Estátua de Iemanjá tem vidro quebrado e mão danificada na véspera do dia do orixá em Teresina
02/02/2026
(Foto: Reprodução) Estátua de Iemanjá tem vidro quebrado e mão danificada em Teresina
A estátua de Iemanjá, localizada na Avenida Marechal Castelo Branco, em Teresina, teve o vidro do aquário de proteção quebrado e a mão danificada no domingo (1º). O ataque ocorreu na véspera do Dia de Iemanjá, celebrado nesta segunda-feira (2).
Depois do crime, representantes dos povos de matriz africana cobraram que o sistema de videomonitoramento ajude na identificação do responsável. Até a publicação desta reportagem, ninguém foi localizado.
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Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) informou que determinou a investigação do caso pela Delegacia de Proteção aos Direitos Humanos e afirmou que analisa imagens do sistema SPIA e de câmeras privadas para identificar o autor do crime.
🐚🌊 Iemanjá, a orixá da religião iorubá, é a rainha das águas, mares e oceanos. Ela se tornou uma figura importante na cultura brasileira, especialmente nas religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda.
A imagem sofreu um ataque semelhante em junho de 2024, meses após ser inaugurada com feições de mulher preta e substituir a anterior, que tinha feições de mulher branca. Ela também foi alvo de ofensas racistas na internet antes da inauguração.
Um ato está marcado para as 16h desta segunda, em frente à estátua. Os participantes vão se manifestar em defesa das religiões de matriz africana, dos povos de terreiro e do respeito aos monumentos sagrados.
Entidade cobra câmeras
A Articulação Nacional de Povos de Matriz Africana e Ameríndia (ANPMA-Brasil) repudiou o crime de intolerância religiosa e afirmou que pede há mais de dois anos a instalação de câmeras de monitoramento na área do monumento.
"Diante do ocorrido, espera-se que os sistemas de videomonitoramento existentes, como o SPIA, sejam utilizados para identificar e responsabilizar os responsáveis", afirmou a entidade.
🚨 O crime de intolerância religiosa prevê pena de 2 a 5 anos e pagamento de multa para quem impedir ou empregar violência contra manifestações ou práticas religiosas. A pena é aumentada pela metade se o crime for cometido por duas ou mais pessoas.
A ANPMA lembrou que o Piauí ocupa a quarta posição entre os estados que mais registram violência contra comunidades tradicionais de matriz africana e cobrou a investigação imediata do caso.
"Não se trata de vandalismo isolado, mas de um ato que atinge diretamente a liberdade religiosa, a cultura e a dignidade desses povos. Cobramos proteção efetiva aos monumentos religiosos e implementação de políticas públicas permanentes de combate à intolerância religiosa", concluiu.
Confira a nota da SSP-PI:
A Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) informa que o caso de vandalização da estátua de Iemanjá, localizada na Avenida Marechal Castelo Branco, em Teresina, já foi encaminhado à Delegacia de Proteção aos Direitos Humanos, que ficará responsável pela investigação.
A SSP-PI esclarece que imagens do Sistema de Videomonitoramento Urbano com Inteligência Artificial (SPIA), bem como de câmeras privadas existentes na região, estão sendo analisadas com o objetivo de identificar o autor do ato, promover a responsabilização criminal e apurar a responsabilidade pela reparação do dano ao patrimônio público.
A Secretaria reforça que atos de vandalismo e ataques a símbolos religiosos e culturais são tratados com seriedade e rigor, e que as forças de segurança seguem atuando de forma integrada para garantir a preservação do patrimônio público, o respeito à diversidade religiosa e a responsabilização dos envolvidos.
Estátua de Iemanjá tem vidro quebrado e mão danificada em Teresina
Divulgação/ANPMA-Brasil
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