Europa prepara plano para caso de invasão dos EUA à Groenlândia

  • 07/01/2026
(Foto: Reprodução)
Dinamarca e Groenlândia exigem respeito a fronteiras, após Trump anunciar enviado especial Países europeus estão trabalhando em um plano sobre como responder caso os Estados Unidos cumpram a ameaça de assumir o controle da Groenlândia, afirmou nesta quarta-feira (7) o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noel Barrot. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Barrot não deu mais detalhes sobre o plano até a última atualização desta reportagem, mas disse que o tema será abordado em uma reunião com os chanceleres da Alemanha e da Polônia ainda nesta quarta-feira. Ainda não se sabe quais países participariam do plano além da França e da Alemanha. “Queremos agir, mas queremos fazê-lo junto com nossos parceiros europeus”, afirmou Barrot à rádio francesa "France Inter". Uma fonte do governo alemão afirmou à agência de notícias Reuters que a Alemanha está “trabalhando em estreita colaboração com outros países europeus e com a Dinamarca nos próximos passos em relação à Groenlândia”. A movimentação dos europeus ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter retomado ameaças de tomar a Groenlândia, uma ilha no Ártico que pertence à Dinamarca, e que não descarta o uso de força militar para tal (leia mais abaixo). Barrot disse também que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, descartou a ideia de invadir a Groenlândia. Na terça-feira, uma declaração conjunta da França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Dinamarca afirmou que “a Groenlândia pertence ao seu povo” e apenas Dinamarca e Groenlândia podem decidir sobre o futuro do território. O texto disse também que a segurança no Ártico deve ser garantida de forma coletiva, no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), da qual os EUA e a Dinamarca fazem parte. Bandeira da Groenlândia tremula sobre assentamento de Igaliku. Reuters A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, disse que um eventual ataque dos EUA à Groenlândia poderia significar o fim da Otan. Um dia antes, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, também reclamou da atitude de Trump em relação à ilha: “Já chega! Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação”, escreveu Nielsen nas redes sociais. Segundo o jornal norte-americano "The New York Times", Rubio disse a membros do Congresso dos EUA na segunda-feira que Trump tem planos de comprar a Groenlândia em vez de invadi-la. As declarações recentes do presidente norte-americano e da Casa Branca fariam parte de uma tática para forçar a venda, de acordo com fontes do jornal "The Washington Post". Ao mesmo tempo, os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia pediram uma reunião com Marco Rubio para discutir a escalada de tensões. Pedidos anteriores por um encontro como esse foram recusados pelos EUA, segundo os ministros. LEIA TAMBÉM: Interesse dos EUA pela Groenlândia remonta ao século XIX: entenda o que está por trás disso Groenlândia ameaçada e 'fim da Otan': entenda o que Trump disse sobre o território e como a Europa está reagindo Quais países podem estar na mira de Trump depois da Venezuela? Trump quer Groenlândia e não descarta força militar O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e assessores estão discutindo opções para adquirir a Groenlândia, afirmou a Casa Branca na terça-feira (6). Em comunicado, o governo americano disse que o uso das Forças Armadas continua sendo uma alternativa. Em nota enviada em resposta a questionamentos da agência de notícias Reuters, o governo dos EUA afirmou que Trump considera a aquisição da Groenlândia uma prioridade de segurança nacional. A Casa Branca diz que avalia diferentes caminhos para alcançar esse objetivo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursa para os republicanos da Câmara durante a conferência anual sobre questões do partido, no Kennedy Center, renomeado como Trump-Kennedy Center pelo conselho de diretores indicado por Trump, em Washington, D.C., EUA, em 6 de janeiro de 2026 Kevin Lamarque/Reuters Segundo o governo, a medida é vista como estratégica para conter adversários na região do Ártico. O comunicado afirma ainda que o presidente e a equipe analisam uma série de opções de política externa e que o uso do Exército dos EUA está entre as possibilidades. O vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, disse em entrevista à imprensa americana na segunda-feira que "ninguém vai lutar militarmente contra os EUA pelo futuro da Groenlândia", mas desconversou sobre a hipótese de que o governo Trump estaria cogitando uma intervenção armada na ilha. Trump demonstra interesse pela Groenlândia desde o primeiro mandato como presidente. Ao retornar à Casa Branca, no ano passado, voltou a dizer que deseja anexar o território aos Estados Unidos. 👉 Atualmente, a Groenlândia faz parte do Reino da Dinamarca. Apesar disso, o território tem autonomia e já foi autorizado a realizar um plebiscito sobre a própria independência. O tema voltou a ganhar destaque no sábado (3), após Katie Miller, esposa do vice-chefe de gabinete da Casa Branca, publicar em uma conta no X um mapa que mostra a Groenlândia com a bandeira dos Estados Unidos. Na legenda, ela escreveu “em breve”. Veja abaixo. A publicação foi feita após os Estados Unidos lançarem uma operação contra a Venezuela para capturar o ditador Nicolás Maduro. Ele foi preso e levado para Nova York. Cerca de 80 pessoas, entre civis e militares, morreram no ataque, segundo o jornal The New York Times. Katie Miller posta mapa Groenlândia com bandeira dos EUA Reprodução / X No domingo (4), Dinamarca e Groenlândia pediram “respeito” à integridade territorial da ilha. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que um ataque dos EUA à região poderia representar o fim da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Nesta terça-feira, líderes europeus divulgaram um comunicado conjunto afirmando que “a Groenlândia pertence ao seu povo” e que apenas Dinamarca e Groenlândia podem decidir sobre o futuro do território. Canadá e Holanda também apoiaram a declaração. Interesse pela Groenlândia Moradores da Groenlândia fazem protesto contra os EUA, em 15 de março de 2025 Christian Klindt Soelbeck/Ritzau Scanpix/via REUTERS A Groenlândia está geograficamente localizada no continente norte-americano, mas mantém fortes vínculos com a Dinamarca. A ilha, que foi uma colônia dinamarquesa, passou a integrar o Reino da Dinamarca em 1953 e segue a Constituição dinamarquesa. Em 2009, a Dinamarca autorizou a Groenlândia a formar um governo próprio e autônomo, abrindo a possibilidade de uma declaração de independência por meio de referendo. 👀 Interesses: Os Estados Unidos consideram a Groenlândia um território estratégico para a segurança nacional. A ilha poderia abrigar sistemas de defesa capazes de interceptar mísseis vindos da Europa ou do Ártico. A região também é rica em minerais, petróleo e gás natural. No entanto, a extração mineral enfrenta oposição de povos indígenas e restrições do governo local. Já a exploração de petróleo e gás é proibida por razões ambientais. A população da Groenlândia poderia votar pela independência e aprovar, em referendo, uma associação aos Estados Unidos. Especialistas ouvidos pela Reuters avaliam que a probabilidade de isso ocorrer é baixa. VÍDEOS: mais assistidos do g1

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/01/07/europa-prepara-plano-caso-eua-invadam-groenlandia.ghtml


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