Eleições 2026: analistas preveem campanhas ainda mais voltadas para viralizar nas redes; entenda efeitos

  • 18/02/2026
(Foto: Reprodução)
Lula, Tarcísio de Freitas e Eduardo Bolsonaro são os principais nomes das eleições de 2026. Reprodução A eleição de outubro já movimenta os políticos de todo o país, e ações recentes — como eventos, gestos simbólicos e vídeos nas redes — indicam o tom da campanha de 2026: mais performática e pensada para viralizar, avaliam analistas ouvidos pelo g1. “A política se torna o campo do espetáculo”, afirma a cientista política e pesquisadora da UnB, Isabela Rocha. "Os discursos feitos em plenário têm trechos ensaiados para saírem nas redes, e as ações são pensadas com base na repercussão prevista. A tendência é que essa estratégia se intensifique", explicou. Para viralizar, é preciso capturar a atenção do público em meio a um ambiente saturado de conteúdo. Isso incentiva políticos a apostar em atos cada vez mais chamativos, com forte apelo simbólico e potencial de mobilização. Camarotti:TSE quer evitar questionamentos nas eleições Isabela Rocha lembra a caminhada interestadual do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que saiu de Minas a Brasília em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos demais condenados por golpe de Estado. O parlamentar percorreu os mais de 240 km que separam a cidade de Paracatu (MG) de Brasília (DF) a pé. Todos os seis dias de trajeto foram transmitidos pelas redes sociais dele. “Eventualmente, você não sabe nada do Nikolas Ferreira até ele ir para a rua, até ele fazer isso. Aí ele passa 15 dias na rua, só se fala nisso, isso chega em outras pessoas”, analisa o cientista político da Universidade de São Paulo (USP), Glauco Peres. A peregrinação de Nikolas foi ganhando espaço nas redes à medida em que ele avançava. Isso teve efeito na "vida real". O último dia do ato, em Brasília, contou com cerca de 18 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios. “Os políticos que são eleitos usando as redes sociais, como o Nikolas Ferreira, ou que depois passam a se apoiar muito nelas — embora tenham uma atuação fora delas, mas sistemática, como vários políticos da esquerda — passam a cultivar um exercício de performance”, explica o professor da USP. Em greve de fome, Glauber Braga diz que vai passar fim de semana em plenário de comissão Do outro lado do espectro político, o deputado da esquerda Glauber Braga (PSOL-RJ) fez uma greve de fome de oito dias na Câmara no ano passado para protestar contra um processo no Conselho de Ética, que poderia terminar com sua cassação. Foi também uma forma de usar o esforço físico como ato de protesto. Durante esse tempo, o parlamentar ingeriu apenas água, soro e isotônico. O fim do que ele classificou de greve de fome foi anunciado em uma coletiva e se deu graças ao acordo feito com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). "Essas ações atingem o público de uma forma mais emocional que racional", pontua Isabela Rocha. Ela defende que “a performance é a nova forma de fazer política” e que “o eleitor é muito emocionado”, por isso esses conteúdos ganham tanta visibilidade. O que acontece com as propostas? Estratégias para ganhar o olhar do público sempre fizeram parte da política. A viralização, no entanto, intensifica o desequilíbrio entre performance e propostas, segundo especialistas. Políticos passaram a publicar com frequência vídeos que pouco ou nada têm relação direta com projetos ou pautas legislativas, como conteúdos sobre rotina pessoal, prática de esportes ou atividades na academia. O objetivo, segundo analistas, é manter presença constante nas redes e preservar o engajamento do público. “Esses políticos estão tentando produzir mais material, mais conteúdo. Quem consome isso, na maior parte, é a própria base. Ele está falando com o próprio eleitor para manter esse público cativado, para mantê-lo mobilizado e continuar sendo lembrado”, explica o cientista político e professor da Universidade de São Paulo (USP), Glauco Peres. O prefeito do Recife, João Campos (PSB) posta com frequência vídeos praticando atividades físicas, como futebol e corrida. São conteúdos sem nenhum teor político, mas que ajudam a engajar o público e favorecer a performance nas redes. Esse tipo de estratégia tende a ampliar a visibilidade, mas não necessariamente amplia a discussão política. “O tempo todo elas vão estar preocupadas em produzir. E aí o material, sempre que vai ali, nunca é um debate completo”, reforça o especialista. A lógica das redes Ainda segundo a especialista, os materiais consumidos e compartilhados nas redes pelos usuários seguem a lógica da confirmação. As pessoas querem reforçar as próprias crenças e usam o espaço digital para isso. O que os políticos exploram “é um conteúdo muito emocional”, que toca o eleitor nesse ponto de reafirmação, acredita ela. Um dos problemas é que isso limita o debate eleitoral. As pessoas não consomem conteúdos contrários às suas opiniões e os políticos tão pouco produzem conteúdos que geram uma visão completa do cenário político. “Você nunca tem o debate inteiro, você nunca vê tudo do que está sendo dito. Então sempre tem a fala que vai ser criticada, o político critica, aquilo acaba. Você não vê a réplica”, ressalta o professor da USP, Glauco Peres. Diferenças entre direita e esquerda Embora a lógica das redes sociais influencie atores de diferentes espectros ideológicos, especialistas apontam que direita e esquerda costumam adotar estratégias distintas quando recorrem a ações performáticas. Na direita, esses gestos tendem a estar associados a narrativas de enfrentamento ou denúncia contra instituições, com forte apelo emocional e linguagem direta. Caminhadas simbólicas, protestos individuais e discursos gravados em tom de alerta costumam ser usados para reforçar a identidade política e mobilizar apoiadores já engajados. O vídeo viral sobre o PIX feito pelo deputado Nikolas Ferreira é um exemplo disso. Ele alcançou mais de 300 milhões de visualizações nas redes sociais ao atacar uma medida do governo. O vídeo é feito em tom de alerta e usa elementos que atingem o emocional dos espectadores. Já na esquerda, as performances políticas aparecem com mais frequência vinculadas a ações coletivas e causas sociais, como greves, atos públicos e mobilizações organizadas. Nessas situações, o foco costuma recair sobre pautas estruturais e denúncias de desigualdades. Recentemente o governo publicou nas redes sociais oficiais, por exemplo, um vídeo que divulga o fim do pagamento do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil com uma roupagem que visa a performance nas redes. No post, o assunto é explicado por meio de vídeos engraçados de gatinhos e uma metáfora de leões e gatinhos para explicar a atuação do Imposto de Renda. A impressão que fica para Isabela Rocha, no entanto, é que essas pautas não tem a mesma repercussão dos conteúdos de direita. “Essa parte do que eu observo como uma dificuldade da esquerda política, de conseguir engajar, de conseguir realmente trazer bastante participação, engajamento nas plataformas, é algo que a direita já faz muito bem desde 2018”, opinou. De toda forma, os dois lados convergem ao menos em um ponto: os políticos utilizam as redes para fazer uma “campanha” contínua, segundo Glauco Peres. Os mandatos não ficam mais restritos em Brasília, eles alimentam conteúdos para redes “o tempo todo”, acrescenta ele.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/02/18/eleicoes-2026-analistas-preveem-campanhas-ainda-mais-voltadas-para-viralizar-nas-redes-entenda-efeitos.ghtml


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