha atuação pelo respeito às instituições e ao Poder Judiciário. Por essa mesma razão, embora discorde profundamente da medida adotada, cumprirei integralmente a decisão judicial, ao mesmo tempo em que adotarei, pelos meios legais, todas as providências cabíveis para exercer plenamente meu direito de defesa e demonstrar a verdade dos fatos. Daniel Itapary Brandão Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão"

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/08/18/executor-de-homicidio-no-ma-diz-que-daniel-brandao-participou-de-emboscada-e-que-versao-foi-ensaiada-na-policia.ghtml


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