'Eu não sei nadar, mas nadei': sobrevivente relata luta para escapar de micro-ônibus que caiu no rio Curuá-Una, em Santarém

  • 27/07/2026
(Foto: Reprodução)
As polícias e as equipes de resgate foram acionadas para prestar socorro imediato e iniciar as investigações Redes Sociais Marinete Caetano Oliveira, única sobrevivente do acidente com um micro-ônibus que caiu da ponte sobre o Rio Curuá-Una, na PA-370, em Santarém, na madrugada desta segunda-feira (27), contou em detalhes como conseguiu escapar do veículo submerso e sobreviver à forte correnteza. O filho dela, Kailan Oliveira, de 15 anos, e o cunhado, o motorista Denilson Deodoro, morreram no acidente. Os corpos deles ainda não foram localizados. Emocionada, Marinete contou que seguia viagem para Santarém ao lado do filho e do cunhado quando tudo aconteceu. “Eu acho que o Denilson dormiu no volante. Eu não sei o que aconteceu, coitadinho”, disse. Segundo ela, logo após o micro-ônibus despencar da ponte, a água invadiu rapidamente o veículo.“Na mesma hora que caiu, quebrou o carro e entrou água para dentro. Eu acho que engoli uns 50 litros de água. Eu afoguei.” Mesmo sem saber nadar, Marinete disse que tentou manter a calma e buscou uma forma de sair. “Eu pedi para Deus calma. Fui procurar uma brecha para sair. Levei um corte grande no meu queixo e meu corpo está todo machucado.” Ela contou que, durante todo o tempo, se agarrou à fé. “Eu pedi para Deus me ajudar. Do mesmo jeito que Ele tinha me tirado daquela UTI, daquele coma, que estivesse comigo para me salvar outra vez.” Após conseguir deixar o veículo, a sobrevivente precisou vencer a correnteza do Rio Curuá-Una. “Eu não sei nadar, mas nadei. Demorou para eu sair do fundo do rio. Segurei a respiração e fui mexendo os braços.” Micro-ônibus cai no rio Curuá-Una em Santarém Quando emergiu, encontrou apenas destroços do veículo sendo levados pela força da água. “Era muita quebradeira do carro passando por mim. Eu tentava me segurar em alguma coisa, mas tudo afundava.” Marinete também procurou pelo filho e pelo cunhado, mas não conseguiu encontrá-los. “Olhava para ver se o menino mexia no meu braço, mas não vi ninguém.” Ela conseguiu alcançar a margem do rio e permaneceu por cerca de duas horas agarrada a galhos, tentando recuperar as forças. “Fiquei quase duas horas dentro da água tentando respirar, me segurando, porque estava extremamente cansada. Meu corpo ficou cheio de espinhos. Eu precisava deitar toda hora porque não suportava a dor.” Com um profundo corte no queixo, ela também tentava conter o sangramento enquanto caminhava lentamente. “Eu tinha que ir estancando o sangue do meu queixo.” Segundo Marinete, o acidente aconteceu durante a madrugada e ela só conseguiu chegar à estrada já próximo das 6h. “Eu vi as luzes dos carros e pensei: ‘um anjo vai parar para mim’. Mas ninguém parava.” Ela então atravessou a ponte a pé até encontrar pessoas que aguardavam um ônibus. “Eu gritei pedindo socorro. Eles foram me acudir e me levaram para Santarém.” Marinete foi socorrida inicialmente por moradores da região, recebeu os primeiros atendimentos na Vila de Guaraná e depois foi transferida para o Hospital Municipal de Santarém. O acidente ocorreu quando o micro-ônibus seguia de Uruará para Santarém e caiu da ponte sobre o Rio Curuá-Una. Equipes do Corpo de Bombeiros realizaram buscas no local. Os corpos do motorista Denilson Deodoro e do adolescente Kailan Oliveira não foram localizados nas águas do rio.

FONTE: https://g1.globo.com/pa/santarem-regiao/noticia/2026/07/27/eu-nao-sei-nadar-mas-nadei-sobrevivente-relata-luta-para-escapar-de-micro-onibus-que-caiu-no-rio-curua-una-em-santarem.ghtml


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