Empresa com participação na Warner pressiona por abandono de acordo de venda com Netflix, diz jornal
11/02/2026
(Foto: Reprodução) Netflix e Warner Bros.
Reuters
A empresa Ancora Holdings, que tem uma participação que equivale a US$ 200 milhões na Warner Bros. Discovery, planeja se opor ao acordo de compra feito com a Netflix. A informação foi publicada pelo The Wall Street Journal nesta terça-feira (10).
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Segundo o jornal, o grupo prefere um acordo com a Paramount Skydance e considera que a Warner "não se engajou adequadamente no acordo" proposto pela competidora da Netflix. O jornal afirma que o grupo deve se manifestar nesta quarta-feira (11).
Também nesta terça (10), a Paramount anunciou uma revisão estratégica em sua proposta para comprar a Warner.
Além de oferecer US$ 30 por ação, em dinheiro, a empresa prometeu pagar uma taxa adicional de US$ 0,25 por ação a cada três meses caso a operação não seja concluída após dezembro de 2026.
A Paramount também se comprometeu a arcar com a multa de US$ 2,8 bilhões que a Warner teria de pagar se rompesse o contrato com a Netflix.
Segundo a companhia, a nova proposta é mais previsível do que o acordo com a Netflix, já que o valor final da transação com a plataforma de streaming pode variar de acordo com a situação financeira da Warner no momento da separação das empresas.
Em janeiro, a Netflix alterou os termos de sua proposta e ofereceu US$ 82,7 bilhões (R$ 445,7 bilhões) em dinheiro para adquirir a Warner. (leia mais abaixo).
Desde então, a Paramount e a Netflix travam uma batalha pela aquisição.
Supostas práticas anticompetitivas
Na última sexta-feira (6), o jornal norte-americano também noticiou que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos investiga se a Netflix adotou práticas anticompetitivas ao propor a aquisição.
O veículo teve acesso a uma intimação civil relacionada ao caso.
A apuração busca entender de que forma a Netflix concorre com outras plataformas e se a fusão com a Warner poderia aumentar seu poder de mercado a ponto de configurar um monopólio.
Nos EUA, a legislação antitruste dá às autoridades amplos instrumentos para impedir fusões que possam reduzir a concorrência.
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Proposta ousada da Netflix
Em 20 de janeiro, a Netflix anunciou que alterou os termos de sua proposta para adquirir os estúdios e os negócios de streaming da Warner Bros. Discovery, passando a oferecer pagamento integral em dinheiro, sem mudar o valor de US$ 82,7 bilhões (R$ 445,7 bilhões).
A nova estrutura da oferta recebeu apoio unânime do conselho da controladora da HBO. Na prática, a mudança buscou dificultar a entrada de concorrentes no negócio, especialmente da Paramount.
A Netflix passou a oferecer US$ 27,75 (R$ 149,71) por ação da Warner, com pagamento integral em dinheiro. Na proposta anterior, a empresa previa o desembolso de US$ 23,25 (R$ 125,43) em dinheiro e o restante em ações da própria Netflix, avaliadas em US$ 4,50 (R$ 24,28) por papel.
👉 Com a nova estrutura, os acionistas da Warner deixariam de receber participação acionária na Netflix e passariam a receber um valor fixo por ação. Isso elimina a exposição às oscilações das ações da compradora, já que o pagamento não dependerá do desempenho desses papéis no mercado.
David Zaslav, presidente e CEO da Warner Bros. Discovery, afirmou na ocasião que “o acordo de fusão aproxima ainda mais a união de duas das maiores empresas de narrativa do mundo”.
“Ao nos unirmos à Netflix, combinaremos as histórias que a Warner Bros. contou e que cativaram a atenção do mundo por mais de um século, garantindo que o público continue a apreciá-las por muitas gerações.”
No entanto, a conclusão dessa reorganização depende da efetivação da cisão da Discovery Global, da obtenção das aprovações regulatórias necessárias, do aval dos acionistas da WBD e do cumprimento de outras condições usuais para esse tipo de operação.
A expectativa é que o processo seja finalizado em um prazo de seis a nove meses, antecedendo a conclusão da transação proposta entre a Netflix e a Warner Bros.