'Ele é um psicopata. Não pode estar armado, nem nas ruas', diz irmã de uma das mulheres executadas por policial em Cariacica

  • 10/04/2026
(Foto: Reprodução)
Famílias liberam corpos de vítimas de PM em Cariacica "Eu quero justiça", foi essa a mensagem da irmã da vendedora autônoma Francisca Chaguiana Dias Viana, 31 anos, morta a tiros junto com a companheira, Daniele Toneto, pelo cabo da Polícia Militar, Luiz Gustavo Xavier do Vale, na quarta-feira, em Cariacica, na Grande Vitória. Vídeo mostra o momento do crime. A dona de casa esteve no Instituto Médico Legal (IML) de Vitória nesta quinta-feira (9) para reconhecer o corpo da irmã. Ela viajou do Maranhão para o Espírito Santo para fazer a liberação. Segundo ela, a dor da família é grande e todos cobram por justiça pela morte do casal. "A forma como morreu foi horrível. Ninguém merece. Até porque, não vi ela reagindo e nem nada. Ele chegou lá e executou as duas. Esse homem é um psicopata. Não pode estar com uma arma e nem nas ruas. Eu quero justiça. Minha família está no Maranhão, mas vamos correr atrás", declarou. Um vídeo obtido pela reportagem da TV Gazeta mostra o momento em que as mulheres são assassinadas a tiros, no meio da rua. O principal suspeito do crime é o cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale, que estava de serviço no momento dos disparos. Cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale atirou e matou duas mulheres em Cariacica Reprodução/Rede social LEIA TAMBÉM: VIOLÊNCIA: Cachorro é flagrado pendurado e outro é encontrado morto; homem é preso por maus-tratos TRAGÉDIA: Grávida é baleada, perde o bebê e morre após briga com vizinho em Nova Venécia As imagens mostram Daniele Toneto e Francisca Chaguiana Dias Viana sentadas na calçada. Uma viatura chega em alta velocidade e para, e outra vem logo atrás. Os policiais descem e, segundos depois, Francisca é baleada e cai. Daniele tenta fugir, mas é executada. Francisca ainda aparece se mexendo e chegou a ser socorrida, mas não resistiu. Após o crime, o policial retirou o colete, segundo a PM, e entregou a arma. Testemunhas relataram que a confusão pode ter sido motivada por uma desavença familiar envolvendo a ex-esposa do militar e as vítimas, que eram um casal e moravam no mesmo prédio. O crime aconteceu no meio da rua do bairro, por volta das 10h30. As duas vítimas e a ex-esposa do policial moravam em andares diferentes. Segundo moradores, a ex-companheira do agente teria sido ameaçada pelo casal horas antes do crime. Ainda de acordo com testemunhas, a discussão teria começado por causa de um ar-condicionado. As mulheres trocavam acusações sobre um possível furto de energia, apesar de residirem em andares distintos. Na manhã de quarta (8), elas voltaram a discutir, e as vítimas teriam mencionado o filho que a ex-esposa do PM tem com ele. Foi nesse momento que ela acionou o ex-marido, que estava fardado e em horário de trabalho. PM estava afastado das ruas O cabo da PM Luiz Gustavo Xavier do Vale já responde a um processo por envolvimento na morte de uma mulher trans ocorrida em julho de 2022, em Cariacica. Por conta desse caso, que teve como vítima a mulher trans Lara Croft, de 34 anos, o policial estava afastado das atividades nas ruas. Na ocasião, a corporação informou que, durante patrulhamento, o cabo e outro PM abordaram a vítima e um homem por suspeita de atitude suspeita, e ambos teriam resistido. PM que matou casal de mulheres em Cariacica já era investigado por morte de mulher trans Ainda segundo a PM, a mulher tentou agredir os policiais e teria retirado um barbeador da bolsa, além de tentar pegar a arma de um dos militares, que reagiu efetuando disparos. No entanto, o laudo da perícia da Polícia Civil apontou que a vítima foi atingida na mão esquerda, no peito, no pescoço, no rosto e nas costas. Segundo o comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Ríodo Rubim, o caso foi conduzido com rigor. "Ele foi denunciado pelo Ministério Público, e a Justiça aceitou. Atualmente, ele não atuava nas ruas, mas em função interna", explicou. O cabo atuava como guarda em uma companhia da corporação em Itacibá. Ao deixar o posto para se deslocar até o local do crime desta quarta-feira, ele também passou a ser investigado. Colegas podem ser responsabilizados Os colegas de trabalho do cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale também podem responder pelos assassinatos. O vídeo do momento do crime mostra que os policiais não fizeram nada para impedir a ação do PM, que atirou nas mulheres desarmadas. É o que explicou o professor e mestre em Segurança Pública Henrique Herkenhoff. Para o especialista, os policiais não deveriam ter acompanhado o militar - que estava em horário de trabalho - após ele se acionado pela ex-esposa, em meio a uma briga dela com as vizinhas. É inadmissível que um servidor público utilize o cargo para resolver seus problemas pessoais", declarou Henrique Herkenhoff. "Os colegas que foram apoiá-lo, se não estavam sob comando adequado, também estavam cometendo irregularidades que precisam ser apuradas pela Corregedoria e pelo Ministério Público. Se a ex-esposa de um policial tem um problema, ela deve acionar o Ciodes (Centro Integrado de Operações de Defesa Social), como qualquer cidadão. O policial que atender à ocorrência precisa agir com isenção, não para apoiar um colega e pressionar ainda mais", completou Henrique Herkenhoff, em entrevista ao Bom Dia Espírito Santo (TV Gazeta). Cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale atirou e matou duas mulheres em Cariacica, Espírito Santo TV Gazeta Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

FONTE: https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2026/04/10/ele-e-um-psicopata-nao-pode-estar-armado-nem-nas-ruas-diz-irma-de-uma-das-mulheres-executadas-por-policial-em-cariacica.ghtml


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