Ex-CEO da Hurb é alvo de ao menos 1.400 processos na área cível
11/01/2026
(Foto: Reprodução) MPRJ pede inclusão de ex-CEO do Hurb na lista vermelha da Interpol
João Ricardo Rangel Mendes, ex-CEO da agência de viagens Hurb, responde a diversos processos movidos por clientes que não conseguiram realizar viagens contratadas. Levantamento do RJ2 aponta que, apenas na esfera cível, ele é citado em pelo menos 1.400 ações judiciais.
Entre os clientes lesados está o conselheiro tutelar Matheus Faria, que há 2 anos aguarda uma viagem de lua de mel para Roma.
Matheus conta que a viagem tinha um significado especial.
“Para mim e para minha esposa era uma questão religiosa, nosso sonho era ir a Roma para receber a bênção do Papa."
Ele conta que pagou mais de R$ 4,5 mil pelo pacote adquirido junto à Hurb, antiga Hotel Urbano. Desconfiado de que a viagem não seria realizada, Matheus decidiu recorrer à Justiça.
A empresa foi condenada a emitir os vouchers, sob pena de multa diária.
“A Hurb não cumpriu com essa determinação. E uma vez que não existe mais os vouchers, virou perda e danos. Estamos pedindo para que os sócios façam esse pagamento, em especial o João”, fala o advogado André Luís Oliveira, que representa o casal.
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Descumprimento de cautelares
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O empresário foi preso pela primeira vez em abril do ano passado, em flagrante, ao furtar obras de arte de um hotel e peças de um escritório de arquitetura.
Quatro meses depois, a prisão foi substituída por medidas cautelares, sob o argumento de comprometimento da saúde mental.
Entre as determinações, João Ricardo deveria se apresentar mensalmente à Justiça, não poderia deixar o estado do Rio de Janeiro por mais de 30 dias e precisava entregar relatórios médicos todos os meses — o que, segundo o Ministério Público, deixou de ser cumprido.
Nesta semana, ele chegou a ficar preso por um dia em Jericoacoara, no Ceará, ao tentar embarcar em um voo para São Paulo. De acordo com as investigações, João Ricardo usava documento falso e a tornozeleira eletrônica estava descarregada.
Ele foi solto após audiência de custódia, mas, na quarta-feira (7), a Justiça do Rio determinou novamente a prisão.
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Reprodução
Na decisão, o juiz afirmou: "É evidente que a liberdade do acusado gera risco concreto à ordem pública, fato que justifica o seu retorno à cadeia".
Para a Justiça, João Ricardo descumpriu as medidas cautelares e, por isso, já é considerado foragido.
O Ministério Público do Rio (MPRJ) pediu a inclusão do nome dele na lista vermelha de procurados da Interpol e o bloqueio do passaporte do empresário.
Nesta sexta-feira (9), o Ministério do Turismo informou que o cadastro da Hurb está cancelado desde abril de 2025, por descumprimento da lei.
Já o Procon-RJ afirma que, nos últimos 4 anos, recebeu mais de 8 mil reclamações envolvendo a empresa e que o alvará de funcionamento foi cassado.
O que diz a defesa do ex-CEO
A defesa de João Ricardo Rangel Mendes afirmou que só irá se pronunciar sobre o pedido de inclusão do nome do cliente na lista vermelha da Interpol após a decisão da Justiça.
Sobre os demais questionamentos, a defesa preferiu não comentar.
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