Embaixador ilustre, Lucas Paquetá leva no nome ilha do Rio que já foi refúgio da realeza, cenário de livro e novela e destaque ambiental
29/06/2026
(Foto: Reprodução) Moradores da Ilha de Paquetá se orgulham do conterrâneo na Copa do Mundo
A Ilha de Paquetá carrega uma trajetória rica em história e tradição. O local, que encantou Dom João VI no início do século XIX, serviu de cenário para o romance A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, posteriormente adaptado para o cinema e para a televisão. Atualmente, um dos principais símbolos da ilha está nos gramados: o meio-campista Lucas Paquetá defende a Seleção Brasileira levando o nome do bairro na camisa.
As lembranças da infância do jogador são motivo de orgulho entre os moradores. Conhecida pelo ambiente bucólico, as ruas são tomadas pelas bicicletas e triciclos.
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Como é uma ilha pequena e todo mundo se conhece, você acaba esbarrando com um, fala com o outro. A coisa de jogar bola, informalmente, não era nem treino, mas tem parente que jogava pelada com o pai dele. Os meninos que jogavam bola aqui jogavam com ele. Dá muita satisfação vê-lo crescer e levando o nome de Paquetá pelo mundo”, afirmou Denise Viola, da associação de moradores de Paquetá.
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AFP
Lucas, que voltou a defender o Flamengo este ano depois de anos na Europa, passou parte da infância em uma casa que ainda pertence à sua família. Para Denise, o atleta se tornou a principal referência de Paquetá para os mais jovens.
“Tem gente que vem para resgatar ‘A Moreninha’, a ‘Ilha dos Amores’, mas a nova geração quer saber qual é a terra do Lucas Paquetá”, contou.
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Casa de Artes
Além dos campos da ilha, Lucas frequentou a Casa de Artes Paquetá, localizada em frente à Praia de São Roque. O espaço promove atividades culturais, exposições e apresentações para os moradores.
“O Lucas não chegou a ser um aluno regular, mas esteve aqui e frequentou como todas as crianças do projeto. E essas crianças participavam das atividades juntas. Ele fez parte desse processo, de uma forma ou de outra” contou José Lavrados Kevorkian, diretor da Casa de Artes Paquetá.
Silêncio
Rua da Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, que empresta o nome ao jogador Lucas Paquetá
Reprodução/ TV Globo
Localizada no meio da Baía de Guanabara, a Ilha de Paquetá chama atenção pela tranquilidade. Segundo o último Censo, o bairro tem 3.486 moradores, sendo o menos populoso da cidade do Rio de Janeiro.
Entre os pontos turísticos mais conhecidos está a casa que serviu de cenário para a novela A Moreninha, produzida na década de 1970. Restaurado em uma tonalidade próxima à original, o imóvel é uma propriedade privada. No quintal, um grupo de gansos ajuda a proteger o espaço e a quebrar o silêncio.
Outros espaços da ilha também fazem referência à obra de Joaquim Manuel de Macedo. O exemplo mais conhecido é a Praia da Moreninha, um dos cartões-postais.
Cemitério de pássaros
Cemitério de Pássaros, um dos destaques da Ilha de Paquetá
Reprodução/ TV Globo
Outra atração singular da ilha é o Cemitério de Pássaros, formado por pequenos túmulos destinados ao sepultamento de aves e outros animais de pequeno porte. O espaço foi idealizado por Pedro Bruno e Augusto Silva no início do século XX como uma forma de demonstrar amor à natureza.
Ao lado das sepulturas, placas com poemas dedicados aos animais mostram o vínculo afetivo que tinham com os donos. Mantido pela comunidade, o cemitério continua recebendo pequenos animais de estimação.
“As crianças vinham enterrar seus passarinhos, seus gatinhos, micos e gambás. São covas para pequenos animais, pequenos amigos que vão para o céu”, afirmou Denise.
A história da ilha remonta ao período colonial, quando suas terras eram divididas entre fazendas responsáveis pelo abastecimento da então capital. Muitas árvores daquela época ainda ornam as ruas do bairro.
Refúgio da realeza
Solar Del Rei, que já recebeu Dom João VI na Ilha de Paquetá
Reprodução/ TV Globo
Outro símbolo histórico é o Solar Del Rei, utilizado como refúgio por Dom João VI durante suas visitas à ilha. O imóvel, que existe até hoje, mas permanece fechado ao público desde 2009, segundo a associação de moradores.
Mais de 200 anos depois da passagem do monarca português, Paquetá voltou a receber um integrante da realeza. Em novembro do ano passado, o príncipe William, herdeiro do trono britânico, visitou a ilha.
Durante a passagem pelo bairro, ele cumprimentou moradores, tirou fotografias e recebeu presentes. O principal compromisso da visita foi conhecer projetos de preservação ambiental nos manguezais da região, voltados à recuperação da Baía de Guanabara.
Príncipe William na Ilha de Paquetá
Cristina Boeckel/g1
Reconhecimento internacional
Com um patrimônio histórico tão rico, moradores articulam uma candidatura para que Paquetá seja reconhecida como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. A associação de moradores busca apoio do poder público para viabilizar o projeto e elaborar a documentação necessária.
“Tem história, tem paisagens maravilhosas, uma cultura riquíssima e uma memória afetiva. A memória afetiva de quem passou por aqui. Não é à toa que Dom João VI dizia que é a ‘Ilha dos Amores’. Existe uma memória afetiva muito grande. O que precisa é de cuidado, de preservação. É que o poder público cuide da nossa Apac. Paquetá é uma área de proteção do ambiente cultural”, destacou Denise.
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REUTERS/Dylan Martinez