Em Pernambuco, falta de chuva causa prejuízo na bacia leiteira do Agreste
07/10/2026
(Foto: Reprodução) Estiagem ameaça produção de leite em Pernambuco
Em Pernambuco, a estiagem está ameaçando a produção de leite.
Não se engane com o verde da paisagem. Dos 99 reservatórios monitorados em Pernambuco, 29 estão em colapso. A barragem de Jucazinho, em Surubim, a maior do Agreste, está com menos de 4% do volume d'água.
“Nós estamos vivendo uma união do fenômeno El Niño sendo potencializado pelas mudanças climáticas. A ciência está prevendo que a gente pode passar por esse momento com um grau muito maior de impacto do que nos El Niños passados”, diz Francis Lacerda, pesquisadora do IPA.
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O cenário anunciado de temperaturas mais altas traz consequências diretas para um setor muito sensível às condições do clima: a pecuária. Na bacia leiteira de Pernambuco, o alerta já disparou. O rebanho tem mais de 2,6 milhões de animais. O estado é o maior produtor de leite do Nordeste, com quase 4 milhões de litros por dia e cerca de 1,5 bilhão de litros por ano. O El Niño pode reduzir os pastos e a oferta de água, com impacto direto na produção leiteira.
“Ela vai priorizar a sua sobrevivência. Esses animais, primeiro, para a produção, emagrece muito, começa a perder a produção de leite e a dificuldade vai vir no futuro”, afirma o zootecnista Edclaúdio Tobias.
Em Pernambuco, falta de chuva causa prejuízo na bacia leiteira do Agreste
Jornal Nacional/ Reprodução
Em uma fazenda em Garanhuns foi preciso agir para evitar os maiores prejuízos.
“Reduzimos o rebanho em quase 20% e fizemos algumas transposições para reservar água para o verão”, conta o produtor rural Waldemir Miranda Neto.
Foram construídos 15 açudes. Tem ventiladores e um sistema de tubulação que serve de chuveiro para as vacas. Os pequenos produtores aguardam os dias difíceis multiplicando a plantação de palma, cacto que serve de alimento para o gado. O produtor rural, João Marcelo Cavalcante de Almeida tem 20 vacas leiteiras. Além da palma, ele plantou milho e investiu em um poço artesiano em São Bento do Una.
“O pessoal tem que ter a consciência que vem o El Niño e que tem que se preparar antes. )E quem não se preparou, como é que vai ser?) Infelizmente vai sair da atividade”, afirma João Marcelo Cavalcante de Almeida.
“Cabe aos governos alertarem, cabe aos agricultores e aos produtores usarem da sua experiência passada. A cultura da preservação de recursos para os momentos difíceis é essencial para a sobrevivência sustentável nesta região”, diz Rômulo Menezes, PhD em Agronomia e Meio Ambiente.
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