'Ele destruiu meu rosto', diz vítima de tatuador preso por suspeita de estupro e investigado por crimes contra mulheres em 19 casos no RS

  • 31/07/2026
(Foto: Reprodução)
Tatuador é preso por suspeita de estupro em Torres, no Litoral Norte do RS O relato de violência doméstica publicado por Michele Duarte nas redes sociais após o fim do relacionamento com Vinicius Roig chamou a atenção de outras mulheres. Segundo a Polícia Civil, há 19 ocorrências nas quais o tatuador aparece como suspeito nos últimos dois anos. Na quinta-feira (30), o homem de 47 anos foi preso preventivamente por suspeita de estupro. “Ele destruiu meu rosto. […] Eu olhei meu corpo cheio de marca, de hematomas. Todo doído, todo", diz. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp A professora de Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, conta que o relacionamento começou de forma que parecia promissora. "Ele abria a porta do carro, que nunca ninguém abriu pra mim, era gentil, educadíssimo. De uma elegância que você dizia assim: é o príncipe dos meus sonhos." Depois de terminar o relacionamento, Michele decidiu publicar mensagens sobre violência doméstica nas redes sociais — e fez ocorrência na Polícia Civil. O relato chamou a atenção de Juliana Roig, irmã de Vinicius. Juliana compartilhou a história e afirmou que acreditava na professora. Depois disso, segundo ela, outras mulheres começaram a procurar a página chamada Verdade Seja Dita, que passou a reunir relatos de mulheres que afirmam ter se relacionado com o mesmo homem. "A gente nunca imaginou que as coisas fossem tomar essa proporção, porque começaram a surgir dezenas de mulheres com relatos brutais, muito impactantes", diz Juliana. Há registros de ocorrência em Torres, Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul e Cachoeirinha. Segundo o MP, são investigados relatos de agressões físicas, humilhações, perseguição, violência psicológica e violência sexual. Investigações e denúncias A Polícia Civil também investiga o caso. Segundo a instituição, há 19 ocorrências em que Vinicius aparece como suspeito nos últimos dois anos. O MP já denunciou Roig três vezes por crimes cometidos contra a mulher nos municípios de Torres e Sapucaia do Sul: a primeira denúncia foi oferecida em 1º de setembro do ano passado. A segunda foi protocolada em 1º de abril. A terceira denúncia foi apresentada em 9 de junho — conforme o MP, as ações aguardam análise do Judiciário. "A repercussão pública ocorreu agora em razão das manifestações e denúncias divulgadas nas redes sociais. Contudo, é importante destacar que o Ministério Público já vinha atuando no caso desde o momento em que tomou conhecimento dos fatos", afirma o promotor de Justiça de Torres Márcio Roberto Silva de Carvalho. A Promotoria fez um levantamento dos casos suspeitos contra Vinicius. Além dos relatos publicados na página, foram consultados registros anteriores. "São mais de 20 vítimas nesse primeiro momento. Não só pelos relatos na página do Instagram, mas também em consulta a todo histórico, registros anteriores contra ele", afirma a promotora. Procurado, o Tribunal de Justiça afirmou que "Em razão do segredo de justiça que recai sobre os processos, não é possível prestar informações ou divulgar detalhes relacionados ao caso neste momento". Polícia Civil investiga suspeita de estupro Em Torres, a Polícia Civil abriu uma investigação contra Vinicius por suspeita de estupro contra a última ex-companheira. O delegado Marcos Veloso afirma que o trabalho, neste momento, é reunir provas e ouvir as mulheres que procuraram as autoridades. "A gente precisa acolher essas vítimas da melhor maneira possível pra que elas relembrem essas histórias muito pesadas para elas, mas que a gente precisa fazer algumas perguntas para fazer a devida instauração dos inquéritos policiais." Investigado contesta informações Nas redes sociais, Vinicius publicou um texto em que afirma reconhecer que existem acontecimentos que precisam ser enfrentados com seriedade. Ao mesmo tempo, diz que muitas informações que passaram a circular não correspondem à realidade, apresentam distorções ou foram retiradas de contexto. Ele também registrou ocorrência contra as mulheres por calúnia e tentou retirar a página do ar por meio de uma ação judicial. A Justiça negou o pedido liminar. Na decisão, a juíza afirmou que as manifestações publicadas no perfil não foram produzidas "no vácuo" e que há "substrato fático concreto" que lhes dá suporte. As investigações da Polícia Civil continuam, e o Ministério Público acompanha os relatos apresentados pelas mulheres. Para Juliana, a mobilização não é vingança. "A gente não pensa em vingança. A gente pensa em justiça. Porque isso tem que ser parado." Michele, que tem medida protetiva contra Vinícius, diz que nunca imaginou que a história chegaria às redes sociais. Agora, espera que os relatos tenham consequência. "Não imaginava parar nas redes. Mas, já que parou, quero justiça. Quero que a Justiça cumpra o papel dela", conclui. O g1 tenta contatar a defesa de Roig para manifestação. Vinicius Roig, 47 anos, foi preso preventivamente Arquivo pessoal VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/07/31/ele-destruiu-meu-rosto-diz-vitima-de-tatuador-preso-por-suspeita-de-estupro-e-investigado-por-crimes-contra-mulheres-em-19-casos-no-rs.ghtml


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